Quarta-feira, Agosto 12, 2026
InícioEmpresasFailing Forward Hub: comunidade para falar sobre erros na inovação

Failing Forward Hub: comunidade para falar sobre erros na inovação

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

O Failing Forward Hub, uma nova comunidade criada por Melissa Carvalho e Hayarpi Antonyan, estreou-se esta quinta-feira, 30 de julho, em Lisboa, com um encontro dedicado à partilha de experiências de fracasso, desafios e aprendizagens que por norma ficam fora das narrativas de sucesso profissional. A iniciativa, que conta com o apoio da AIP – Associação Industrial Portuguesa, pretende promover encontros regulares e conversas mais abertas sobre os percursos por detrás das carreiras.

O medo de falhar continua a ser um obstáculo à inovação e ao empreendedorismo em Portugal, defendem as responsáveis pelo Failing Forward Hub. Segundo o comunicado a anunciar a inicitiva, o projeto irá reunir mensalmente fundadores de startups, engenheiros, gestores de produto, investigadores, estudantes e outros profissionais ligados ao setor tecnológico, com o objetivo de promover uma cultura de aprendizagem através da partilha de experiências reais de fracasso, resiliência e crescimento.

De acordo com Melissa Carvalho e Hayarpi Antonyan, do Failing Forward Hub, existem em Portugal iniciativas que abordam temas relacionados com o fracasso e a inovação, mas não uma comunidade com o mesmo posicionamento.

“Não existe actualmente em Portugal uma iniciativa verdadeiramente ‘apple-to-apple‘ comparável ao Failing Forward Hub”, afirmam, defendendo que a comunidade se diferencia por ser “estruturada, contínua, fluida, não performativa e vincadamente dedicada à partilha aberta, sem filtros, crua e humana de fracassos dos humanos em Tech”.

 

“O medo gera silêncio”

Segundo as responsáveis, o projeto pretende também ir além das histórias de fundadores e líderes empresariais, dando espaço às experiências das pessoas que trabalham nas diferentes camadas das empresas.

“O Failing Forward Hub pretende dar voz não só às outras camadas das organizações, mas sobretudo às pessoas por detrás das suas carreiras”, explicam Melissa Carvalho e Hayarpi Antonyan. A ideia passa por olhar para aquilo que definem como o “CV não oficial”, que revela, entre outros aspetos, “como é que alguém se comporta no trabalho, como se relaciona com a autoridade, como lida com pedir ajuda, assumir responsabilidade” e com os próprios erros.

Para as responsáveis, é precisamente desta “assumida falibilidade aliada à vontade de fazer melhor no dia seguinte” que nasce o projeto.

A cultura empresarial em torno do erro é, para o Failing Forward Hub, uma das questões centrais. As responsáveis consideram que o medo de falhar continua a representar um problema estrutural para a inovação em Portugal.

“Não porque as pessoas não tenham ideias, talento ou ambição, mas porque ainda operam em contextos onde o erro é visto como uma vergonha”, afirmam Melissa Carvalho e Hayarpi Antonyan.

Na perspetiva das responsáveis, este ambiente pode ter consequências diretas na capacidade de inovação das organizações. “O medo gera silêncio, e o silêncio gera decisões pobres, ciclos de ocultação, equipas que não pedem ajuda e líderes que confundem autoridade com distanciamento”, defendem.

A solução passa, assim, por criar ambientes onde os profissionais possam falar sobre os seus erros sem receio de consequências negativas. “Enquanto não proliferarem espaços onde se possa falar educadamente mas com franqueza, sem receio, onde o fracasso seja tratado como dado adquirido, não como falha moral, continuaremos a ter organizações que inovam menos do que poderiam”, afirmam.

 

Falhar mais cedo para aprender mais rápido

Também Marta Barbosa Cabral, da AIP, considera que a capacidade de reconhecer e aprender com os erros pode ser determinante para a evolução das empresas. Segundo a responsável, “fala-se pouco sobre os desafios, as decisões erradas, os projetos que não resultaram e as lições valiosas retiradas desses momentos”.

A responsável defende que “a inovação implica experimentar, assumir riscos e explorar caminhos que nem sempre conduzem aos resultados esperados”. Quando as organizações conseguem analisar os erros de forma aberta, acrescenta, podem “aprender mais depressa, corrigir rotas com maior eficácia e evitar a repetição dos mesmos problemas”.

Para as PME e startups, esta mudança de abordagem pode representar uma vantagem, segundo Marta Barbosa Cabral. “Ao partilharem desafios e aprendizagens, as empresas reduzem custos associados a erros repetidos, aceleram o desenvolvimento de soluções inovadoras e fortalecem a sua capacidade de crescimento sustentável”, afirma.

A representante da AIP resume o objetivo desta abordagem numa ideia: “O objetivo não é falhar mais, mas sim falhar mais cedo, aprender mais rápido e evoluir mais depressa.”

Segundo Marta Barbosa Cabral, os encontros do Failing Forward procuram precisamente criar “um espaço seguro e credível para conversas honestas sobre aquilo que normalmente fica nos bastidores”, permitindo que a partilha de experiências contribua para “acelerar a aprendizagem coletiva e tornar o ecossistema empresarial mais maduro, consciente e resiliente”.

Para Melissa Carvalho e Hayarpi Antonyan, a mudança de cultura pode também passar por dar mais espaço à divergência dentro das próprias empresas.

“Aquelas empresas verdadeiramente convidativas à iniciativa, à troca de opiniões, preparadas para a exposição a diferentes abordagens, criam entrepreneurs no seio das suas organizações, ao passo que a liderança exercida através do medo aperfeiçoa a arte de esconder; não a de desempenhar”, defendem.

PODE GOSTAR DE LER
Continue to the category
PUB

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

NEWSLETTER

PUB
PUB

SUSTENTABILIDADE

Continue to the category