Quinta-feira, Julho 16, 2026
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Despedir para sobreviver ou investir para prosperar?

Por: João Costa, Country Manager da ERA Group



No contexto macroeconómico atual, incerto e fragilizado por novas dinâmicas geopolíticas, são muitas as empresas nacionais que têm recorrido ao mecanismo do despedimento coletivo para se ajustarem a esta nova realidade. Os dados mais recentes da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) mostram que só nos dois primeiros meses do ano, o número de trabalhadores afetados por este tipo de medida aumentou 22% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo o valor mais elevado desde 2014. E os sinais não apontam para um abrandamento.

As causas por trás desta vaga são múltiplas e, muitas vezes, de complexa gestão, mas a realidade é que as empresas dependem não só de recursos materiais, mas também do conhecimento e das capacidades dos seus colaboradores, para sobreviver, inovar e prosperar. Para muitas delas, especialmente as que operam sem ferramentas de análise e monitorização ou uma estratégia sólida, a volatilidade económica e social traduz-se em decisões reativas e cortes imediatos que implicam, muitas das vezes, interferir no bem mais valioso de uma organização: o capital humano.

Cortar custos pode oferecer alívio a curto prazo, mas é o investimento, sobretudo nas pessoas, que assegura um crescimento sólido e sustentável. Num contexto marcado pela escassez de talento e pela crescente dificuldade em atrair e reter profissionais qualificados, apostar no capital humano é, mais do que uma decisão acertada, uma necessidade estratégica. Ainda assim, esta continua a ser uma aposta reduzida. E é precisamente em contextos de incerteza, onde a resiliência e a capacidade de adaptação são decisivas, que essa ausência de investimento se torna mais evidente e mais arriscada.

É por este motivo que cultivar um ambiente de aprendizagem contínua deve assumir um papel central na estratégia das instituições. Mais do que desejável, é crucial promover o desenvolvimento das equipas para o sucesso a longo prazo. Até porque os líderes que apostam na capacitação dos seus colaboradores também colhem benefícios claros, pois permite reforçar competências e talentos, incorporar tendências emergentes e assegurar uma maior capacidade de transição e inovação digital. No entanto, para usufruir desta vantagem competitiva, é necessário que exista flexibilidade, abertura à mudança e pensamento criativo, tanto dos seus colaboradores como da liderança. Desta forma, as organizações tornam-se mais resilientes, mesmo em tempos de maior imprevisibilidade financeira.

Despedir pode, em certos momentos, ser uma inevitabilidade, mas o investimento no talento deve ser sempre parte integrante de qualquer compromisso empresarial a longo prazo. O sucesso de uma empresa constrói-se na capacidade de antecipar desafios e preparar equipas para os enfrentar. E, hoje, essa visão estratégica é uma das formas mais eficazes de mitigar riscos e garantir a continuidade do negócio.

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