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Barómetro Lusofonia: saúde, educação e desemprego no topo das preocupações da CPLP

Por: Ana Marisa Vieira


O primeiro Barómetro da Lusofonia 2026, promovido pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Politicas e Económicas com apoio institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, traça um retrato das prioridades percebidas pelos cidadãos dos países lusófonos: saúde, educação e desemprego continuam a ser o grande eixo de preocupação, com impacto direto no emprego, no acesso a serviços essenciais e na estabilidade social.

Num contexto de incerteza económica global, inflação persistente em vários mercados e fragilidades estruturais em alguns países da comunidade, o estudo mostra que, para milhões de cidadãos da CPLP, os desafios económicos permanecem inseparáveis da qualidade da saúde, da educação e das oportunidades de trabalho.


Desemprego e pressão económica marcam vários países

O desemprego surge como um dos problemas centrais em vários países, com uma média global de 34%, refletindo a dificuldade em gerar oportunidades sustentáveis e absorver populações jovens em crescimento.

Cabo Verde apresenta o caso mais expressivo com 60% dos inquiridos a apontarem o desemprego como o principal problema nacional, colocando-o acima da saúde e da educação.

Também Angola revela níveis elevados de preocupação com o mercado de trabalho, com 45% a mencionarem o desemprego, num padrão que combina desafios económicos com fortes expectativas de mobilidade social.

Já em Portugal, este indicador é muito mais baixo (9%), sinalizando uma diferença estrutural dentro da CPLP, embora a dependência de serviços públicos continue a marcar o debate interno.

Saúde continua a ser a maior preocupação transversal

É a saúde que lidera o ranking global do estudo, com 53% das menções, surgindo como prioridade dominante na maioria dos países.

Em Portugal, a saúde é apontada por 55% dos inquiridos, refletindo a centralidade do SNS e da resposta dos cuidados públicos.

A Guiné-Bissau regista o valor mais elevado: 85% dos cidadãos identificam a saúde como o principal problema nacional, o dado mais expressivo de todo o barómetro.

 

Educação e competitividade: um desafio comum

A educação surge em segundo lugar na média dos países, com 43%, destacando-se como fator crítico para desenvolvimento económico e inclusão social.

Angola volta a apresentar um valor elevado, com 53%, evidenciando como o investimento em qualificação continua no centro das prioridades nacionais.

Em Timor-Leste, educação (59%), saúde (59%) e desemprego (58%) surgem praticamente empatados, sinalizando um país onde os desafios estruturais são múltiplos e simultâneos.

 

Violência e segurança pesam no Brasil

No Brasil, a dimensão económica cruza-se fortemente com a questão da segurança: a violência surge como segunda maior preocupação nacional, referida por 40%, logo após a saúde (45%).

O estudo sugere que este peso está ligado ao contexto recente de operações policiais, criminalidade urbana e perceção pública de insegurança.


Portugal destaca-se pela imigração como tema emergente

Portugal é o único país analisado onde a imigração surge entre os principais problemas nacionais, com 17% das menções, refletindo um debate crescente no espaço europeu.

Este dado é associado ao aumento expressivo da população migrante residente e ao impacto do tema no discurso político e económico.

 

Infraestruturas essenciais ainda são prioridade em São Tomé

Noutra realidade económica, São Tomé e Príncipe destaca-se por ter como principal preocupação água, energia e saneamento, mencionada por 48% dos inquiridos, de resto, o valor mais elevado entre todos os países neste indicador.

O resultado sublinha como a agenda económica da CPLP inclui ainda, em vários territórios, desafios básicos de desenvolvimento.

O Barómetro da Lusofonia 2026 foi realizado pelo IPESPE – Instituto de Pesquisas Sociais, Politicas e Económicas, com o apoio institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e parceiros como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Fundação Itaú e Universidade de Coimbra.

Foram entrevistadas 5400 pessoas, com metodologia quantitativa híbrida (presencial, telefone e online), junto de população adulta (18+), distribuída por Angola (700), Brasil (1800), Cabo Verde (400), Guiné-Bissau (400), Moçambique (700), Portugal (600), São Tomé e Príncipe (400) e Timor-Leste (400).

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