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Economia portuguesa cresceu 2,5% no segundo trimestre de 2026

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieria

A economia portuguesa cresceu 2,5% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026, o dobro da média da Zona Euro, segundo a terceira edição do Relatório Macroeconómico para Portugal do BFF Banking Group, elaborado em colaboração com a NOVA SBE. Em cadeia, o PIB avançou 0,8%. No entanto, o estudo identifica riscos relacionados com a capacidade produtiva, investimento, inflação e mercado de trabalho.

De acordo com o grupo bancário, em comunicado, este desempenho levou a uma revisão da previsão de crescimento da economia portuguesa em 2026 para 2,3%, acima dos 1,8% projetados pelo Banco de Portugal em junho.

O relatório, intitulado “Perspetivas para Portugal no 3.º trimestre de 2026: força relativa, limites de capacidade sob pressão”, salienta, contudo, que o ritmo de crescimento começa a confrontar-se com limites estruturais de capacidade e fatores de pressão no médio prazo.

Emprego cresce, mas custos do trabalho aumentam

O relatório mostra que a evolução da atividade económica tem sido acompanhada por uma melhoria do mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 5,3% no segundo trimestre, o valor mais baixo desde 2011, enquanto a população empregada atingiu um recorde de 5,4 milhões de pessoas.

Ao mesmo tempo, denuncia a escassez de mão de obra em setores como a construção, a saúde e a tecnologia está a pressionar os custos do trabalho, que aumentaram 5,4% no trimestre. Na construção, o crescimento chegou a 7,1%, ultrapassando o aumento da produtividade por trabalhador.

Investimento recua após fim da execução financeira do PRR

Também a evolução dos preços surge como um dos fatores a acompanhar. A inflação total fixou-se em 3,3% em agosto, enquanto a inflação subjacente acelerou para 2,7%.

Segundoo estudo, a trajetória da inflação subjacente está relacionada, entre outros fatores, com o impacto dos custos energéticos internacionais sobre setores como os transportes, a restauração e o alojamento.

O investimento é outro dos pontos de atenção destacados pelo estudo. A Formação Bruta de Capital Fixo caiu 1,9% em cadeia no segundo trimestre, enquanto o valor dos concursos de obras públicas lançados no primeiro semestre diminuiu 39% em termos homólogos.

De acordo com o BFF e a Nova SBE, no relatório, é determinante a execução do novo programa PTRR, dotado de 22,6 mil milhões de euros até 2034, e dos fundos do Portugal 2030 para assegurar a continuidade do investimento nos próximos anos.

Crédito à habitação acelera e dívida pública desce

No mercado de crédito, o stock de crédito à habitação cresceu 11% em termos homólogos em julho.

A garantia pública para jovens compradores representou 32,9% do montante de crédito concedido para habitação própria no segundo trimestre e esteve presente em mais de metade das operações envolvendo mutuários até aos 35 anos.

Nas contas públicas, o relatório identifica uma evolução favorável. As projeções do Banco de Portugal citadas no estudo apontam para uma descida do rácio da dívida pública para 85,7% do PIB em 2026 e 82,5% em 2027, valores que colocam Portugal abaixo da média da Zona Euro.

De acordo com o relatório, a evolução das contas públicas tem contribuído para uma procura sólida pelas Obrigações do Tesouro. No final de agosto, a taxa a 10 anos situava-se nos 3,67%, enquanto as perspetivas das agências de notação S&P, Fitch e DBRS permaneciam positivas.

Para Riccardo Galetti, Head of Portugal do BFF Banking Group, os dados mostram uma economia com “força relevante” e uma posição orçamental sólida, mas justificam atenção à evolução do mercado de trabalho, do investimento e da inflação.

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