InícioOpiniãoA competitividade nas PME também passa pela faturação

A competitividade nas PME também passa pela faturação

Por: Cláudia Raposo, EMEA Sales Manager, E-Commerce da Sovos

Em muitas pequenas e médias empresas (PME), a emissão de faturas está resolvida há muito tempo: fatura, PDF, email. Para muitos empresários, isto foi um avanço e continua a funcionar bem em vários contextos. Só que, à medida que o negócio cresce, a faturação deixa de ser apenas uma tarefa administrativa e passa a ser um ponto crítico de execução. E execução, numa empresa, é competitividade.

Sabemos que o email é um meio eficaz de transporte, mas não constitui, por si só, um processo. E o PDF, embora digital, é um formato de imagem estática. Mesmo com tecnologias de OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres) a tentar extrair os dados, este método continua sujeito a erros de interpretação e exige validação humana. Uma fatura eletrónica, no sentido rigoroso, é emitida e recebida num formato estruturado (como o XML), permitindo que os sistemas ‘falem’ entre si de forma direta, sem intermediários e com 100% de integridade dos dados.

Segundo o estudo “Faturas em Papel e Eletrónicas”, desenvolvido pela Intercampus em parceria com a SOVOS, apenas 45% das PME em Portugal dispõem de uma solução de faturação eletrónica. O mesmo relatório indica que o papel continua a representar 65% das faturas emitidas, enquanto 35% são processadas em formato PDF.

Na prática, é aqui que muitas PME sentem o desgaste. A fatura sai bem, mas no cliente começa o processo: mesmo que o sistema leia o PDF, alguém tem de validar se o OCR não trocou um ‘0’ por um ‘O’ ou se a retenção de IVA foi bem captada.

O mais insidioso é que estes dias raramente ficam registados como custo. Ficam escondidos na ansiedade do “ainda não entrou” e na imprevisibilidade do caixa. A tesouraria não é um tema separado. É o motor que define até onde a empresa consegue ir e a que velocidade. Quando o circuito entre faturar e receber encurta, e quando há menos devoluções por detalhes evitáveis, o pagamento tende a deixar de “escorregar”.

Há também uma dimensão de risco. Quanto mais um processo crítico depende de emails e anexos, maior é a exposição a erros, envios para destinatários errados e até fraudes de alteração de dados, como por exemplo esquemas de man-in-the-middle (alteração de IBANs). O objetivo não é substituir o email, mas sim reduzir a dependência dele nos pontos onde uma falha custa caro: nos pagamentos e na confiança do cliente.

A boa notícia é que isto não tem de ser um projeto gigante, nem necessariamente dispendioso. A verdadeira magia da faturação eletrónica não está na ferramenta em si, mas na disciplina que introduz no processo. Em muitas PME, a grande diferença não está no ato de ‘emitir a fatura’, mas no controlo absoluto sobre o que acontece depois. Quando a fatura circula em formato estruturado, os problemas tornam-se visíveis instantaneamente: sabemos o que foi aceite, o que foi rejeitado e onde é que o ciclo está a travar. É essa transparência que transforma o caos das trocas de emails numa operação fluida e previsível.

Num mercado onde as maiores organizações já operam com fluxos automatizados, essa previsibilidade permite às PME acompanhar prazos, responder a exigências de validação e encurtar ciclos de pagamento, mesmo com equipas mais pequenas.

No fim, as PME podem continuar a tratar a faturação como mais uma rotina, ou podem usá-la para impor disciplina ao negócio. Quem reduz o ruído entre emitir e receber ganha margem. Margem para negociar melhor, para aceitar mais trabalho, para investir no momento certo. E essa margem, hoje, é a forma mais concreta de competir.

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