Quarta-feira, Julho 15, 2026
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Barómetro PME: Empresas com menos apoios e mais riscos financeiros em 2025

Por: Ana Vieira

5º Barómetro PME Magazine
Pilar: Finanças
Comentário: Nuno Marçal Moita, diretor Iberinform Internacional Sucursal em Portugal

 

O número de empresas que recorre a apoios financeiros em 2025 (34%) manteve-se praticamente inalterado comparando com 2024 (36%).

A necessidade que as PME inquiridas sentiram de recorrer a apoios mantém a tendência de descida registada desde 2022, sendo nesta edição de 34%.

Os financiamentos do Estado são os únicos apoios a que as empresas recorreram que descem em relação à edição anterior, e o apoio à retoma e layoff simplificado não são referidos por nenhuma empresa.

Apoios Financeiros
Em 2024 a sua empresa recorreu a apoios financeiros? (5º Barómetro PME Magazine)

 

Para Nuno Marçal Moita, diretor Iberinform Internacional Sucursal em Portugal, o financiamento é essencial para as “empresas investirem, com o objetivo de introduzir maiores fatores de competitividade, se expandirem e chegar a outros patamares e novos, mas também e em muitos casos, para terem recursos que lhes garantam a capacidade de dar continuidade à sua atividade de curto prazo. Outros fatores a considerar são também a atividade da empresa e o seu ciclo operacional”.

Devido à sua dimensão, “as grandes Empresas, por outro lado, representam menos de 1% do total, mas contribuem com mais de 40% do total do negócio gerado e têm outra capacidade de investimento e de acesso a fontes de financiamento”.

Com mais alternativas de financiamento à disposição dos empresários, Nuno Marçal Moita aponta “o Factoring, o acesso a financiamento com base na antecipação de receitas, os capitais de risco, o crowdfunding, mas também os Fundos Europeus e programas de Apoio do Estado”.


Continua a observar-se algum desfasamento entre os prazos de pagamento e de recebimento. 22% recebem a 60 dias ou mais, enquanto apenas 7,9% pagam com esse prazo.

Nesta edição, continua a observar-se algum desfasamento entre os prazos de pagamento e de recebimento, com cerca de 42% dos fluxos a estarem alinhados (pagamento recebimento com o mesmo prazo).

Este alinhamento parcial contribui para alguma estabilidade de tesouraria, mas o facto de 22% receberem a 60 dias ou mais, enquanto apenas 7,9% pagam com esse prazo, pode gerar alguma pressão no fluxo de caixa.

Nuno Marçal Moita, diretor Iberinform Portugal, classifica a situação como um “problema à escala global” e recorda vários estudos publicados que o comprovam. “Os atrasos dos pagamentos continuam a ser um forte travão à estabilidade financeira, especialmente para as PME. Um desses estudos por exemplo, dá nota que, em média, 11% das receitas são pagas com atraso e 35% dos gestores sentem que não existiram mudanças de fundo neste comportamento, e que se mantém ao nível do período da pandemia COVID 19”.

“Embora todas as empresas sejam afetadas pelos atrasos nos pagamentos, as PME, de uma forma geral, estão mais expostas às repercussões dos atrasos, já que, em muitos casos, trabalham com margens mais reduzidas, e de maiores restrições de cash-flow para cobrir os custos operacionais da sua atividade”, considera Nuno Marçal Moita.

“Os atrasos nos pagamentos podem rapidamente traduzir-se em fatores de instabilidade financeira, criando um efeito dominó, com consequências negativas, e no limite colocando em causa, a sobrevivência das empresas”, conclui.

 

Apenas 16,5% das empresas utilizam ferramentas de gestão de risco, uma diminuição face a 2024 (20,4%). Os riscos financeiros e de tesouraria aparecem no topo das preocupações.

Entre as ferramentas de gestão de risco mais usadas destacam-se os relatórios de empresas (70,4%) e os ratings/credit scoring (44,4%), ambos com tendência crescente. Por outro lado, há uma quebra significativa na utilização de seguros de crédito e factoring, agora usados por apenas 14,8% das empresas.

As ferramentas de business intelligence e as fontes públicas mantêm uma presença residual, mostrando que ainda há margem para maior sofisticação na gestão de risco empresarial. O principal motivo apontado para a não utilização destas ferramentas é o desconhecimento (43,8%).

Mas porque será que a adoção de ferramentas de gestão de risco está a diminuir, mesmo com os riscos financeiros e de tesouraria a aumentar?

Nuno Marçal Moita, diretor Iberinform Internacional Sucursal em Portugal não tem dúvidas da importância da utilização destas ferramentas. “Se sempre foi importante a gestão de risco, na vida das empresas, atualmente, num cenário com inúmeros fatores de instabilidade, e em constante mudança, é vital para a estabilidade e o crescimento sustentável de qualquer empresa, a utilização destas ferramentas, para uma avaliação cuidadosa e documentada do risco”.

“No universo financeiro, o risco de crédito é uma variável capital a ser considerada em qualquer transação. Nessa perspetiva, entender, controlar e gerir esse risco é essencial para a estabilidade de qualquer empresa que venda a crédito. Nesse contexto, é fundamental, a utilização de ferramentas de apoio à decisão, com informação e dados relevantes atualizados, histórico e evolução financeira, dos nossos parceiros de negócio”, considera.

“A informação, e os dados, são cada vez mais um fator diferenciador e de valor acrescentado para as empresas”, defende o diretor da Iberinform Portugal, dando o exemplo da ferramenta Insight View, permitindo “analisar a situação financeira de clientes e fornecedores, identificar novas oportunidades de negócios e minimizar riscos de incumprimentos, facilitando a tomada de decisões”.

 

 

 

Ficha técnica 5º Barómetro PME Magazine:

Estudo quantitativo, com recurso a um inquérito online, enviado para as bases de dados da PME Magazine, Iberinform e da More Results (178 242 empresas).  

A amostra foi recolhida entre os dias 20 de janeiro e 28 de março de 2025, tendo sido recolhidos 214 questionários válidos com a seguinte distribuição: 130 micro empresas, 57 pequenas empresas e 27 médias empresas. 

Para um grau de confiança de 95%, a dimensão desta amostra representa uma margem de erro de ± _6,84%. A recolha da informação foi da responsabilidade da More Results. 

 

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