Sexta-feira, Agosto 7, 2026
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Disparidade salarial mantém-se nos 15% apesar de recorde de mulheres ativas no mercado de trabalho

Por: Ana Marisa Vieira


A população ativa feminina em Portugal atingiu um máximo histórico no último trimestre de 2025, com 2,8 milhões de mulheres, mais 2,6% face ao ano anterior. Ainda assim, persistem desigualdades estruturais, com uma taxa de desemprego superior à masculina e um fosso salarial que ultrapassa os 15%, segundo uma análise da Claire Joster People First, empresa do Grupo Eurofirms, no âmbito do Dia Internacional da Mulher.

De acordo com os dados analisados, a taxa de desemprego feminina fixou-se nos 6,5%, acima dos 6% registados entre os homens, refletindo dificuldades na absorção plena do talento feminino pelo mercado laboral.

Apesar disso, os indicadores apontam para mudanças graduais na distribuição ocupacional. A presença feminina no setor da construção registou um aumento de 22,2%, enquanto nas atividades imobiliárias o crescimento foi de 16,9%, sinalizando uma maior diversificação das áreas profissionais tradicionalmente associadas às mulheres. Ainda assim, a saúde humana e o apoio social continuam a ser o principal empregador feminino, representando 16,7% do total de mulheres empregadas.

A análise regional revela também um país a diferentes ritmos. A Região Autónoma da Madeira e a região Centro lideram o crescimento da população ativa feminina, com aumentos de 5,3% e 5,9%, respetivamente. Seguem-se o Algarve, com 3,9%, e a Grande Lisboa, com 3,2%. O Alentejo e o Norte registaram crescimentos mais moderados, de 1% e 0,8%.

No conjunto do território, a média nacional de mulheres na população ativa situa-se nos 49,5%, aproximando-se da paridade. Em regiões como a Grande Lisboa, a Península de Setúbal e o Algarve, as mulheres já representam metade ou a maioria da força de trabalho.

Contudo, o equilíbrio quantitativo contrasta com desigualdades persistentes ao nível remuneratório e no acesso a cargos de decisão. As mulheres ganham, em média, menos 15,4% do que os homens.

A disparidade é mais acentuada em funções de operação de instalações e máquinas, onde a diferença salarial atinge 25%, e nas profissões técnicas de nível intermédio, com um desfasamento de 22,3%. Nos cargos de direção e gestão, o diferencial mantém-se elevado, situando-se nos 18,7%.

Em sentido contrário à tendência nacional, os dados internos do Grupo Eurofirms em Portugal indicam que 76% dos cargos são ocupados por mulheres, percentagem que sobe para 81% nos níveis de liderança.

Para Sílvia Coelho, National Leader da Claire Joster em Portugal, “os números recorde de participação feminina são positivos, mas o fosso salarial e a menor presença em cargos de gestão a nível nacional mostram que o progresso é lento”. A responsável sublinha que, no caso da Eurofirms, “a competência não tem género e a equidade é um pilar fundamental para o sucesso e sustentabilidade de qualquer organização”.

A análise reforça que, apesar dos avanços na participação feminina, o desafio da igualdade no mercado de trabalho português permanece estrutural e exige medidas consistentes ao nível da remuneração, progressão de carreira e acesso à liderança.

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