Sexta-feira, Agosto 7, 2026
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Da empresa familiar à PME: como integrar um gestor externo sem perder a alma da família

Por: Paulo Castanheira, fundador da PACK4


Durante vinte anos, a PACK4 foi gerida de forma familiar. Eu e os meus quatro filhos assumíamos todas as decisões, desde as estratégicas até às operacionais. Foi um percurso de trabalho, dedicação e união — mas também de desafios.

Com o tempo, percebemos que a empresa poderia crescer ainda mais, tornar-se mais
rentável e, sobretudo, mais profissional, se cada um de nós se concentrasse na sua área de maior competência.

Essa perceção levou-nos ao reconhecimento da importância de integração de um gestor
externo. Percebemos que alguém vindo de fora traria uma nova visão — um olhar mais técnico e menos emocional.

A gestão familiar, por mais coesa que seja, é inevitavelmente influenciada pelas relações e conversas que nascem “à mesa do almoço de família”.

Com um gestor externo, ganhámos uma camada de profissionalismo e disciplina mais
difícil de construir apenas dentro do ambiente familiar.

A aposta na profissionalização da gestão teve exatamente esse propósito: contrariar o que há de mais rotineiro e, por vezes, limitador nas empresas familiares.

Hoje, a nossa estrutura organiza-se em três níveis claros: a família, enquanto proprietária; o gestor externo, que lidera a empresa; e os membros da família que continuam com funções executivas, cada um nas suas áreas de atuação.

Essa separação saudável de papéis trouxe equilíbrio, eficiência e foco.

O processo de mudança decorreu de forma tranquila. Desde o início disponibilizámo-nos
a ser ainda mais disciplinados — a aceitar que certas mudanças eram necessárias.

A presença de um gestor externo não significou perder o controlo, mas sim partilhar a
responsabilidade de fazer crescer o grupo de forma sustentável e profissional.

Houve, claro, momentos de adaptação. Decisões tomadas em comissões executivas
implicam consenso, compromisso e, às vezes, abrir mão de hábitos antigos.
Mas foi um exercício de maturidade empresarial e pessoal.

A entrada de um gestor externo foi uma decisão acertada e transformadora para a PACK4. No entanto, poderá não ser aplicada como uma fórmula universal.

Cada empresa familiar é única — mil famílias são diferentes, mil empresas são diferentes e mil CEOs também o são. O que funcionou connosco e poderá não funcionar com outros.

O importante é reconhecer, em cada momento da história de uma empresa, o que ela
precisa a cada momento para continuar a crescer.

No nosso caso, foi abrir espaço para alguém de fora — e foi essa abertura que nos permitiu tornarmo-nos numa verdadeira PME com visão de futuro.

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