Terça-feira, Julho 21, 2026
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“Ao dominarmos internamente toda a cadeia de produção conseguimos garantir um controlo de qualidade absoluto” – Europalco

Por: Ana Marisa Vieira

 

Num setor onde a exigência técnica, a velocidade de execução e a capacidade de inovação fazem a diferença entre acompanhar o mercado ou liderá-lo, a Europalco consolidou-se como um dos principais grupos portugueses na área da produção técnica de eventos. Com mais de 250 colaboradores distribuídos pela Europalco, New Audiovisuais, Rise e AV Tech, o grupo fechou 2025 com uma faturação de 25 milhões de euros.

Da Web Summit ao SBC Summit, passando pelo Pensar Maior, Best of Belron, IRGA ou os encontros da Caixa Geral de Depósitos, a empresa tem estado nos bastidores de produções que exigem elevada capacidade logística, domínio tecnológico e execução sem margem para erro. A integração interna de áreas como audiovisual, cenografia, carpintaria e metalomecânica tornou-se um dos pilares estratégicos que sustentam a capacidade de resposta do grupo.

Num mercado em rápida transformação, marcado pela procura de experiências imersivas, inteligência audiovisual e sustentabilidade operacional, a Europalco tem reforçado o investimento em tecnologia, formação especializada e expansão da sua operação ibérica. 

Em entrevista à PME Magazine, Pedro Magalhães, CEO da Europalco, explica como a empresa atravessou a pandemia sem interromper a atividade, quais são os maiores desafios da indústria e de que forma pretende consolidar a liderança do grupo num mercado cada vez mais competitivo e global.

PME Magazine (PME Mag.) – A Europalco nasceu de um projeto individual e evoluiu para um grupo de referência. Quais foram os momentos críticos dessa trajetória e que decisões estratégicas explicam o crescimento sustentado da empresa?

Pedro Magalhães, CEO da Europalco – A Europalco nasceu, de facto, de um projeto individual, mas a ambição sempre foi criar algo que respondesse às necessidades globais do mercado. Olhando para trás, o momento mais crítico e desafiante da nossa história recente foi, sem dúvida, a pandemia da COVID-19. O setor dos eventos parou por completo do dia para a noite, mas a nossa decisão estratégica foi recusar terminantemente cruzar os braços.

“Usámos esse período de crise para nos mantermos ativos, proteger a nossa estrutura e planear o passo seguinte”.

Em vez de pararmos a nossa atividade, decidimos reinventar-nos de imediato e adaptámos os nossos armazéns para montar estúdios de gravação e transmissão digital de última geração. Esta capacidade de reação rápida permitiu-nos continuar a trabalhar e a apoiar as empresas que precisavam de comunicar num formato totalmente virtual. Não parámos um único dia. Usámos esse período de crise para nos mantermos ativos, proteger a nossa estrutura e planear o passo seguinte.

Dessa resiliência e visão nasceu o que hoje chamamos de “Empowerment Ecosystem” (Ecossistema de Capacitação). Percebemos que o futuro do crescimento sustentado passava por descentralizar e robustecer a nossa operação. Este ecossistema traduziu-se num investimento massivo na expansão da nossa capacidade logística e de stock para regiões estratégicas como o Norte (Porto) e o Sul (Algarve). Esta decisão estratégica de criar uma rede ibérica integrada permite-nos capacitar os nossos clientes e equipas com uma proximidade, rapidez e escala que antes eram impensáveis, transformando a Europalco no maior ecossistema de audiovisuais e eventos em Portugal.


PME Mag. – A empresa integra internamente áreas como audiovisual, cenografia, carpintaria e metalomecânica. De que forma esta integração industrial influencia a eficiência, o controlo de custos e a capacidade de resposta a projetos complexos?

A integração destas áreas é uma peça fulcral no nosso modelo de negócio, trabalhando em perfeito equilíbrio com o nosso pilar da inovação. Esta capacidade industrial garante-nos, desde logo, uma enorme eficiência operacional e um controlo de custos rigoroso, uma vez que otimizamos processos e eliminamos a dependência de margens de intermediários, o que se reflete diretamente na proposta de valor que entregamos ao mercado.

“Ao dominarmos internamente toda a cadeia de produção — desde as estruturas físicas à tecnologia —, conseguimos garantir um controlo de qualidade absoluto (…)

O grande impacto desta integração reflete-se na nossa capacidade de resposta a projetos complexos, onde os prazos são habitualmente muito curtos. Ao dominarmos internamente toda a cadeia de produção — desde as estruturas físicas à tecnologia —, conseguimos garantir um controlo de qualidade absoluto e uma agilidade ímpar. Se um projeto exige uma alteração ou uma adaptação de última hora, temos a capacidade de resolver o desafio de forma imediata e integrada, assegurando que o evento avança com total segurança e com o padrão de excelência que o mercado exige da Europalco.


PME Mag. – O setor dos eventos tem vindo a transformar-se rapidamente, com maior exigência tecnológica e experiências imersivas. Que tendências estão a marcar o mercado atualmente e como é que a Europalco se está a posicionar para responder a essa evolução?

Hoje, a grande tendência do mercado é a imersão e a interatividade. O público procura experiências que apelem aos sentidos, onde a vertente visual, o som tridimensional e a cenografia se fundem para criar ambientes únicos. O digital e o físico já não trabalham separados.

“Estamos a falar de ecrãs LED de alta definição com formatos inovadores, sistemas avançados de processamento de vídeo e automação de estruturas”.

A Europalco posiciona-se na vanguarda desta evolução através da atualização constante do seu portefólio tecnológico. Estamos a falar de ecrãs LED de alta definição com formatos inovadores, sistemas avançados de processamento de vídeo e automação de estruturas. O nosso foco está em olhar para as necessidades dos clientes – sejam marcas corporativas ou grandes produções – e disponibilizar a engenharia e a tecnologia necessárias para que as suas ideias ganhem vida com o maior impacto possível, independentemente da dimensão do desafio.


PME Mag. – Que investimentos têm sido prioritários em inovação tecnológica e sustentabilidade? Estas dimensões já são fatores diferenciadores na decisão dos clientes?

Os nossos investimentos tecnológicos prioritários centram-se em novos sistemas de vídeo de grande formato, iluminação de última geração e soluções cenográficas modulares. O objetivo é elevar a fasquia na criação de experiências sensoriais impactantes, integrando tecnologia e arquitetura de eventos.

“Damos uma nova vida ao desperdício: reaproveitamos as madeiras que regressam dos eventos e transformamos as sobras de alcatifas em sacos de boas-vindas para os novos colaboradores”

Na sustentabilidade, o nosso compromisso foca-se no desperdício zero e na economia circular através do reaproveitamento real de materiais. Damos uma nova vida ao desperdício: reaproveitamos as madeiras que regressam dos eventos e transformamos as sobras de alcatifas em sacos de boas-vindas para os novos colaboradores, costurados internamente.

Toda esta conduta é validada pelas nossas certificações: a ISO 20121 (Sustentabilidade em Eventos), a ISO 9001 (Gestão de Qualidade) e os mais exigentes padrões na área da Segurança (ISO 45001).

Estas dimensões são hoje fatores totalmente diferenciadores. Trabalhar com a Europalco dá às marcas e agências a garantia de que os seus eventos cumprem os mais rigorosos padrões internacionais de qualidade, segurança e responsabilidade ecológica, sem nunca comprometer o impacto visual e tecnológico.


PME Mag. – Num setor altamente técnico, como está a Europalco a atrair, formar e reter talento especializado? Existe escassez de competências nesta indústria?

Existe uma clara escassez de competências técnicas especializadas no nosso mercado, uma vez que a velocidade a que a tecnologia de eventos evolui não é acompanhada, ao mesmo ritmo, pela formação académica tradicional.

Na Europalco, lidamos com esta realidade através da Europalco Academy. É muito frequente recebermos profissionais que já trazem algumas bases importantes – sejam de informática, eletrónica, som ou luz -, mas que necessitam de uma especialização muito própria para operar os equipamentos de última geração que temos em carteira. O que fazemos é integrar estas pessoas e dar-lhes a formação complementar e o acompanhamento necessários para que atinjam o nível de excelência que exigimos.

“(…) benefícios que inclui seguro de saúde, prémios de desempenho e iniciativas de wellbeing (como aulas de ioga e meditação)”.

No que diz respeito à atração e retenção, acreditamos que os nossos colaboradores são a chave do nosso sucesso, pelo que investimos fortemente no seu bem-estar. O grande exemplo disso é o ShowCare, um programa de apoio integral que lançámos para os nossos colaboradores e respetivos familiares, que disponibiliza apoio especializado nas áreas psicológica, social, jurídica, financeira e de nutrição. Aliamos isto a uma política de benefícios que inclui seguro de saúde, prémios de desempenho e iniciativas de wellbeing (como aulas de ioga e meditação). Reter talento neste setor exige oferecer estabilidade, progressão na carreira e um ambiente que valorize genuinamente as pessoas.


PME Mag. – Quais são hoje os principais desafios para empresas de produção técnica de eventos, desde a pressão sobre custos até à internacionalização, e que oportunidades identifica para os próximos anos?

O principal desafio imediato é a gestão da pressão inflacionária sobre os custos de operação e matérias-primas. Obriga-nos a uma gestão financeira e logística extremamente rigorosa para mantermos a competitividade sem comprometer a qualidade do serviço.

Por outro lado, a internacionalização continua a ser um vetor desafiante e estimulante. Portugal consolidou-se como um dos destinos preferidos a nível mundial para a realização de grandes congressos e eventos corporativos. O nosso grande desafio, que se traduz na nossa maior oportunidade, é continuar a expandir e capacitar o nosso ecossistema ibérico para dar uma resposta robusta e imediata a estas grandes produtoras internacionais. O futuro passa por consolidar a nossa liderança na Península Ibérica, mostrando que temos a escala, a tecnologia e o talento necessários para competir com qualquer player global.

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