Terça-feira, Agosto 18, 2026
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“Democratizar o social selling, permitindo que marcas de menor dimensão possam testar, validar e escalar” – Nixar

Por: Ana Marisa Vieira


Fundada em 2024, a Nixar surge com a ambição de democratizar o marketing de influência e transformar o social selling num canal de vendas acessível também às pequenas e médias empresas.

A plataforma portuguesa aposta num modelo “pay per sale” e numa operação “always on”, automatizando processos tradicionalmente complexos e dispendiosos, como a seleção de criadores, a gestão de campanhas e a medição do impacto direto nas vendas. 

Em entrevista à PME Magazine, Luís Roque, CEO da Nixar, explica como a empresa pode transformar o marketing de influência num motor de crescimento para as PME, combinando inteligência artificial, escalabilidade e foco em vendas reais.

 

PME Magazine (PME Mag.) – Como surgiu a Nixar? 

Luís Roque – A Nixar surgiu em 2024 a partir da experiência dos seus fundadores no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial para algumas das maiores agências de influencer marketing do Reino Unido. Nesse contexto, a empresa esteve envolvida na gestão de campanhas para marcas globais de referência no setor da moda, como Armani, Dior, Marc Jacobs ou Nike.

Ao longo desse percurso, tornou-se evidente que o marketing de influência em larga escala estava praticamente reservado a marcas com grande poder financeiro ou elevado conhecimento técnico. Identificámos aí uma oportunidade clara: transformar esse modelo, até então intensivo em recursos humanos e pouco previsível, numa solução tecnológica escalável e acessível.

“(…) marcas de menor dimensão possam testar, validar e escalar este canal de vendas sem risco inicial”.

A visão da Nixar é democratizar o social selling, permitindo que marcas de menor dimensão possam testar, validar e escalar este canal de vendas sem risco inicial. Para isso, automatizámos grande parte dos processos típicos de uma agência, desde a seleção de criadores até à medição de impacto, através de inteligência artificial, integração de sistemas e um novo modelo de negócio orientado a resultados.

 

PME Mag. – A Nixar propõe-se democratizar o marketing de influência. O que mudou no mercado para que este modelo “pay per sale” seja hoje viável para as PME?

O mercado mudou de forma estrutural nos últimos anos. Por um lado, o crescimento do social commerce, com taxas anuais superiores a 30%, transformou as redes sociais em canais diretos de venda. Por outro, a maturidade das plataformas de e-commerce e das APIs sociais tornou possível medir com precisão o impacto de cada ação nas vendas.

Ao mesmo tempo, a inteligência artificial passou a permitir a automação de tarefas que antes exigiam equipas grandes e custos elevados: análise de dados, seleção de criadores, gestão de campanhas e otimização contínua. Esta combinação tornou viável um modelo “pay per sale”, reduzindo drasticamente o risco para a marca.

“(…) tornando o marketing de influência um canal de vendas acessível também às PME.”

Hoje, mais de 70% dos consumidores planeiam comprar através de redes sociais, mas menos de metade das marcas oferecem experiências de compra diretas nesses canais. A Nixar surge precisamente para colmatar esse gap, tornando o marketing de influência um canal de vendas acessível também às PME.

 

PME Mag. – A plataforma posiciona-se como um canal de vendas “always on”. Que impacto real isso tem para as PME?

A abordagem “always on” muda completamente o papel do marketing de influência. Em vez de campanhas pontuais, a Nixar funciona como um canal de vendas contínuo, integrado na operação da marca.

A plataforma analisa o stock disponível, identifica os melhores criadores para cada produto e ativa ações de forma proativa, repetindo este ciclo de forma contínua. Isto permite maior previsibilidade de vendas, melhor rotação de stock e decisões de marketing baseadas em dados reais, e não apenas em métricas de engagement.

Para as pequenas e médias empresas, este modelo reduz a complexidade da gestão de marketing e transforma o social selling num motor de crescimento recorrente, em vez de uma aposta ocasional.

 

PME Mag. – Onde está o principal diferencial tecnológico da Nixar face a agências ou marketplaces tradicionais?

O diferencial da Nixar está na combinação de três fatores: modelo de negócio, operação “always on” e tecnologia proprietária.

Ao operar sem risco inicial para a marca e de forma contínua, a plataforma gera um volume de dados muito superior ao de qualquer agência tradicional. Esse fluxo de dados alimenta um algoritmo proprietário de matching que aprende continuamente qual a melhor combinação entre marca, produto e criador de conteúdo.

O resultado é uma máquina de otimização capaz de gerar retornos sobre o investimento mais de três vezes superiores aos das melhores agências do mercado. Ao contrário de marketplaces, a Nixar não é apenas um ponto de contacto, mas um sistema inteligente que mede impacto direto nas vendas e melhora automaticamente ao longo do tempo.

 

PME Mag. – De que forma a entrada do Angels Way influencia a estratégia e o crescimento da Nixar?

A entrada do Angels Way vai muito além do capital. A comunidade reúne investidores com experiência em áreas como moda, tecnologia e investimento, o que cria um efeito multiplicador em termos de networking, parcerias e validação estratégica.

 

PME Mag. – Quais são os maiores desafios na internacionalização, incluindo a entrada nos EUA em 2026?

A Nixar nasceu internacional desde o primeiro dia, o que faz parte da sua cultura e ADN. Ainda assim, a entrada em novos mercados traz sempre desafios, desde diferenças regulatórias e culturais até à reação de incumbentes.

Sabemos que a nossa abordagem é disruptiva e que poderá atrair tentativas de replicação por parte de players estabelecidos. No entanto, o acesso exclusivo a grandes volumes de dados, os algoritmos proprietários e a nossa experiência no setor do retalho e da moda criam uma barreira difícil de ultrapassar.

A entrada nos Estados Unidos em 2026 está a ser preparada de forma estruturada, beneficiando da presença de um investidor local e do conhecimento acumulado em expansões anteriores. O foco será replicar o modelo com adaptações locais, mantendo a escalabilidade tecnológica como principal vantagem competitiva.

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