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Barómetro PME: Como as empresas podem tirar mais partido da formação

Por: Ana Vieira

5º Barómetro PME Magazine
Pilar: Formação
Comentário: Filipe Ferreira, Partner da SFORI e Rita Messias, presidente da direção da APEFOR, Associação Portuguesa de Entidades Formadoras


68,7% dos inquiridos afirmam ter participado em pelo menos uma ação de formação na empresa em 2024

Os resultados do 5º Barómetro PME indicam que os colaboradores acharam as formações técnicas e específicas da profissão, gestão e Inteligência Artificial como as mais úteis às suas funções no local de trabalho.

Filipe Ferreira, Partner da SFORI considera que o investimento em capacitação profissional está presente nas PME e continua a ser valorizado.

No entanto, ressalva que “para que este investimento se traduza em ganhos reais de produtividade, é fundamental garantir que as formações não fiquem confinadas ao papel de cumprimento formal, mas se tornem instrumentos de transformação organizacional e desenvolvimento humano”.

“plano estratégico anual, a aposta em soluções modulares e adaptáveis”

Olhando para os dados, Filipe Ferreira aponta como oportunidades para as PME a integração da formação num plano estratégico anual, a aposta em soluções modulares e adaptáveis, a valorizar da formação como investimento e não apenas como obrigação legal.

Sempre com a premissa de “desenhar programas de capacitação que respeitem as limitações de tempo e orçamento das PME, mas que tragam retorno real na produtividade, inovação e retenção de talento”.

Como eixos prioritários para as pequenas e médias empresas portuguesas, Filipe Ferreira, da SFORI, aponta três: a lógica do ROI (Return Of Investment) da formação, microlearning e ligação entre formação e cultura organizacional.

No eixo medir para melhorar, Filipe Ferreira dá como exemplo o foco dado por países como Alemanha, Países Baixos e Canadá que medem o impacto da formação em quatro níveis — reação, aprendizagem, comportamento e resultados, conseguindo até 25% mais retorno operacional face às que não o fazem.

“microlearning, especialmente úteis para PME com recursos e tempo limitados”

“Estudos da OCDE e da European Training Foundation apontam para a crescente valorização de formatos mais curtos e contínuos de formação, como o microlearning, especialmente úteis para PME com recursos e tempo limitados”, contrariamente a formações longas e pontuais.

“Nos contextos internacionais mais avançados, a formação é encarada como parte de uma cultura organizacional orientada para a aprendizagem, e não como um evento isolado”, conclui Filipe Ferreira.

“produtividade efetiva que poderá trazer a uma organização”

Também Rita Messias, presidente da direção da APEFOR, Associação Portuguesa de Entidades Formadoras acredita que a utilidade de uma formação estará sempre relacionada com a produtividade efetiva que poderá trazer a uma organização.

Por isso, antes de tudo, deve ser realizado um diagnóstico sobre as necessidades do momento, assim como do futuro.

“Este diagnóstico deve incluir a avaliação das competências dos trabalhadores nesse posto, identificando necessidades concretas de desenvolvimento (ex.: competências comportamentais, tecnológicas, operacionais, entre outras)”, (…) podendo ser realizado pela própria empresa ou através de uma entidade formadora certificada”, explica Rita Messias.

“criando contextos próximos da realidade laboral”

A formação deve ser desenvolvida “com base nas necessidades identificadas, definindo de forma clara as competências a atingir”, recorrendo a “simulações práticas, criando contextos próximos da realidade laboral, para treinar competências críticas de desempenho, resolução de problemas e criatividade”.

A presidente da APEFOR destaca ainda a necessidade de garantir uma “abordagem formativa e corretiva, com feedback claro e construtivo sobre os aspetos a melhorar”, cabendo às empresas compreender a formação como “uma aliada na resposta a desafios permanentes, na retenção de talento e na construção de planos de carreira que reduzam a rotatividade e os custos associados à perda de recursos humanos qualificados”.

 

Quase 30% dos inquiridos prefere o formato presencial, 24% online

Filipe Ferreira, da empresa de soluções de formação pessoal e empresarial, destaca o facto do formato presencial manter-se como o preferido, demonstrando “uma tendência para soluções híbridas, com as empresas a reconhecerem o valor do contacto direto, mas também a conveniência do digital”, contudo ressalva o “equilíbrio estratégico” da escolha do formato.

Também os 26% de colaboradores que diz não ter preferência por nenhum formato, “sugere uma abertura crescente à diversidade de formatos, desde que a formação seja relevante e eficaz”, acrescenta o Partner da SFORI.

“Um erro comum é acreditar que o digital substitui o presencial sem perdas”.

Contudo, sublinha Filipe Ferreira, “nenhum dos formatos assegura, por si só, o sucesso da formação. Um erro comum é acreditar que o digital substitui o presencial sem perdas. Na verdade, a ausência de contacto direto, o risco de dispersão e o menor envolvimento emocional são fatores a considerar nas formações online. Por outro lado, o presencial, sendo mais imersivo, pode ser logisticamente mais complexo e menos eficiente em termos de escala”.

O futuro da formação para PME “passa pela personalização e pela combinação inteligente de formatos — o chamado modelo híbrido. Para tal, é necessário que os decisores internos desenvolvam competências na gestão estratégica da aprendizagem, tratem a formação como investimento e não como custo, valorizando a sua integração nos processos do dia a dia”, passando “da formação reativa à aprendizagem estratégica e contínua”.

“perfil dos formandos (…) e os objetivos de aprendizagem a atingir”

Rita Messias, presidente da APEFOR, considera que a escolha do formato deve ter sempre em conta dois fatores: o perfil dos formandos e nível das competências digitais e os objetivos de aprendizagem a atingir.

Outra opção a considerar é o formato híbrido (b-learning), que combina sessões presenciais com sessões online.

Assim, tendo em conta as características de cada formato e o seu destinatário, devem ficar claras as vantagens e limitações.

Para Rita Messias “nenhum é superior por si só”, já que a qualidade da formação dependerá sempre do “ajustamento às necessidades identificadas, clareza nos objetivos, qualidade das atividades e métodos utilizados e preparação e desempenho do formador ou e-tutor”.

 

 

 

Ficha técnica 5º Barómetro PME Magazine:

Estudo quantitativo, com recurso a um inquérito online, enviado para as bases de dados da PME Magazine, Iberinform e da More Results (178 242 empresas).  

A amostra foi recolhida entre os dias 20 de janeiro e 28 de março de 2025, tendo sido recolhidos 214 questionários válidos com a seguinte distribuição: 130 micro empresas, 57 pequenas empresas e 27 médias empresas. 

Para um grau de confiança de 95%, a dimensão desta amostra representa uma margem de erro de ± _6,84%. A recolha da informação foi da responsabilidade da More Results. 

 

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