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“Evoluímos de uma marca de calçado para uma empresa de serviços” – SKYPRO

Por: Ana Vieira e Helena Schlindwein

Desenvolver soluções de vestuário e calçado que unam conforto, durabilidade e sustentabilidade para profissionais de todo o mundo é a missão da SKYPRO, uma empresa portuguesa que tem vindo a expandir a sua presença em mercados internacionais.

Fundada em 2004, nasceu da visão de oferecer soluções especializadas para o setor de calçado profissional. Inicialmente ligada ao franchising das lojas Lanidor e à marca Aerosoles, a empresa reinventou-se ao desenvolver produtos técnicos avançados e sustentáveis que conquistaram grandes clientes, como a TAP ou a Emirates.

Com uma forte aposta em inovação, conforto e sustentabilidade, a empresa, que atualmente conta com 34 colaboradores, foi distinguida pela COTEC com o Prémio Inovação na Internacionalização. 

Em entrevista à PME Magazine, Jorge Pinto, CEO da SKYPRO, revela a trajetória da empresa, as tecnologias que diferenciam os seus produtos, os desafios da internacionalização e os planos estratégicos para consolidar a presença em novos mercados.

 

PME Magazine (PME Mag.) – Como surgiu a SKYPRO?
Jorge Pinto (J. P.) – A SKYPRO nasceu em 2004, inicialmente como um franchise das lojas Lanidor. Com o objetivo de expandir o negócio, abrimos também lojas Aerosoles especializadas em calçado, onde identificámos um número significativo de clientes que procuravam sapatos adequados para trabalhar. Dois anos depois, criámos a marca Aerosoles Pro, com a qual ganhámos o concurso da TAP para fornecimento de calçado profissional.

Contudo, o grupo Aerosoles entrou em dificuldades financeiras e, por consequência, a nossa empresa também foi afetada, uma vez que dependíamos deles como fornecedor. Durante esse período, desenvolvemos um novo modelo de sapato, que não ativava os detetores de metais nos aeroportos, enquanto aguardávamos a decisão da TAP. Esse produto, com características técnicas muito avançadas (controlo de temperatura, antiderrapante, antiestático e feito com peles inócuas), marcou o nascimento da marca SKYPRO.

Apresentámos o novo sapato à TAP, que aprovou a proposta. Com o reforço da nossa presença em duas feiras internacionais, conseguimos reverter a situação do negócio. A partir daí, focámo-nos totalmente na criação da nossa marca própria e redefinimos a nossa visão.

Hoje, a SKYPRO é reconhecida como uma das empresas mais competentes a nível global na gestão de uniformes, com uma forte liderança em inovação e sustentabilidade. Evoluímos de uma marca de calçado para uma empresa de serviços, incluindo design, produção, gestão e circularidade de uniformes, sempre com o objetivo de resolver de forma eficaz os desafios dos nossos clientes.

 

PME Mag. – A SKYPRO tem-se destacado no setor da aviação. O que torna o vosso calçado e uniformes diferenciadores para profissionais que passam tantas horas em pé ou em movimento constante?
J. P. – Na SKYPRO, todos os produtos são concebidos com o propósito de cuidar das pessoas. O nosso claim, Feel the Ultimate Care, reflete esse compromisso. Cada peça, seja de vestuário ou calçado, é desenvolvida com máximo rigor para garantir conforto superior, durabilidade e, sempre que possível, facilidade de reutilização e reciclagem.

 

PME Mag. – Quais são as tecnologias ou materiais mais recentes que estão a integrar nos vossos produtos para melhorar o desempenho, conforto e segurança? 
J. P. – Priorizamos materiais de elevada durabilidade, essenciais para garantir a sustentabilidade dos nossos produtos. Na seleção de fibras e construções têxteis, utilizamos fios resistentes que prolongam o ciclo de vida útil dos uniformes. Apresentámos recentemente, na feira WTCE (Alemanha), o primeiro fato com base em lã lavável na máquina de lavar, uma inovação que elimina a necessidade de lavandaria profissional para tripulantes.

“As nossas palmilhas e solas absorvem até 98% da energia do impacto, reduzindo significativamente a fadiga e o impacto nas articulações ao longo do tempo”

No calçado, incorporámos solas em TPU leve e borracha expandida, mantendo propriedades antiderrapantes e assegurando maior leveza. As nossas palmilhas e solas absorvem até 98% da energia do impacto, reduzindo significativamente a fadiga e o impacto nas articulações ao longo do tempo. Adicionalmente, temos investido em inovação tecnológica para otimizar processos de encomenda e assegurar uma maior precisão na escolha de tamanhos, reduzindo o desperdício.

 

PME Mag. – Como empresa portuguesa que atua em mercados internacionais exigentes, como conseguem adaptar-se às normas, preferências e necessidades de diferentes companhias aéreas e culturas?
J. P. – A adaptação cultural é um dos maiores desafios na internacionalização. Os uniformes, por exemplo, variam muito consoante as regiões: enquanto na América Latina se valoriza mais a exposição de pele, no Médio Oriente privilegia-se a discrição.

O sucesso nestes mercados exige um conhecimento profundo das especificidades culturais e operacionais. É fundamental compreender as necessidades reais que cada cliente pretende resolver, que raramente são iguais de mercado para mercado, e estudar o comportamento de outras empresas portuguesas e internacionais nesses territórios. Conhecer os decisores, os canais de compra e a forma como as organizações se estruturam localmente é absolutamente crítico para garantir sucesso.

 

PME Mag. – Como equilibram o design com os requisitos técnicos e ergonómicos exigidos pelos vossos clientes?
J. P. – Adotamos um processo colaborativo a que chamamos Lean Design Process. Trabalhamos lado a lado com o cliente em várias sessões de co-criação: começamos por desenvolver um conceito, partilhamos, ajustamos e refinamos até alcançar uma solução que esteja totalmente alinhada com as suas expectativas.

“Realizamos um estudo aprofundado sobre a identidade da empresa, os valores culturais do país, as preferências dos seus passageiros e colaboradores”

Quando a colaboração direta não é possível, realizamos um estudo aprofundado sobre a identidade da empresa, os valores culturais do país, as preferências dos seus passageiros e colaboradores. E a partir dessa análise, criamos um conceito holístico que serve de base para o desenvolvimento do uniforme.

 

PME Mag. – Quais foram os principais desafios enfrentados na entrada em mercados como Emirados Árabes ou EUA?
J. P. – Os desafios são, sobretudo, de natureza cultural. Nos Estados Unidos, o principal obstáculo prende-se com os elevados custos de contexto. Após a pandemia, optámos por suspender a operação direta e estamos atualmente presentes através de uma parceria.

Já nos Emirados Árabes Unidos, o cenário é distinto. A nossa operação no Dubai é muito bem sucedida. Somos fornecedores de companhias como a Emirates, Qatar Airways, FlyDubai, AirArabia, Royal Jordanian, entre outras. Este sucesso deve-se, em grande parte, ao conhecimento profundo das práticas comerciais da região.

No entanto, importa salientar que, mesmo dentro do Golfo, há diferenças significativas entre países, como Arábia Saudita ou Omã, que requerem uma abordagem específica e adaptada a cada mercado.

 

PME Mag. – A SKYPRO começou no setor aeronáutico, mas tem expandido o seu alcance. Que novas áreas ou mercados estão nos vossos planos estratégicos?
J. P. – A nossa estratégia passa por alargar a presença em setores como cruzeiros, transportes ferroviários, hotelaria, grandes museus e empresas de rent-a-car. Procuramos clientes com mais de mil colaboradores, que necessitem de soluções personalizadas e completas de gestão de uniformes.

A nossa proposta de valor assenta na tecnologia como ferramenta para resolver os desafios operacionais dos nossos clientes. Enquanto especialistas, conseguimos gerir uniformes com maior eficácia, tornando-nos literalmente no Departamento de Uniformes dos nossos clientes.

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