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Barómetro PME: Empresas aceleram nas vendas, mas talento continua a travar o crescimento 

Por: Ana Marisa Vieira


A primeira vaga do Barómetro PME Magazine 2026 revela um tecido empresarial mais confiante, com evolução positiva das vendas, exportações e comércio online. Contudo, apesar da melhoria dos indicadores económicos e da maior estabilidade financeira, a capacidade de atrair talento continua a ser um dos principais constrangimentos ao crescimento das empresas. 

A 1.ª vaga do Barómetro PME Magazine 2026, com dados recolhidos nos meses de maio e junho, traça um retrato globalmente positivo das pequenas e médias empresas portuguesas, mas evidencia também alguns desafios estruturais.  

O estudo, que vai já na 6.ª edição, reuniu 388 respostas válidas e permite comparar os resultados com a edição de 2025. 

Importa olhar para a amostra que este ano apresenta um maior peso de empresas de maior dimensão: as microempresas representam 51%, as pequenas empresas 33,8% e as médias 15,2%. Metade das empresas inquiridas está sediada na Área Metropolitana de Lisboa. 

 

Vendas, exportações e comércio online em alta 

O contexto empresarial surge marcado por uma evolução positiva. 66,8% das empresas afirmam ter aumentado as vendas, enquanto 37,4% exportam e 31,7% vendem online. São, nos três casos, resultados que apontam para uma evolução favorável face às edições anteriores. 

A internacionalização e o comércio digital ganham, assim, expressão no tecido empresarial, embora a dimensão das empresas continue a condicionar o grau de adoção destes canais. 

 

Mais estabilidade financeira, mas investimento ainda condicionado 

Também a situação financeira apresenta sinais positivos. 39,7% das empresas classificam a sua situação financeira como boa ou muito boa, enquanto 21,9% admitem vir a recorrer a financiamento nos próximos seis meses. 

O retrato sugere uma maior estabilidade financeira e uma maior abertura a novas oportunidades de crescimento, mas o acesso a financiamento continua a ser uma variável relevante para as decisões das empresas.
 

Emprego estabiliza, mas contratação é seletiva 

A evolução positiva das empresas não se traduz, contudo, num aumento generalizado das equipas. 53,7% das empresas mantiveram o número de colaboradores e 25,8% aumentaram-no. Em sentido contrário, 10,6% reduziram pessoal. 

Para o próximo trimestre, 44,1% admitem contratar, sinalizando uma procura de talento que permanece ativa, mas seletiva. 

É precisamente aqui que surge um dos principais alertas do Barómetro: 47,7% das empresas classificam a dificuldade em atrair talento com 4 ou 5 numa escala de 5. Nas pequenas empresas, esse valor sobe para 58%. Apenas 19,6% reportam pouca ou nenhuma dificuldade. 

O problema parece, por isso, ultrapassar a simples decisão de contratar. A capacidade de atrair, captar e reter os perfis necessários surge como um constrangimento estrutural à capacidade de crescimento das PME. 

 

Digitalização avança, mas de forma desigual 

A digitalização e a internacionalização apresentam sinais de progresso, embora com diferenças significativas entre empresas. As médias e pequenas empresas mostram maior presença nos mercados externos, enquanto o peso do e-commerce continua a ser mais expressivo entre empresas de maior dimensão. 

O Barómetro identifica, assim, uma trajetória de evolução, mas ainda sem uma maturidade homogénea na utilização dos canais digitais e internacionais. 

 

Marketing continua prudente 

No marketing, a postura das empresas permanece mais contida. 10% do orçamento é, no máximo, o valor destinado ao marketing pela maioria das empresas, enquanto apenas 12,9% consideram bom ou elevado o retorno do investimento realizado. 

Os dados sugerem uma abordagem ainda prudente e controlada ao investimento em marketing, apesar do potencial que estas ferramentas podem representar para vendas, exportação e comércio eletrónico. 

 

 

Ficha técnica_6.ª edição do Barómetro PME Magazine 

O Barómetro PME Magazine 2026 – Estudo Anual 1ª vaga foi realizado pela More Results para a PME Magazine, com a recolha de dados a decorrer entre os dias 13 de maio e 30 de junho de 2026, através de inquérito eletrónico online enviado para as bases de dados da PME Magazine, Iberinform, More results, PWN Lisbon, CPPME – Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas, SFORI – Empresa de desenvolvimento e consultoria estratégica e de recursos humanos, ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão, APEGAC – Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios, Parque Tecnológico de Óbidos e World Trade Center. O universo do estudo é constituído por 230 381 micro, pequenas e médias empresas a operar no mercado português. A amostra final fixou-se em 388 respostas válidas, o que reflete uma margem de erro máxima de ±4,97% para um grau de confiança estatística de 95%. No que respeita à tipologia do tecido empresarial respondente, a amostra distribui-se por 198 microempresas (51,0%), 131 pequenas empresas (33,8%) e 59 médias empresas (15,2%). 

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