Quinta-feira, Julho 16, 2026
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Custos mais baixos, decisões mais rápidas: o impacto da IA na Navigator

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

“Sempre que conseguimos otimizar processos, seja na utilização de matérias-primas, energia ou outros fatores produtivos, seja nas atividades de suporte ao negócio, estamos simultaneamente a reduzir custos, a aumentar eficiência e a diminuir o impacto ambiental.” Esta é uma das principais conclusões de Pedro Matos Silva, responsável pela direção de tecnologia digital da Navigator, em declarações à PME Magazine, a propósito de um estudo de caso desenvolvido pela LTPlabs sobre como a inteligência artificial está a ganhar espaço e a transformar o planeamento empresarial. 

A Navigator tem sido apontada, pela LTPlabs, como um dos casos mais avançados de transformação digital na indústria portuguesa. A colaboração entre as duas empresas no desenvolvimento de soluções tem “contribuido para acelerar o desenvolvimento de soluções com impacto real no negócio”, segundo Pedro Matos Silva. O empresário, em conjunto com Horácio Neri, Head of AI for Customer and Sales da LTPlabs, revelaram à PME Magazine alguns dos principais impactos positivos da adoção de ferramentas de IA, bem como os desafios impostos às organizações neste processo. 

“O impacto da Inteligência artificial na Navigator tornou-se claro à medida que aumentou a complexidade do negócio e a necessidade de tomar decisões mais rápidas e integradas”, explica Pedro Matos Silva. Segundo o empresário, a introdução das ferramentas de IA no planeamento empresarial consistiu numa evolução natural do percurso de transformação digital da empresa, contribuindo para diferenciar o seu modelo de negócio.

Formas de utilização da IA 

“À medida que consolidámos dados e processos, tornou-se evidente que o passo seguinte era utilizar analítica avançada para melhorar decisões críticas”, esclarece Pedro Matos Silva, indicando que as áreas prioritárias na introdução de IA foram o controlo de processos, o planeamento da produção, a logística e o suporte à decisão comercial. 

Na prática, a inteligência artificial é aplicada pela Navigator em sistemas de controlo avançado de processo, permitindo otimizar parâmetros em tempo real, reduzir consumos de matérias-primas e aumentar a eficiência e a produtividade dos ativos industriais. Paralelamente, é utilizada em ferramentas de previsão de procura e planeamento automático, melhorando a coordenação ao longo da cadeia de valor. 

“O impacto traduz-se numa melhoria consistente da qualidade das decisões e numa operação mais estável, eficiente e suportada por dados”, defende o responsável pela direção de tecnologia digital da Navigator. 

Mais IA significa mais sustentabilidade?

“A sustentabilidade e a eficiência operacional estão profundamente ligadas, porque qualquer melhoria na forma como utilizamos os recursos contribui diretamente para ambos os objetivos”, afirma Pedro Matos Silva, defendendo que uma maior qualidade nas decisões de planeamento permite reduzir o desperdício. 

Para Horácio Neri, Head of AI for Customer and Sales da LTPlabs, a conclusão é a mesma. “No contexto industrial, a otimização de sequências de produção pode reduzir mudanças desnecessárias de setup, diminuindo perdas de matéria-prima e consumo energético. Um planeamento mais robusto permite reduzir inventários excessivos, o que diminui risco de obsolescência, necessidade de armazenamento e desperdício associado. Da mesma forma, uma melhor coordenação entre procura, produção e abastecimento contribui para reduzir movimentações desnecessárias e utilização ineficiente de recursos”, salienta o empresário da LTPlabs à PME Magazine.

“Um dos benefícios menos visíveis é a capacidade de avaliar rapidamente diferentes cenários antes de comprometer recursos. Isso permite testar alternativas, antecipar riscos e tomar decisões mais robustas, tanto do ponto de vista económico como ambiental”, acrescenta ainda Horácio Neri.

Desafios e erros cometidos pelas PME

Para além dos ganhos significativos da adoção de IA no planeamento empresarial, são identificados desafios que vão além da tecnologia. “Os dados necessários para suportar uma decisão encontram-se frequentemente distribuídos por diferentes sistemas, equipas e processos, dificultando a construção de uma visão integrada”, refere Horácio Neri, destacando a dispersão da informação como um dos principais obstáculos neste processo. 

Em seguida, o empresário da LTPlabs sublinha ainda a maturidade dos processos de decisão. “Em muitas organizações, decisões críticas continuam muito dependentes da experiência individual de determinadas pessoas. Esse conhecimento é extremamente valioso, mas nem sempre está formalizado de forma que possa ser complementado por sistemas analíticos”.

Um dos erros principais que ambos os empresários apontam às PME é o investimento em ferramentas de inteligência artificial antes da identificação dos problemas que é necessário resolver. A experiência da Navigator e da LTPlabs mostra que os projetos com mais resultados começam precisamente ao contrário. 

“As iniciativas com maior impacto são aquelas que partem de uma decisão concreta que se pretende melhorar, e não da vontade de experimentar determinada tecnologia”, defende Pedro Matos Silva. 

“Em muitos casos, as organizações começaram por perguntar ‘como podemos usar esta tecnologia?’, quando a questão mais relevante deveria ser ‘que problema estamos a tentar resolver?’”, começa por dizer Horácio Neri.  “Quando o foco está na decisão de negócio, seja ela melhorar decisões de planeamento da produção, decisões de compra de matérias-primas ou decisões de alocação de inventário, torna-se muito mais fácil identificar a abordagem analítica mais adequada”, acrescenta. 

Já o responsável pela direção de tecnologia digital da Navigator destaca que outro ponto crítico é a adoção. “Implementar modelos é apenas uma parte do desafio: garantir que as equipas confiam e utilizam essas recomendações é o que realmente determina o sucesso”, sublinha. 

Horácio Neri da LTPlabs partilha da mesma visão e adiciona: “A implementação de um modelo é apenas uma parte do projeto. Garantir que as pessoas compreendem as recomendações, confiam nelas e as incorporam no seu dia a dia é normalmente a parte mais exigente.”

Conselhos a adotar

Na visão dos empresários, a integração da inteligência artificial revela melhores resultados quando esta complementa a experiência dos especialistas das empresas, em vez de procurar substituí-la. 

“O conselho é simples: começar por entender onde estão os desafios que podem beneficiar deste tipo de soluções, e por casos relevantes e mensuráveis, e ao mesmo tempo construir as bases dados, processos e competências, que permitam escalar”, destaca Pedro Matos Silva da Navigator.

“As organizações que conseguem escalar tendem a combinar três elementos: qualidade dos dados, processos de decisão bem definidos e um investimento consistente em formação e gestão da mudança”, diz Horácio Neri da LTPlabs, lembrando que “esperar que todas essas fundações estejam perfeitas antes de iniciar qualquer caso de uso também é um erro”. 

Os primeiros projetos são também, segundo o responsável, fundamentais para gerar resultados visíveis, acelerar a aprendizagem organizacional e criar dinâmica de transformação dentro das empresas. 

“Num contexto global cada vez mais competitivo, a questão já não é se estas tecnologias serão adotadas, mas quão rapidamente cada organização conseguirá transformá-las em vantagem competitiva”, remata Horácio Neri.

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