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“A curiosidade e a humildade para aprender são fundamentais” – McDonald’s Portugal

Por: Ana Marisa Vieira

 

Num contexto de transformação acelerada do consumo e da tecnologia, liderar marcas globais exige hoje, mais do que execução, visão, adaptação e capacidade de mobilização. É neste enquadramento que a McDonald’s Portugal tem vindo a reforçar a sua aposta na inovação e na experiência do cliente, num mercado cada vez mais competitivo e digital.

À frente deste desafio está João Pedro Machado, diretor de Marketing e Transformação Digital da McDonald’s Portugal, cujo percurso tem sido marcado pelo foco no cliente, pela aprendizagem contínua e pela integração entre tecnologia e criatividade. Num setor onde a diferenciação passa cada vez mais pela personalização e pela relevância da experiência, a liderança assume um papel determinante na capacidade de resposta das organizações.

Em entrevista à PME Magazine, João Pedro Machado, partilha a sua visão sobre liderança em contextos de mudança, os erros mais comuns na transformação digital e os princípios para escalar inovação sem perder simplicidade.

Uma reflexão prática para gestores e decisores que procuram alinhar estratégia, tecnologia e crescimento sustentável.


PME Magazine (PME Mag.) – Ao olhar para o seu percurso, houve algum momento ou decisão-chave que o tenha preparado verdadeiramente para este desafio na McDonald’s Portugal?

João Pedro Machado – Considero que o que me preparou para alcançar este objetivo foi a construção de um percurso, ao longo dos anos, assente no desenvolvimento consistente de competências que considero fundamentais, como a curiosidade e aprendizagem contínua, o permanente foco no Cliente, e a ambição na criatividade e diferenciação.

O desafio na McDonald’s Portugal exige precisamente essa combinação, ao unir tecnologia e criatividade para entregar experiências cada vez mais relevantes aos nossos Clientes, num contexto de constante evolução tecnológica e mudança acelerada dos comportamentos de consumo.


PME Mag. – O que distingue um líder capaz de gerir mudança de um líder capaz de mobilizar uma organização inteira para mudar?

Gerir mudança e mobilizar uma organização para mudar, não são na realidade competências mutuamente exclusivas; pelo contrário, podem ser complementares. “Nada é permanente, exceto a mudança”, dizia o filósofo Heráclito, ideia que reforça que a mudança deve ser entendida como uma constante na vida das organizações e, por isso, a sua gestão constitui uma competência básica de liderança.

“(…) mobilizar uma organização para mudar vai mais longe”

Por um lado, no atual contexto de rapidez e volatilidade, gerir mudança implica conseguir adaptar e comunicar uma visão de forma contínua, garantir a compreensão do contexto em que a organização opera, ter coragem para tomar decisões estruturais e criar a agilidade necessária para as executar. Por outro lado, mobilizar uma organização para mudar vai mais longe: resulta da consistência destes elementos ao longo do tempo, criando compreensão, alinhamento e confiança suficientes para que a mudança deixe de ser imposta e passe a ser assumida coletivamente como parte natural da evolução da organização.



PME Mag. – Quais são os erros mais comuns que vê as empresas cometerem quando tentam acelerar a transformação digital e a personalização da experiência do cliente?

Um erro comum na transformação digital é priorizar a tecnologia em detrimento das reais necessidades dos Clientes. O desenvolvimento de soluções tecnológicas que não respondem a uma necessidade concreta ou que não evidenciam um valor claro para quem as utiliza pode tornar-se um desafio, comprometendo os resultados e o retorno do investimento.

Pela minha experiência considero que a transformação digital tem real impacto quando parte das necessidades reais do cliente e quando a tecnologia é utilizada como meio para reforçar essa experiência.

A tecnologia deve ser vista como uma ferramenta, e não como o objetivo final. Uma implementação bem-sucedida da transformação digital passa por garantir que a inovação simplifica a vida do cliente e permite entregar valor de forma clara, prática e consistente.



PME Mag. – Como se constrói inovação com escala sem perder simplicidade, consistência e foco no consumidor?

Uma abordagem centrada no consumidor é um ponto de partida importante, mas a estratégia deve evoluir para ser verdadeiramente human centric, assente numa compreensão real das necessidades das pessoas, muitas vezes latentes, e no desenvolvimento de uma proposta de valor clara e diferenciadora no mercado. É nesse ponto que pode ocorrer a verdadeira diferenciação.

“(…) garantindo que cada interação acrescenta valor à relação com o cliente”

A partir daí, importa manter consistência e abertura para testar novas abordagens e perspetivas, garantindo que cada interação acrescenta valor à relação com o cliente e contribui para uma ligação mais forte e significativa.

É esta abordagem que pode permitir escalar a inovação de forma sustentada, tornando a experiência do cliente mais relevante, consistente e alinhada com as suas necessidades ao longo do tempo.


PME Mag. – Que conselho daria hoje a um gestor intermédio ou jovem líder que queira preparar-se para assumir funções executivas ligadas à inovação e ao crescimento do negócio?

O principal conselho é encarar a aprendizagem contínua como algo essencial ao longo do percurso. A inovação nasce muitas vezes a partir do que ainda não conhecemos, pelo que a curiosidade e a humildade para aprender são fundamentais.

É também importante aceitar que nem todas as ideias, mesmo quando parecem promissoras, serão vencedoras. Nesse sentido, pode ser útil procurar compreender em profundidade o que sustenta a ideia e manter uma ligação próxima ao terreno, ao negócio e aos consumidores, de forma a melhor compreender a realidade.

Por fim, um líder deve estar sempre aberto a testar, iterar e explorar diferentes ângulos, mantendo também a capacidade de reconhecer quando faz sentido parar. A possibilidade de deixar cair uma ideia no momento certo pode ser tão relevante quanto a ambição de a desenvolver.

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