46% dos consumidores recorreu ao cartão de crédito para pagar despesas

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Pagamento (Fonte: Freepik)

Por: Ana Marisa Vieira

O aumento do custo de vida continua a ser o principal fator a pressionar as finanças das famílias portuguesas. Metade dos consumidores que enfrentam dificuldades em pagar dívidas aponta a subida dos preços de bens essenciais, como alimentação e energia, como a principal causa, segundo o mais recente European Consumer Payment Report da Intrum.

De acordo com o estudo, 43% dos portugueses indicam despesas inesperadas como emergências familiares ou custos médicos, como motivo para o endividamento. Já 34% referem que os seus rendimentos não acompanharam o aumento do custo de vida.

Apesar deste cenário, 77% dos consumidores afirmam conseguir pagar todas as contas dentro dos prazos. Ainda assim, o valor representa uma deterioração face a 2024, quando 85% dos portugueses conseguiam cumprir os pagamentos a tempo, uma descida de oito pontos percentuais que evidencia maior pressão financeira sobre os orçamentos familiares.


Regiões e gerações sentem pressões diferentes

A análise regional revela diferenças significativas nas razões para as dificuldades financeiras.

Nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, 71% dos consumidores apontam o aumento do custo de vida como principal motivo para dificuldades no pagamento de dívidas, um valor acima da média nacional. Já no Alentejo, 82% dos consumidores que enfrentam dificuldades financeiras indicam despesas inesperadas como um dos principais fatores de endividamento.

Na Área Metropolitana de Lisboa destaca-se outro problema: 56% dos consumidores referem que os rendimentos não acompanham o aumento dos preços, contribuindo para o agravamento das dívidas.

Também se observam diferenças entre gerações. Entre a Geração X, 74% apontam o custo de vida como principal causa de dificuldades financeiras, sendo o grupo etário mais afetado por este fator. Metade desta geração refere ainda que os rendimentos não acompanharam a subida dos preços.

Entre os millennials, 43% indicam despesas inesperadas como uma das principais razões para dificuldades financeiras. Já a Geração Z revela maior vulnerabilidade a imprevistos: 59% apontam custos inesperados como principal motivo para dificuldades no pagamento de dívidas.


Falta de liquidez explica atrasos nas contas

Quando questionados sobre os motivos para atrasos no pagamento de contas, 40% dos consumidores portugueses afirmam não ter dinheiro suficiente disponível no momento do pagamento.

Outros fatores apontados incluem o esquecimento do pagamento (27%), atrasos no recebimento de salários (21%) e problemas técnicos nos processos de pagamento (15%).

Segundo a Intrum, estes resultados indicam que muitos atrasos estão associados a problemas temporários de liquidez ou a circunstâncias do dia a dia, e não necessariamente a uma incapacidade estrutural de cumprir obrigações financeiras.


Crédito usado para gerir despesas correntes

Perante períodos de maior pressão financeira, uma parte significativa dos consumidores recorre a soluções de crédito para gerir despesas. O estudo indica que 46% dos portugueses utilizaram cartão de crédito nos últimos seis meses para pagar contas ou outras despesas.

Além disso, 19% dos consumidores afirmam ter pedido dinheiro emprestado, excluindo crédito habitação, para pagar despesas no mesmo período.

Para Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum Portugal, os dados confirmam a pressão crescente sobre os orçamentos familiares.

“Os dados deste estudo mostram que muitas famílias continuam a sentir uma pressão significativa nos seus orçamentos, sobretudo devido ao aumento do custo de vida. Mesmo consumidores que conseguem, na maioria das vezes, pagar as suas contas a tempo enfrentam cada vez mais desafios para gerir despesas inesperadas ou períodos de menor liquidez”, afirma.