InícioPME ExplicaBEFIT: o novo quadro europeu de tributação das empresas

BEFIT: o novo quadro europeu de tributação das empresas

Por: Helena Schlindwein 


O Business in Europe: Framework for Taxation (BEFIT) é uma proposta da Comissão Europeia que pretende transformar a forma como as empresas são tributadas na União Europeia. Trata-se de um modelo comum para calcular os resultados tributáveis de grupos empresariais que operam em vários Estados-Membros.

Neste artigo, explicamos em que consiste o BEFIT, como irá funcionar, quem será abrangido e quais os principais fatores a considerar para as empresas que atuam no mercado europeu.

 

Pontos-chave:

  • O BEFIT cria um sistema comum de cálculo do imposto sobre as sociedades na UE.
  • Permite consolidar lucros e prejuízos entre diferentes países.
  • Pode reduzir até 65% dos custos de cumprimento fiscal das empresas.

 

O que é o BEFIT?

O BEFIT é um novo quadro legislativo europeu que visa harmonizar as regras de tributação das empresas. Atualmente, as empresas que operam em vários países da UE enfrentam até 27 sistemas fiscais diferentes, o que aumenta a complexidade e os custos.

Inspirado nas reformas internacionais lideradas pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) e pelo G20, especialmente o chamado “Pilar Dois”, o BEFIT procura adaptar a tributação às realidades da economia moderna, incluindo a digitalização.

 

Como funciona o BEFIT?

O funcionamento do BEFIT baseia-se em três pilares principais:

  • Cálculo comum: Todas as empresas de um grupo aplicam as mesmas regras para determinar a sua base tributável, com base nas suas demonstrações financeiras.
  • Consolidação: Os resultados de todas as entidades são agregados numa única base tributável europeia, permitindo compensar automaticamente prejuízos e lucros entre países.
  • Distribuição: A base tributável é distribuída entre os Estados-Membros com base na média dos resultados dos últimos três anos.

Depois dessa distribuição, cada país mantém a sua soberania fiscal, podendo aplicar a sua própria taxa de imposto sobre as sociedades.

Uma equipa conjunta de autoridades fiscais, a chamada “equipa BEFIT”, será responsável por validar os dados e assegurar a aplicação uniforme das regras.

 

Quem está abrangido pelo BEFIT?

O BEFIT será obrigatório para:

  • Grupos empresariais com receitas anuais superiores a 750 milhões de euros.
  • Grupos sediados fora da UE, desde que tenham atividade significativa dentro da União.

Empresas mais pequenas podem aderir voluntariamente, desde que tenham demonstrações financeiras consolidadas, uma opção particularmente relevante para PME com atividade internacional.

 

Vantagens do BEFIT:

A principal vantagem do BEFIT é a simplificação do sistema fiscal europeu:

  • Redução significativa dos custos administrativos (até 65%);
  • Maior previsibilidade fiscal;
  • Condições de concorrência mais equilibradas entre empresas;
  • Incentivo ao investimento transfronteiriço.

Além disso, o modelo facilita a gestão fiscal para empresas multinacionais, eliminando a necessidade de lidar com múltiplos sistemas fiscais distintos.

 

Desafios e críticas:

Apesar dos benefícios, o BEFIT também levanta algumas questões:

  • Alguns Estados-Membros receiam perda de autonomia fiscal;
  • Há dúvidas sobre o grau real de simplificação;
  • O Parlamento Europeu sugere melhorias, como a inclusão do conceito de “presença económica significativa”, inspirado no Pilar Um da OCDE.

 

Próximos passos

Para entrar em vigor, a proposta precisa de aprovação unânime no Conselho da União Europeia, após consulta ao Parlamento Europeu.

As negociações continuam em curso, e o resultado final poderá incluir ajustes importantes ao modelo atual.

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