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Banco de Portugal corta previsão para a economia portuguesa e deixa alerta às empresas

Por: Ana Marisa Vieira

O Banco de Portugal reviu em baixa a previsão de crescimento da economia portuguesa para 2026 e estima agora que o PIB avance 1,8% este ano, num sinal de abrandamento que deverá ser sentido também pelas empresas.

No Boletim Económico de março, o banco central antecipa ainda um crescimento de 1,6% em 2027 e de 1,8% em 2028, mas avisa que o contexto externo se deteriorou e que os riscos para a atividade económica se agravaram.

A revisão em baixa para este ano, de 0,5 pontos percentuais face à projeção de dezembro, resulta, sobretudo, do impacto do conflito no Médio Oriente, do aumento dos preços da energia, da perspetiva de condições de financiamento mais exigentes e também dos eventos climáticos extremos registados no início do ano.

Para as empresas, o sinal é claro: a economia portuguesa continua a crescer, mas num ambiente mais instável, com custos sob pressão, maior incerteza e menor margem para erro.


Consumo e investimento continuam a sustentar a economia

Apesar do corte na previsão, o Banco de Portugal considera que a economia nacional continuará a crescer acima da média da zona euro. O principal motor deverá continuar a ser a procura interna, sustentada pelo consumo das famílias e pelo investimento.

A ajudar este desempenho estão fatores como a resiliência do mercado de trabalho, a execução do PRR e uma política orçamental expansionista ao longo de 2026.

Ainda assim, o banco central deixa um aviso importante: este apoio não será eterno. A partir de 2027, o crescimento deverá ser condicionado por um abrandamento da oferta de trabalho e pela redução progressiva dos fundos europeus, dois fatores com impacto direto na capacidade de expansão de muitas empresas.

Emprego continua forte, mas ritmo abranda

No mercado laboral, o cenário mantém-se relativamente favorável. O Banco de Portugal prevê que a taxa de desemprego continue em níveis historicamente baixos, o que ajuda a sustentar o consumo e a estabilidade económica.

No entanto, a criação de emprego deverá perder ritmo, num contexto marcado por menores fluxos migratórios e por um aumento mais moderado da população ativa.

Para as PME, isto significa que a pressão sobre o recrutamento e retenção de talento não deverá desaparecer, sobretudo em setores com maior escassez de mão de obra ou com necessidade de perfis mais qualificados.

Inflação volta a subir e pode pressionar custos

Outro dos sinais deixados pelo Banco de Portugal é o regresso de maior pressão inflacionista. A inflação deverá subir para 2,8% em 2026, impulsionada sobretudo por fatores externos, antes de recuar para 2% em 2028.

Na prática, esta evolução pode traduzir-se em custos operacionais mais elevados, maior pressão sobre margens e mais prudência no consumo, especialmente em setores mais dependentes da energia, da logística ou do financiamento.

O maior risco pode estar dentro de portas

Embora o contexto internacional pese nas contas, o Banco de Portugal identifica também um risco interno relevante: a capacidade de execução do PRR.

Para muitas empresas, sobretudo PME, o aproveitamento dos fundos europeus continua a ser um fator decisivo para acelerar investimento, digitalização, inovação e competitividade. Se a execução falhar, o impacto pode ser sentido na economia real com mais intensidade do que o previsto.

Por outro lado, o banco central admite que a economia portuguesa ainda possa beneficiar de novos estímulos, nomeadamente do PTRR recentemente anunciado e de um eventual reforço do investimento europeu em infraestruturas e defesa.

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