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Barómetro PME: Sustentabilidade perde fôlego em 2025

Por: Ana Vieira


5º Barómetro PME Magazine
Pilar:
Sustentabilidade
Comentários:
Ricardo Lopes Ferro, vogal da direção da Associação Portuguesa de Ética Empresarial (APEE) e João Duque, economista e presidente do ISEG – Lisbon School of Economics and Management

 

O pilar da sustentabilidade surge como um dos desafios para 2025 com menor expressão (29,9%), contrariamente à atenção que recebia em 2024 (53,7%).

Gráfico sobre os desafios das PME
Quais considera ser os principais desafios na gestão de empresas em 2025? (5º Barómetro PME Magazine)


Números que podem refletir por um lado, um ajuste nas prioridades por parte das empresas, ou por outro, uma maior integração do tema na gestão corrente.

Ricardo Lopes Ferro, vogal da direção da Associação Portuguesa de Ética Empresarial (APEE) considera que a transformação sustentável nas PME portuguesas ainda se encontra numa fase inicial e desigual.

No entanto, “a crescente profissionalização da gestão e o uso de ferramentas externas são indicadores promissores de que o desenvolvimento sustentável poderá tornar-se parte integrante dos seus modelos de negócio, desde que existam condições propícias à sua implementação”.

21% das PME inquiridas usa modelos de gestão estratégicos e 30% usa modelos operacionais.

Para Ricardo Lopes Ferro, da APEE, a escolha das PME inquiridas na preferência pela utilização do modelo SWOT (24,4%) deve-se à sua “simplicidade e eficácia na identificação de contextos internos e externos”, já o OKR (17,8%) justifica-se pela sua “utilidade na definição de objetivos mensuráveis e foco organizacional”.

“A preferência por frameworks consagradas indica maior consciência estratégica (…)”

Um aumento que “sugere uma evolução para métodos mais estruturados e reconhecidos, substituindo gradualmente os procedimentos internos. A preferência por frameworks consagradas indica maior consciência estratégica e um movimento para práticas de gestão mais maduras”.

Quanto aos modelos operacionais usados, que passaram em 2025 para 30%, e mesmo com quase a maioria das PME a preferir métodos internos, a escolha dos externos significa, para Ricardo Lopes Ferro, que “está em curso uma transição para digitalização e integração operacional, essencial para a escalabilidade e controlo eficaz do negócio”.

Já o economista João Duque considera que a escolha destes modelos é muitas vezes propiciada por “modas” ou “porque muitas vezes, muitas destas empresas, mesmo pequeninas, quando vão pedir financiamento, a própria banca lhes pede um business model, um modelo de negócio”.
 
Contudo, ressalva a importância do uso destes modelos empresariais, desde que medidos com Key Performance Indicators reais.
 

 

Em 2025 apenas 32% das PME inquiridas refere ter processos de qualidade/certificações para a sustentabilidade do Negócio.

“Apesar de a ISO 9001 manter alguma relevância (11,7% em 2025), outras certificações, como PME Líder ou DGERT, perdem expressão”, nota o representante da APEE, que aponta como razões previsíveis para esta descida os “custos e complexidade dos processos de certificação, a mudança de prioridades (foco em tecnologia e sobrevivência económica) ou a perceção de menor retorno imediato”.

 

A proporção das PME que conhece, mede e possui planos sobre o seu impacto ambiental caiu de 41% (2024) para 37% (2025).

Perante os dados recolhidos pelo Barómetro PME, Ricardo Lopes Ferro considera que a sustentabilidade é um pilar estratégico tanto para o desenvolvimento empresarial, como para a resiliência das PME.

“As empresas que adotam práticas sustentáveis reduzem custos”

Assim, “ignorar o impacto ambiental compromete não só o futuro do planeta, mas também a competitividade empresarial, cada vez mais ligada a critérios ESG (ambientais, sociais e de governance). As empresas que adotam práticas sustentáveis reduzem custos, otimizam processos e estarão mais preparadas para aceder a mercados exigentes, financiamento verde e cadeias de valor internacionais”.

Na sua apreciação, este declínio sugere uma redução da urgência sentida face à emergência climática (apenas 15,9% sentem pressão em 2025), uma desvalorização progressiva da sustentabilidade ambiental como fator de competitividade, assim como a falta de recursos técnicos e financeiros para integrar práticas sustentáveis.

Mas embora os desafios apontados, o vogal da direção da Associação Portuguesa de Ética Empresarial (APEE) destaca sinais positivos como o crescimento na adoção de frameworks estratégicas (SWOT, OKR) e ferramentas operacionais digitais (ERP, CRM), o que denota maior capacidade de planeamento e controlo. Uma maturidade de gestão, que defende o responsável, é “uma base sólida para integrar práticas de sustentabilidade de forma mais estruturada e eficaz no futuro.

Perante o declínio das certificações e planos ambientais, alerta para a “necessidade de apoio técnico e incentivo político, que estimule as PME a alinhar a sua performance económica com objetivos sustentáveis”.

Já João Duque, economista e presidente do ISEG – Lisbon School of Economics and Management, considera que o tema está “muito consolidado, pelo menos na sua verbalização”, mas que na prática muitas empresas acabam por não medir os resultados atingidos.

“A pergunta é, por exemplo, se está inserido nos KPIs, nomeadamente de atingimento
dos objetivos da administração ou da gestão, ou das pessoas? E depois, se há uma medida que é independente e que é quantificável?”, como forma real de perceber o caminho sustentável da empresa.

 

 

Ficha técnica 5º Barómetro PME Magazine:

Estudo quantitativo, com recurso a um inquérito online, enviado para as bases de dados da PME Magazine, Iberinform e da More Results (178 242 empresas).  

A amostra foi recolhida entre os dias 20 de janeiro e 28 de março de 2025, tendo sido recolhidos 214 questionários válidos com a seguinte distribuição: 130 micro empresas, 57 pequenas empresas e 27 médias empresas. 

Para um grau de confiança de 95%, a dimensão desta amostra representa uma margem de erro de ± _6,84%. A recolha da informação foi da responsabilidade da More Results. 

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