Economia portuguesa estagna no arranque de 2026, pressionada por clima extremo e energia

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Homem a consultar pedido de apoio para empresa
Empresa (Foto Canva)

Por: Ana Marisa Vieira


A economia portuguesa arrancou 2026 em estagnação, de acordo com o mais recente Barómetro de Conjuntura Económica da CIP – Confederação Empresarial de Portugal e do ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão que estima uma variação em cadeia nula do PIB no primeiro trimestre, equivalente a um crescimento homólogo de 2,2%.

A desaceleração resulta de uma combinação de fatores adversos, com destaque para os episódios de tempestades e inundações registados no início do ano e para o impacto inicial do conflito no Golfo Pérsico, que começou no final de fevereiro. Segundo o barómetro, estes choques já se refletem nos dados de março.

A atividade industrial foi particularmente afetada. Em fevereiro, o índice de produção industrial registou uma quebra homóloga de 4,4%, que sobe para 7,6% excluindo a componente energética. O estudo indica que o impacto das condições climatéricas deverá concentrar-se no primeiro trimestre, sendo parcialmente mitigado ao longo do ano com a chegada de apoios públicos e indemnizações das seguradoras.

Já o efeito da crise energética deverá prolongar-se. Em março, a taxa de inflação aumentou 0,6 pontos percentuais, enquanto os preços na produção industrial aceleraram 3,5% em termos homólogos, com a energia a explicar praticamente toda a subida.

“A persistência do choque no preço dos produtos energéticos tenderá a propagar-se à economia, aumentando os custos de produção de forma transversal, condicionando as decisões de investimento e impactando o rendimento disponível das famílias”, afirmou Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP.

O responsável alerta ainda para a perda de competitividade das empresas nacionais face a outros mercados europeus. “A assimetria entre os apoios disponibilizados em Portugal e as fortes medidas adotadas noutros países, como a Espanha, estão a criar problemas de competitividade das empresas portuguesas no mercado global”, sublinhou, defendendo “apoios diretos urgentes” às empresas mais expostas ao aumento dos custos energéticos.

Os indicadores de confiança confirmam o abrandamento. Ao longo do primeiro trimestre, os índices de clima económico e sentimento deterioraram-se de forma moderada, tendência que se acentuou em março, sobretudo no caso dos consumidores.

Ainda assim, há sinais mistos na economia. Alguns indicadores setoriais surpreenderam pela positiva, nomeadamente a produção e comercialização de automóveis ligeiros de passageiros e o crescimento homólogo das vendas de cimento, que aceleraram 26,1% em março.

O cenário traçado pelo barómetro aponta para uma economia sob pressão no curto prazo, com a evolução dos preços da energia e a resposta das políticas públicas a assumirem um papel determinante na trajetória dos próximos meses.