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“A missão: conectar os fundadores de startups uns com os outros” – 351 Portuguese Startup Association

Por: Helena Schlindwein e Ana Vieira


Criada em 2019 como uma comunidade informal no Facebook, a 351 Portuguese Startup Association surgiu com um objetivo claro: criar um ambiente mais colaborativo que permitisse aos empreendedores terem maiores probabilidades de sucesso.

Três anos depois, o movimento deu lugar à formalização da associação, mas a missão manteve-se inalterada, promover a colaboração entre empreendedores e conectá-los a investidores, mentores, aceleradoras, empresas, universidades e outros agentes relevantes.

Hoje, a 351 desenvolve programas e iniciativas que acompanham todas as fases da jornada empreendedora, desde a ideia inicial até à internacionalização, promovendo um ambiente mais acessível, informado e sustentável para quem quer criar e crescer em inovação.

Em entrevista à PME Magazine, Lenz Gschwendtner, Community Leader da 351 Portuguese Startup Association, explica como a associação tem evoluído, quais os principais desafios que os empreendedores enfrentam e de que forma a 351 está a contribuir para transformar Portugal.

 

PME Magazine (PME Mag.) – A 351 Portuguese Startup Association nasceu como uma comunidade para startups. Como é que esta missão evoluiu? 
Lenz Gschwendtner (L. G.) – A 351 nasceu como uma comunidade informal em 2019, através de um grupo de Facebook que contava com mais de 10.000 membros. Em 2022, formalizámos a criação de uma associação, mas a missão continua a mesma: conectar os fundadores de startups uns com os outros e com outros intervenientes do ecossistema, como investidores, mentores, aceleradoras, incubadoras, empresas de maior dimensão, talento e universidades. 

O objetivo é criar um ambiente mais colaborativo que permita aos empreendedores terem maiores probabilidades de sucesso, já que sabemos, segundo as estatísticas do mundo das startups, que 9 em cada 10 falham durante os primeiros 5 anos. Acreditamos que, ao estarem rodeados de pessoas com conhecimento e experiência em inovação e tecnologia, os fundadores aumentam as suas possibilidades de sucesso, evitam erros já previamente testados por outros, e contribuem para um ecossistema mais rico e sustentável.

A nossa missão é tornar Portugal neste ambiente propício ao crescimento das startups, ao tornar o país no ecossistema mais dinâmico e bem conectado do mundo.

 

PME Mag. – Portugal tem vindo a afirmar-se como um hub de inovação. Que papel tem a 351 Portuguese Startup Association desempenhado na construção desse ecossistema?
L. G. – A 351 Startups tem contribuído ativamente para a criação de um ecossistema de inovação onde todos possam apostar nas suas ideias, mesmo que não tenham, à partida, as ferramentas, conhecimento ou financiamento necessários. Acreditamos que todos podem empreender, quando têm à sua volta os parceiros e mentores certos.

“Estamos a oferecer mais acesso à informação, a oportunidades de investimento, e a instrumentos tecnológicos para chegarem mais perto do sucesso que idealizam”

Ao conectarmos pessoas com o ecossistema de empreendedorismo, estamos a oferecer mais acesso à informação, a oportunidades de investimento, e a instrumentos tecnológicos para chegarem mais perto do sucesso que idealizam. 

Para isso, a 351 Startups desenvolve programas e iniciativas que abrangem todo o funil da jornada do empreendedor, desde a ideia de negócio até à scale-up e internacionalização. Os programas que mais destacamos neste momento são:

  • Techstars Startup Weekend: Um evento que em 54 horas oferece aos participantes uma visão prática da jornada empreendedora, através da criação de projetos com desenvolvimento por equipas diversificadas, e apoio de mentores, durante um fim de semana e possibilidade de implementação real após essa imersão. O próximo decorre em Viseu em outubro.
  • Portugal Tech Week: O festival com maior impacto na inovação em Portugal, que irá decorrer de 7 a 16 de novembro de 2025 e já vai na sua 4ª edição. A Portugal Tech Week é uma iniciativa descentralizada que pretende alcançar mais de 20 cidades portuguesas, promovendo o empreendedorismo um pouco por todo o país, e que já contou com mais de 250 eventos na edição do ano anterior.
  • Founder Institute: um programa de pré-aceleração apoiado pela 351 Startups que promove o conhecimento na fase anterior ao investimento, ajudando as startups a reduzirem o risco, a crescerem, e a tornarem-se mais atrativas para investidores nacionais e internacionais. Com a missão de “Globalizar o Silicon Valley”, o Founder Institute será 100% online, com início a 14 de outubro de 2025.
  • Membership Program: o primeiro programa de membros organizado por fundadores de startups e com o intuito de apoiar outros fundadores, oferecendo a indivíduos e startups acesso a eventos exclusivos e oportunidades de networking, matchmaking com empresas e investidores, recursos e mentoria pelos principais parceiros do ecossistema, e maior visibilidade.
  • Portugal Community Fund: um fundo comunitário criado em parceria com a Critical Software que é composto por uma quantia monetária e recursos para que as comunidades locais possam realizar atividades, projetos de pesquisa e investigação, relatórios e white papers, ou eventos colaborativos. O objetivo é fomentar a inovação em diferentes verticais, através do apoio monetário e de suporte a comunidades organizadas e sem fins lucrativos.
  • Santander X Awards: pelo terceiro ano consecutivo, a 351 Startups apoia o programa Santander X Awards, da Fundação Santander, que já vai na sua 4ª edição e tem €30.000 em prémios, bem como oferta de workshops nacionais e um dia de demonstração ao vivo com jurados de topo. Esta é uma grande oportunidade de escalar uma ideia ou startup e juntar-se a uma rede global de inovação. As inscrições estão em curso para projetos universitários e startups até 20 de outubro.

 

PME Mag. – Quais são os maiores desafios que as startups portuguesas enfrentam atualmente? 
L. G. – Existem vários desafios para novas ideias atualmente, sendo que um dos principais obstáculos é o acesso a investimento, uma vez que nem sempre é fácil chegar aos parceiros de financiamento certos, nomeadamente na fase de pré-revenue, bem como pode ser complicado o valor de investimento, já que Portugal é notoriamente conhecido por tickets pequenos. 

Outra dificuldade é também a entrega de fundos comunitários, que passa pelo processo demorado de candidatura, e mesmo que os projetos sejam aprovados, demoram meses e por vezes até anos até serem totalmente pagos. Isto representa um esforço financeiro para startups, já que muitas vezes têm de sobreviver à base de adiantamentos de valores pessoais por parte dos fundadores.

“ Por vezes o facto de não se saber os passos legais para tratar de todos os detalhes representa desde logo uma barreira à entrada no mercado”

Um grande entrave à vontade de criar uma startup é a burocracia e a falta de conhecimento sobre os procedimentos legais. As obrigações de uma startup desde o início passam por criar entidade jurídica, que demora sempre algum tempo do fundador (quer online, quer presencialmente), e também contratar um contabilista, que representa um investimento mensal, muitas vezes mesmo antes de ter faturação. Assim, por vezes o facto de não se saber os passos legais para tratar de todos os detalhes representa desde logo uma barreira à entrada no mercado.

Um outro desafio a destacar é a pequena escala do mercado português, o que representa simultaneamente uma oportunidade, pois significa que as ideias têm de nascer já com o mindset global. Contudo, a implementação e aquisição de early adopters (primeiros utilizadores ou clientes de um produto ou serviço) pode ser um problema, o que representa uma ameaça à sobrevivência financeira das startups logo numa primeira fase.

E depois existem desafios comuns a todas as startups em todo o mundo: tempo de mercado, jornada de vendas, estratégia de go to market, equipa, liquidez, validação, modelo de negócio, tração e impostos.

A 351 Startups tem feito um trabalho junto de entidades regulamentadoras, como o Governo e a Comissão Europeia, para diminuir algumas das barreiras de entrada mencionadas a cargo de instituições estatais, nomeadamente em parceria com outros stakeholders como a ESN (European Startup Network) e a Associação Espanhola de Startups (no projeto Nuvem).

Simultaneamente, temos um papel ativo na interligação entre os novos projetos e os diferentes atores do ecossistema, como mentores que possam ajudar a diminuir o risco e transmitam conhecimento de mercado, bem como investidores que possam injetar capital nas startups com maior potencial de crescimento e internacionalização.

 

PME Mag. –  O que motivou a parceria com o Fórum PME Magazine by UniPeople e que mais-valias esta colaboração traz para o ecossistema de startups e pequenas empresas em Portugal?
L. G. – Apoiamos as iniciativas de parceiros que fazem sentido para a nossa comunidade. O 3.º Fórum PME destaca as empresas e startups que têm vindo a fazer um trabalho relevante no setor da inovação e tecnologia, e que apresentam maior potencial de crescimento. 

“A competição PME Pitch é uma oportunidade para as startups ganharem maior visibilidade, e simultaneamente experiência de palco, para apresentarem as suas ideias”

Em particular, a competição PME Pitch é uma oportunidade para as startups ganharem maior visibilidade, e simultaneamente experiência de palco, para apresentarem as suas ideias ao mundo, conquistando assim maior notoriedade mas também aumentando as suas probabilidades de investimento e parcerias. Assim, vemos apenas vantagens de nos associarmos a esta causa em Portugal.

 

 

A 351 Portuguese Startup Association é parceira do evento Fórum PME Magazine by UniPeople, um encontro de networking para líderes e gestores, a acontecer nos dias 29 e 30 de outubro, no Taguspark. 

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