Quinta-feira, Agosto 13, 2026
InícioMercado72% dos empresários dizem que o trabalho híbrido pesa mais que o salário...

72% dos empresários dizem que o trabalho híbrido pesa mais que o salário no setor tecnológico 

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

O trabalho híbrido está a ganhar importância como fator de atração de talento tecnológico em Portugal. Segundo um estudo da International Workplace Group (IWG), 78% dos líderes empresariais consideram que as empresas que oferecem modelos híbridos têm uma vantagem competitiva no recrutamento de profissionais da área tecnológica. Os dados do relatório mostram ainda que 72% acreditam que o trabalho híbrido é hoje mais valorizado pelos candidatos do que o salário.
 

Esta crescente importância da flexibilidade é corroborada por um relatório da Eurofound de 2025, Shaping the future of work: Inside Europe’s hybrid work strategies, que conclui que ” o modelo de trabalho híbrido, inicialmente adotado como uma resposta temporária à pandemia, tornou-se uma característica permanente de muitas organizações.” 

Embora a pandemia tenha acelerado a adoção do trabalho híbrido, este modelo já era uma realidade. De acordo com o relatório da agência europeia, em sete das dez organizações analisadas os modelos híbridos já existiam antes. 

 

Escassez de talento impulsiona novas estratégias 

A dificuldade em recrutar profissionais qualificados continua a pressionar as empresas. De acordo com o Global Talent Shortage Survey 2026, da ManpowerGroup, 82% dos empregadores portugueses enfrentam dificuldades em encontrar talento, colocando Portugal entre os países europeus com maior escassez de profissionais. 

Paralelamente, cerca de 38% das empresas portuguesas registam um índice de intensidade digital “alto” ou “muito alto”, segundo dados da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), com base no Índice de Intensidade Digital da Comissão Europeia. A intensidade digital aumenta consoante a dimensão das organizações: o nível “muito alto” é alcançado por 40,5% das grandes empresas, mas apenas por 5,5% das pequenas empresas. 

À medida que as empresas intensificam a transformação digital, aumenta também a procura por profissionais com competências tecnológicas especializadas. Neste contexto, a Eurofound conclui que várias organizações referem utilizar o trabalho híbrido como parte de uma estratégia deliberada para atrair profissionais mais jovens e trabalhadores qualificados que dão prioridade ao equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal.  

Esta transformação é acompanhada por uma mudança nas competências que as empresas procuram. Segundo o estudo da IWG, as competências tecnológicas avançadas, como inteligência artificial, análise de dados e programação, são cada vez mais determinantes para a progressão para cargos de liderança. O estudo revela que 22% dos líderes empresariais valorizam estas competências mais do que os diplomas universitários tradicionais. 

Além disso, mais de dois terços dos líderes empresariais (67%) afirmam que atrair e reter profissionais tecnológicos de topo é hoje mais competitivo do que nunca, enquanto 50% reportam dificuldades em encontrar candidatos com as competências necessárias.  

 

Teletrabalho mantém expressão em Portugal 

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o teletrabalho continua a representar uma parte significativa da realidade laboral portuguesa. No 2.º trimestre de 2025, 20,9% da população empregada — cerca de 1,096 milhões de pessoas — trabalhou a partir de casa recorrendo às tecnologias de informação e comunicação.  

O valor mantém-se estável face ao trimestre anterior e representa um aumento 0,6 pontos percentuais relativamente ao mesmo período de 2024. Estes números evidenciam que os modelos de trabalho flexíveis continuam a ter um peso relevante no mercado de trabalho português. 

 

Flexibilidade traduz-se em ganhos para trabalhadores e empresas 

A Eurofound identifica benefícios concretos associados ao trabalho híbrido para trabalhadores e empregadores. O principal motivo apontado pelos trabalhadores é “a poupança de tempo nas deslocações casa-trabalho”, tempo que “passa a ser utilizado para descanso, responsabilidades familiares ou lazer”. 

Os estudos de caso analisados mostram igualmente melhorias ao nível da produtividade. Segundo a Eurofound, os trabalhadores também relataram uma melhoria da produtividade, frequentemente associada a uma maior autonomia e à possibilidade de trabalhar nos momentos em que se sentiam mais concentrados. 

No estudo da IWG, esta perceção é partilhada pelos líderes empresariais, sendo que 72% afirmam que as equipas são mais produtivas quando trabalham em regime híbrido, enquanto 71% consideram que este modelo melhora a retenção de profissionais tecnológicos.  

Além disso, 83% acreditam que o trabalho híbrido favorece o bem-estar dos colaboradores, fator considerado cada vez mais importante para a sustentabilidade das organizações.  

Para Mark Dixon, Fundador e Executive Chairman da IWG, afirma “a mensagem dos líderes, e, em particular, das gerações mais jovens  é clara: as empresas que não integrarem o trabalho híbrido na sua cultura arriscam ficar para trás na corrida por talento tecnológico e no acesso às competências de que precisam para se manterem competitivas.”

Apesar dos benefícios identificados, a Eurofound alerta que o sucesso do trabalho híbrido depende da sua implementação. O relatório alerta que os benefícios não são automáticos: dependem de uma implementação cuidadosa, de uma gestão eficaz e da participação ativa dos trabalhadores.

PODE GOSTAR DE LER
Continue to the category
PUB

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

NEWSLETTER

PUB
PUB

SUSTENTABILIDADE

Continue to the category