InícioEmpresasDefesaEmpresa malaia poderá investir até 20 milhões de euros em Portalegre

Empresa malaia poderá investir até 20 milhões de euros em Portalegre

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

O Industrial Portugal Gateway (IPG) já tem um primeiro projeto industrial identificado para a região de Portalegre. Uma empresa da Malásia, ligada à aviação e à produção de drones, poderá avançar com um investimento estimado entre 10 e 20 milhões de euros, revelou à PME Magazine o presidente da Associação Empresarial da Região de Portalegre (NERPOR), Tiago Braga. O projeto ainda depende, contudo, de um estudo de viabilidade e da definição da operação.

A informação foi avançada na sequência da apresentação oficial do IPG, realizada na passada sexta-feira, 25 de setembro, nas instalações da NERPOR, no Parque de Feiras e Exposições de Portalegre. Promovido pela Luso Defense Group, com a NERPOR como parceiro territorial, o programa pretende funcionar como um ponto único de apoio à instalação ou expansão de capacidade produtiva nas áreas da Defesa, segurança, tecnologias de dupla utilização e indústria avançada.

Segundo Tiago Braga, foi celebrado um contrato com a empresa malaia, mas o investimento anunciado deve ainda ser entendido como uma estimativa preliminar.

O presidente da NERPOR sublinha que o valor não corresponde ainda a investimento realizado nem significa que a instalação industrial esteja definitivamente assegurada, uma vez que o projeto terá de passar por um estudo de viabilidade e pela definição das características da futura operação.

O responsável acrescenta que não existe, nesta fase, uma previsão global sobre o número de empresas ou postos de trabalho que poderão resultar do IPG. O horizonte de trabalho apresentado é de cerca de dois anos entre a análise inicial de um projeto e o arranque da produção, embora o prazo dependa das características de cada investimento.

PME locais podem entrar nas cadeias de fornecimento

Para a NERPOR, o impacto do IPG não deverá ser medido apenas pelo número de fábricas que consiga atrair, mas também pelo negócio criado para as empresas que já operam na região.

“Uma empresa de instalações elétricas pode participar na preparação de uma unidade industrial e depois assegurar a sua manutenção, um gabinete de engenharia pode desenvolver os projetos de especialidades, uma empresa de informática pode instalar e acompanhar os sistemas de gestão, um transportador pode assegurar o movimento de mercadorias”, exemplifica Tiago Braga.

A lógica, explica, será perceber primeiro as necessidades de cada investidor e, depois, identificar dentro dos 15 concelhos do distrito de Portalegre as empresas que possam responder a essas necessidades.

O modelo pretende ainda distinguir entre serviços de apoio à instalação e fornecimento industrial especializado. Uma PME que queira integrar uma cadeia de fornecimento terá de cumprir os requisitos definidos pelo cliente, nomeadamente em matéria de qualidade, controlo de produção ou certificação.

“Gostava que este trabalho ajudasse algumas PME a chegar a clientes a que hoje dificilmente chegam sozinhas.”

“Não queremos simplesmente trazer empresas estrangeiras”

A criação destas ligações faz parte da própria proposta do IPG. “O IPG não é um fundo de investimento e não pretende limitar-se ao papel de intermediário”, explicou à PME Magazine Ricardo Colaço Marques, cofundador do projeto.

A estrutura pretende acompanhar cada operação desde a decisão de localização até à implementação industrial, mobilizando parceiros nas áreas do financiamento, enquadramento jurídico, construção, recursos humanos e apoio institucional.

“Não queremos simplesmente trazer empresas estrangeiras e instalá-las em Portalegre. Queremos que essas empresas criem atividade à sua volta: que trabalhem com PME portuguesas, encontrem fornecedores nacionais, contratem pessoas na região e criem novas oportunidades de negócio”, explica ainda o cofundador.

Vários projetos em negociação

Além da empresa malaia, Ricardo Colaço Marques confirmou à PME Magazine que existem outros contactos e processos em curso, envolvendo empresas de diferentes países e várias áreas de atividade.

Entre os setores identificados estão defesa, drones, eletrónica, tecnologia, energia e sistemas de dupla utilização. Os nomes das empresas não são, para já, divulgados, uma vez que os processos ainda não estarão suficientemente consolidados.

De acordo com o cofundador, a estratégia do IPG passa, assim, por avaliar os projetos individualmente, sem estabelecer neste momento uma meta para o número de empresas a captar. A própria estrutura afirma que pretende ser avaliada pelo investimento concretizado, pelas cadeias de fornecimento ativadas e pelo emprego qualificado criado.

Cooperação com Espanha e aposta no interior

A dimensão transfronteiriça esteve também presente na apresentação, com a participação de Raúl Iglesias, da Câmara de Comércio de Cáceres, que defendeu que a cooperação empresarial deve ultrapassar os contactos institucionais e resultar em “projetos empresariais, investimento, inovação, emprego” e novas oportunidades para as empresas.

Joaquim Diogo, presidente da Comunidade Intermunicipal Alto Alentejo, salientou, por sua vez, que o desafio passa não apenas por criar oportunidades: “O desafio que temos pela frente é transformar estas vantagens em investimento, empresas, conhecimento, inovação e emprego qualificado.”

Também Paulo Noguês, editor da revista Defesa e Tecnologia, enquadrou o projeto numa lógica de integração das empresas portuguesas nas cadeias de valor internacionais da Defesa. “Mais do que atrair empresas, importa criar ecossistemas.”

O lançamento do IPG serviu ainda para apresentar a Iberian Defense Expo, cuja primeira edição está prevista para 22 a 25 de setembro de 2027, nas instalações da NERPOR, em Portalegre, com exposição empresarial e tecnológica, reuniões B2B e B2G, investidores e oportunidades de cooperação industrial.

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