CPPME acusa Governo de excluir empresas afetadas por tempestades de apoio à manutenção do emprego

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Jorge Pisco, presidente da CPPME (Foto: Divulgaçáo)

Por: Ana Marisa Vieira


A CPPME – Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas acusa o Governo de ter alterado os pressupostos de acesso ao apoio à manutenção dos postos de trabalho anunciado na sequência dos prejuízos provocados pelas tempestades, deixando de fora empresas que viram a sua atividade cancelada devido a danos sofridos por terceiros.

Segundo a confederação, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) está a comunicar a empresas com candidaturas já submetidas que, afinal, não serão contempladas pela medida, contrariando o que tinha sido inicialmente anunciado.

Em causa estão situações em que empresas, apesar de não terem sofrido danos diretos nas suas instalações, ficaram impedidas de prestar serviços ou manter atividade devido aos efeitos da intempérie noutras entidades, clientes ou infraestruturas essenciais ao seu funcionamento.

Num comunicado enviado esta quarta-feira, a CPPME critica o que considera ser uma discrepância entre o discurso político e a aplicação concreta dos apoios, acusando o Governo de falhar no apoio a empresas que continuam a tentar recuperar da quebra de atividade e manter os postos de trabalho.

“Entre as palavras e a ação, a CPPME insta o Governo a um comportamento sério na relação com quem sofreu e sofre para reerguer o seu negócio e tudo tenta fazer para manter os postos de trabalho, que representam sustento para milhares de famílias”, refere a organização.

A confederação alerta que a exclusão destas empresas dos apoios poderá agravar ainda mais a fragilidade de muitos negócios afetados pelas condições meteorológicas adversas, sobretudo entre micro, pequenas e médias empresas com menor capacidade financeira para absorver quebras de faturação ou interrupções operacionais.

Na mesma nota, a CPPME volta a insistir na necessidade de avançar com um conjunto mais amplo de medidas de apoio ao tecido empresarial, recordando as propostas apresentadas no webinar realizado a 11 de fevereiro para analisar o impacto das tempestades na atividade económica.

Entre as soluções defendidas pela organização estão o alargamento das subvenções diretas a mais setores, a criação de apoios a fundo perdido para compensar perdas de faturação e reposição de stocks, a ativação de mecanismos de recuperação da capacidade produtiva, a extensão de moratórias fiscais e financeiras e o reforço do lay-off simplificado.

A CPPME propõe ainda a criação de um fundo de emergência para reparações rápidas em instalações e equipamentos essenciais, bem como apoios específicos para empresas que recorreram a geradores para manter a atividade, incluindo comparticipação nos custos com combustível ou aluguer de equipamento.

A organização defende que as medidas devem ser aplicadas com maior rapidez e coerência, de forma a responder à realidade das empresas afetadas e evitar que a calamidade se traduza numa perda permanente de atividade económica e emprego.

 

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