Terça-feira, Agosto 18, 2026
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Fábrica do Humor quer empresas a rir e a produzir mais

Por: Ana Marisa Vieira


O PCI – Parque de Ciência e Inovação da região de Aveiro acaba de receber uma nova empresa com uma proposta pouco habitual no ecossistema empresarial: transformar o humor numa ferramenta aplicada ao bem-estar, à criatividade e ao desempenho organizacional. Chama-se Fábrica do Humor, está sediada em Ílhavo e prepara já a sua estreia pública com a realização da primeira Stand-Up Night, marcada para 17 de abril.

Fundada por Marco Horácio, humorista, apresentador de televisão e ator, e por Maria Rodrigues, empreendedora e agora diretora executiva da empresa, a Fábrica do Humor quer ir além do entretenimento tradicional e afirmar-se como um projeto com aplicação prática no contexto pessoal, profissional e organizacional.

“Acreditamos que o humor vai muito além da diversão. É uma ferramenta poderosa de conexão, empatia e transformação”, afirma Maria Rodrigues, diretora executiva da Fábrica do Humor à PME Magazine.

“Queremos criar experiências que unem, inspiram e deixam um impacto positivo e duradouro na comunidade”, acrescenta.

Humor como ativo económico

Apesar de continuar a ser frequentemente associado ao palco, à televisão ou ao lazer, a Fábrica do Humor defende que o humor pode também ser lido como um ativo com impacto económico e organizacional.

“Quando integrado de forma estratégica, o humor torna-se um verdadeiro ativo económico”, sustenta Maria Rodrigues.

Segundo a responsável, o seu efeito pode ser sentido desde logo na produtividade. “Ambientes de trabalho mais leves reduzem o stress, aumentam o foco e diminuem o absentismo. Colaboradores que se sentem bem têm maior energia mental e capacidade de execução”, explica.

A diretora executiva acredita ainda que o humor pode desempenhar um papel relevante na inovação. “O humor estimula o pensamento divergente, a capacidade de fazer associações inesperadas, questionar padrões e encontrar soluções criativas”, refere.

“Equipas que usam humor de forma saudável tendem a ser mais abertas a pensar fora da caixa e menos bloqueadas pelo medo do erro”, acrescenta.

Na sua leitura, o impacto pode até estender-se, de forma indireta, à economia. “Organizações mais produtivas, inovadoras e com melhor retenção de talento geram mais valor económico. O humor, quando bem aplicado, não é apenas um extra, é um catalisador de desempenho organizacional”, afirma.

Uma resposta a problemas concretos das empresas

A proposta da Fábrica do Humor surge também como resposta a desafios que muitas empresas continuam a enfrentar na gestão das suas equipas e culturas internas.

Entre os problemas mais comuns identificados pela empresa estão o stress e burnout, a falta de comunicação eficaz, os ambientes excessivamente formais ou hierárquicos, o baixo engagement e a dificuldade em lidar com mudança.

“O humor funciona aqui como uma ferramenta prática para quebrar barreiras, facilitar conversas difíceis, humanizar relações e criar ligações mais autênticas dentro das equipas”, defende Maria Rodrigues.

A empresa pretende trabalhar estas dimensões através de uma oferta que inclui eventos culturais, espetáculos, formações, workshops, mentorias e experiências interativas, dirigidas tanto a públicos individuais como a organizações.


Mercado começa a abrir espaço

Embora o mercado português ainda associe o humor sobretudo ao espetáculo, a Fábrica do Humor considera que existe uma janela de oportunidade para posicioná-lo como ferramenta útil em formação, liderança, cultura organizacional e desenvolvimento de equipas.

“Portugal ainda associa muito o humor ao espetáculo, televisão, rádio e entretenimento. No entanto, começa a surgir uma mudança clara”, afirma Maria Rodrigues.

“Cada vez mais as empresas valorizam temas como cultura organizacional, bem-estar e desenvolvimento de soft skills, e é aqui que o humor ganha espaço como ferramenta diferenciadora”, acrescenta.

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