Quinta-feira, Julho 16, 2026
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Central de Cervejas e Bebidas investe 33,5 milhões de euros na descarbonização

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

 

A cervejaria portuguesa, que detém marcas como a Sagres, adquiriu uma bomba de calor no valor de 33,5 milhões de euros que permitirá reduzir em 50% as emissões de dióxido de carbono associadas à produção de cerveja. A bomba de calor, desenvolvida em parceria com a Siemens Portugal, foi inaugurada no passado dia 15 de junho, na cervejeira em Vialonga. 

A tecnologia adquirida pela empresa portuguesa consiste num sistema de recuperação de energia baseado numa bomba de calor, contribuindo para reduzir para metade as emissões de CO₂ associadas à utilização de energia térmica. Este tipo de energia representa cerca de dois terços da energia total consumida nas operações da empresa, o que significa uma poupança equivalente a 7.381 toneladas por ano.  

A aquisição desta tecnologia por parte cervejaria de Vialonga foi cofinanciada parcialmente pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em 8.8 milhões de euros. O evento de inauguração, que decorreu esta segunda-feira, dia 15 de junho, contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Energia em Portugal, Jean Barroca. 

Segundo a empresa, esta solução assinala um marco importante na transição da energia térmica, que é uma das áreas mais desafiantes de descarbonizar na indústria da cervejeira.

“Na Central de Cervejas e Bebidas, queremos liderar e acelerar a descarbonização da indústria cervejeira, apoiando as ambições globais da HEINEKEN e mostrando que é possível conciliar crescimento económico, inovação industrial e sustentabilidade”, declara, em comunicado, Julien Haex, diretor-geral da Central de Cervejas e Bebidas.

“Este projeto é um exemplo concreto dessa visão: resulta da colaboração entre parceiros de excelência e com elevada experiência, de investimento próprio privado com apoio das políticas públicas e da determinação das nossas equipas”, acrescenta ainda.

Pessoas renuídas à volta da bomba de calor no evento de inauguração
Inauguração da bomba de calor na Central de Cervejas e Bebidas, em Vialonga (Foto Divulgação)

Como funciona a bomba de calor?

Atualmente, a energia térmica, utilizada pela empresa nas várias etapas de produção da cerveja e de transformação da cevada em malte, é maioritariamente obtida a partir de gás natural. A bomba de calor agora adquirida irá gerar energia térmica ao recuperar o calor excedente proveniente dos processos de refrigeração e utilizando eletricidade produzida a partir de fontes renováveis, como a solar e a eólica. 

A energia térmica resultante desse processo será distribuída através de um circuito de água quente, substituindo parcialmente o vapor gerado pelas caldeiras a gás natural. Estimam-se ganhos de eficiência energética na ordem dos 39%, face ao início do projeto. 

“Este projeto com a Central de Cervejas e Bebidas é um exemplo de tecnologia com propósito. No coração da solução está uma Bomba de Calor de alta temperatura de 6 megawatts – uma das primeiras a esta escala em Portugal – que recupera energia antes desperdiçada”, esclarece, em comunicado, Sofia Tenreiro, CEO da Siemens em Portugal, empresa que participou no desenvolvimento desta tecnologia. 

“Isto só foi possível graças a uma parceria entre duas empresas que combinam conhecimento industrial e tecnológico e partilham a mesma visão de que a inovação e a tecnologia são o caminho mais eficaz para uma indústria mais sustentável, mais eficiente e mais competitiva”, ressalta ainda Sofia Tenreiro.

135 milhões para a sustentabilidade

O investimento de 33,5 milhões agora realizado pela Central de Cervejas e Bebidas insere-se nos 135 milhões de euros já investidos pela empresa, ao longo da última década, em soluções para cumprir a transição energética das suas operações. 

Foi em 2017 que a empresa deu início à sua Jornada de Descarbonização na produção até 2030, com a implementação de medidas de eficiência energética, nomeadamente com a instalação de painéis solares nas suas unidades de produção, reduzindo os consumos de referência. Desde 2024 que as operações da empresa são alimentadas por eletricidade 100% renovável. 

Agora, o capital investido na bomba de calor, segundo a Central de Cervejas e Bebidas, assinala um dos marcos mais importantes na transição da energia térmica para fontes renováveis. Este projeto, destaca ainda a empresa em comunicado, está alinhado com os objetivos da política climática do Governo português, ao contribuir para a redução de emissões de gases com efeito de estufa, para o aumento da eficiência energética e para acelerar a transição para energias renováveis. 

“Durante demasiado tempo, ouvimos dizer que era preciso escolher entre produzir mais e poluir menos, mas projetos como este mostram precisamente o contrário. Quando a sustentabilidade e a competitividade caminham lado a lado, é possível reduzir a dependência energética do exterior, criar valor para a economia e reforçar a capacidade do país para decidir o seu próprio futuro”, salienta Jean Barroca, secretário de Estado Adjunto e da Energia em Portugal, que marcou presença nesta inauguração.

Evento de inauguração na Central de Cervejas e Bebidas, em Vialonga (Foto Divulgação)

A descarbonização continua

A Central de Cervejas e Bebidas adianta ainda que, em 2028, as emissões remanescentes ligadas às necessidades de energia térmica serão reduzidas com recurso a uma bateria térmica. 

Esta bateria armazena eletricidade renovável sob a forma de calor de alta temperatura, fornecendo vapor livre de emissões de carbono, e será carregada com energia renovável. O projeto terá por base uma parceria tecnológica com a EDP e a Rondo Energy, já anunciada em novembro de 2025. 

Ao atingir a neutralidade carbónica na produção até 2030, a Cervejeira de Vialonga passará a produzir cerveja com energia 100% renovável, tendo em vista a meta de descarbonização de toda a sua cadeia de valor até 2040.

“Mais do que reduzir emissões, estamos a reinventar a forma como produzimos, tornando a nossa operação mais eficiente, resiliente e preparada para os desafios do futuro”, remata Julien Haex, diretor-geral da Central de Cervejas e Bebidas.

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