InícioEmpresas16,5 M€ em receitas do turismo: Governo quer criar mais valor

16,5 M€ em receitas do turismo: Governo quer criar mais valor

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

Portugal ocupa atualmente o 11.º lugar no Travel & Tourism Development Index 2026, do Fórum Económico Mundial, que avalia as condições necessárias ao desenvolvimento sustentável e resiliente do turismo, e não diretamente o número de turistas ou as receitas do setor. A meta definida pelo Governo é colocar o país entre os dez mais competitivos do mundo.

O Governo quer que Portugal continue a crescer enquanto destino turístico, mas com maior criação de valor para a economia, as empresas e os territórios. A estratégia foi apresentada pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, na VIII Cimeira do Turismo Português, realizada a 28 de setembro, em Lisboa.

“Queremos ir mais longe: colocar Portugal entre os dez países mais competitivos do mundo no turismo”, afirmou Castro Almeida durante a cimeira. O ministro defendeu, contudo, que a posição no ranking deve traduzir-se em resultados económicos: “Como transformamos essa escolha em mais valor para a economia portuguesa, melhores empregos, empresas mais fortes e mais oportunidades em todo o território?”.

 

Receitas turísticas chegam aos 16,5 milhões de euros

Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), os estabelecimentos de alojamento turístico registaram, em julho, 9,6 milhões de dormidas, mais 2,1% do que no mesmo mês de 2025. Já os proveitos totais atingiram 923,7 milhões de euros, um crescimento de 4,9% em termos homólogos.

Nos primeiros sete meses do ano, Portugal recebeu 18,5 milhões de hóspedes e registou 46,5 milhões de dormidas, de acordo com o Turismo de Portugal, com base nos dados do INE. As receitas turísticas chegaram aos 16,5 mil milhões de euros, mais 3,6% face ao mesmo período de 2025.

A aposta num crescimento mais rápido das receitas do que do volume turístico está também presente nas prioridades definidas para 2026 pelo Conselho Estratégico para a Promoção Turística (CEPT). Segundo o Turismo de Portugal, o organismo prevê um crescimento superior a 6% nas receitas turísticas, enquanto as dormidas deverão aumentar entre 2,5% e 3,5%, numa estratégia que procura captar uma procura com maior impacto económico nos territórios.

 

Diversificar para além dos destinos mais procurados

A estratégia passa também por distribuir melhor a atividade turística pelo território. Na cimeira, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, afirmou que “Portugal não tem turismo a mais”, embora reconheça a existência de “microfocos de concentração”, citado pelo Jornal Económico. O governante defendeu, nesse contexto, a diversificação da oferta e a valorização de destinos menos maduros.

Os dados do Turismo de Portugal de julho mostram, aliás, que algumas regiões fora dos principais polos turísticos registaram crescimentos relevantes: as dormidas aumentaram 7,5% no Alentejo e 6,3% no Norte.

Para Castro Almeida, o desafio passa ainda por combinar modernização e identidade. “Modernizar não é uniformizar”, afirmou o ministro, defendendo a valorização do património, gastronomia, vinho, natureza e cultura portugueses. A tecnologia e a inteligência artificial são apontadas como ferramentas para aumentar a produtividade das empresas.

O objetivo, concluiu o ministro, é que o turismo tenha impacto para além do próprio setor. “O turismo transforma-se numa plataforma para toda a economia”, afirmou, defendendo uma maior ligação a empresas de áreas como a agricultura, alimentação, vinho, comércio e produção nacional.

Assim, a estratégia para o turismo em 2026 coloca no centro não apenas a capacidade de atrair visitantes, mas quanto valor cada visitante gera para as empresas e para os diferentes territórios do país.

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