InícioCarreiras30% das empresas em Portugal estão a demorar mais a recrutar

30% das empresas em Portugal estão a demorar mais a recrutar

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

Três em cada dez empresas em Portugal estão a demorar mais tempo a preencher as vagas em aberto do que há um ano, de acordo com o ManpowerGroup Employment Outlook Survey relativo ao quarto trimestre de 2026. A dificuldade em encontrar candidatos com as competências necessárias é apontada como o principal motivo para o prolongamento dos processos de recrutamento.

De acordo com o estudo, apesar de 30% dos empregadores nacionais afirmarem estar a demorar mais tempo a preencher vagas, 24% dizem estar a recrutar mais rapidamente. Para 44%, não houve alterações significativas face ao ano anterior. A nível global, 29% dos empregadores reportam processos de contratação mais demorados.

 

Falta de competências condiciona recrutamento

Entre as empresas portuguesas que estão a demorar mais tempo a contratar, 52% apontam a dificuldade em encontrar candidatos com as competências necessárias para as funções disponíveis, avança o estudo. Outros 45% referem a dificuldade em encontrar candidatos qualificados no mercado de trabalho local.

A estes fatores juntam-se o menor número de candidatos identificados através de referências ou redes profissionais, apontado por 29% dos empregadores, e o desencontro entre as expectativas dos candidatos e os requisitos das funções, mencionado por 20%.

A dificuldade na contratação é particularmente evidente em setores com necessidades técnicas e operacionais. No comércio e logística, 59% dos empregadores apontam a falta de competências como motivo para processos mais demorados, percentagem que chega aos 58% na indústria, 57% na hotelaria e restauração e 56% nos serviços e tecnologias de informação.

 

Currículos gerados por IA começam a afetar processos

A utilização de inteligência artificial na preparação de candidaturas surge também entre os fatores identificados pelas empresas, de acordo com a ManpowerGroup. Em Portugal, 7% dos empregadores afirmam que o aumento do número de currículos criados com recurso a IA está a contribuir para o aumento do tempo necessário para preencher as vagas.

O impacto é mais expressivo a nível global, onde 16% dos empregadores apontam este fator. Em Portugal, a questão assume particular relevância nos setores de finanças e seguros e de tecnologia e serviços de informação, onde 43% e 33% das empresas, respetivamente, referem o aumento dos CV gerados por IA como um dos fatores que dificultam o recrutamento.

 

Empresas apostam em processos de recrutamento mais rápidos

Perante a dificuldade em encontrar candidatos com as competências procuradas, as empresas que estão a conseguir recrutar mais rapidamente apostam sobretudo na simplificação dos próprios processos.

Entre os empregadores portugueses, 29% destacam uma maior colaboração entre os recursos humanos e os responsáveis pelas áreas que estão a contratar. Outros 26% referem processos de aprovação mais rápidos, enquanto 24% dão prioridade a candidatos provenientes de redes de contactos e networking.

O recurso a parceiros externos de recrutamento, como consultoras especializadas, é apontado por 22% das empresas.

A tecnologia surge também como uma ferramenta para acelerar os processos. Segundo o estudo, 22% dos empregadores referem melhorias na triagem de candidaturas, incluindo de currículos gerados por IA, enquanto 18% apontam uma melhor segmentação na atração de candidatos. O recurso direto a inteligência artificial e tecnologias de recrutamento é mencionado por 13%.

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