Sábado, Julho 11, 2026
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Adoção de IA nas PME é baixa, mas três em cada dez preparam investimento

Por: Ana Marisa Vieira

 

Portugal continua a apresentar níveis reduzidos de adoção de inteligência artificial (IA) entre Pequenas e Médias Empresas (PME), mas cresce o interesse em implementar soluções digitais a curto prazo. A conclusão é de um estudo para a MediaWeb, que analisou 400 empresas.

De acordo com o estudo “Adoção de inteligência artificial nas PME em Portugal”, apenas 8,6% das PME utilizam tecnologias de IA nos seus processos, apesar das ineficiências operacionais comuns em setores como Construção, Retalho, Logística, Indústria Têxtil, Saúde, Hotelaria, Serviços Administrativos e setor Vinícola.

Estes setores foram estudados por apresentarem baixo nível de digitalização, mas elevado potencial de ganhos de produtividade com a aplicação de IA.


Três em cada dez empresas prontas para avançar com IA

Das 400 empresas analisadas, 27,8% (111 empresas) afirmaram estar disponíveis para implementar IA nos próximos 12 meses, revelando uma perceção crescente da tecnologia como fonte de competitividade e eficiência.

O interesse concentra-se sobretudo em regiões urbanas: Porto (13,5%), Lisboa (11,7%), Maia (9%), Aveiro (6,3%) e Barcelos (3,6%).

Segundo o estudo, estas empresas caracterizam-se maioritariamente por terem uma faturação entre dois e 10 milhões de euros, entre 11 a 50 colaboradores, indicando que organizações com maior estrutura operacional são também as mais recetivas à digitalização.

Comércio e Retalho no topo da adoção de IA

Nas empresas que assumem querer adotar IA, os setores com mais interesse são o Comércio e Retalho (18,9%), a Construção (9%), a Hotelaria (9%), a Indústria Têxtil (8,1%) e Vinícola (5,4%).

A diversidade setorial demonstra que a procura por soluções de IA não está concentrada num único segmento, mas atravessa desde operações industriais a áreas comerciais e de atendimento.

Quanto às áreas internas onde a IA terá maior impacto, segundo os dados recolhidos pela FEP Junior Consulting, as vendas lideram com 22,5% das menções, seguido da Financeira/Faturação/Orçamentação com 11,7%, Produção/Operações cerca de 10% e Marketing/Redes sociais com 4,5%.

A predominância da área comercial reflete o interesse das PME em utilizar IA para melhorar a relação com clientes, otimizar processos de prospeção e aumentar receitas. Já as áreas financeira e operacional surgem associadas à redução de tarefas manuais e melhoria da eficiência.

Barreiras: falta de literacia digital e receios de investimento

Apesar do crescente interesse, a maioria das empresas ainda demonstra hesitação perante a adoção de IA. O relatório “Adoção de inteligência artificial nas PME em Portugal” destaca ainda que falta de conhecimento, desinformação e receios quanto ao investimento necessário permanecem entre os principais obstáculos à decisão.

Assim, olhando para os dados, a digitalização das PME portuguesas está em fase inicial, mas com sinais claros de evolução. Com quase um terço das empresas da amostra a considerar a implementação de IA num horizonte de 12 meses, a tendência aponta para uma transformação acelerada, sobretudo nas áreas comercial, financeira e produtiva.

 

METODOLOGIA DO ESTUDO

O estudo “Adoção de inteligência artificial nas PME em Portugal” foi desenvolvido pela FEP Junior Consulting (FJC), para a MediaWeb, e incidiu sobre uma amostra de 400 Pequenas e Médias Empresas portuguesas, maioritariamente classificadas como PME Líder e PME Excelência.

A análise focou-se em setores com baixa incorporação de inteligência artificial, mas elevado potencial de ganho de produtividade através da adoção destas tecnologias. Foram avaliados o grau atual de utilização de IA, os principais desafios operacionais das empresas e as áreas onde a tecnologia poderá contribuir para ganhos de eficiência, otimização de custos e melhoria de processos.

A maioria das empresas analisadas apresenta volumes de faturação entre 2 e 10 milhões de euros e estruturas com 11 a 50 colaboradores. Em termos setoriais, a amostra incidiu sobretudo sobre empresas ligadas ao Comércio e Retalho, Construção Civil, Indústria Têxtil, Hotelaria e Transportes e Logística.

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