InícioCarreirasFalta de habilitações trava reinserção de desempregados

Falta de habilitações trava reinserção de desempregados

Por: Ana Marisa Vieira


Quase metade dos desempregados inscritos nos centros de emprego em Portugal não concluiu o ensino secundário, uma realidade que continua a dificultar a reinserção profissional. O alerta é deixado pela Randstad Portugal, na sua análise mensal ao mercado de trabalho, baseada em dados de novembro de 2025.

Segundo a análise da Randstad Research, 49,8% dos desempregados registados, o equivalente a 148.994 pessoas, têm escolaridade inferior ao ensino secundário, abrangendo desde indivíduos sem qualquer nível de instrução até quem concluiu apenas o 3.º ciclo do ensino básico.

Este desfasamento de qualificações limita o acesso a funções de maior valor acrescentado e contribui para situações de maior precariedade laboral.

Os dados evidenciam uma clivagem clara no mercado de trabalho. Enquanto o desemprego entre licenciados recuou 4,2% face ao mês anterior, todos os escalões de ensino básico registaram um aumento do número de inscritos.

Esta tendência pode agravar o desemprego de longa duração, que afeta 113.535 pessoas, correspondendo a 37,9% do total de desempregados, uma vez que a reconversão profissional destes perfis é mais lenta.

Para Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, os números mostram dois retratos distintos do mercado laboral. “Novembro confirma a resiliência do mercado de trabalho com um recorde histórico no emprego. Contudo, os dados revelam uma preocupação central: metade dos nossos desempregados não concluiu o ensino secundário”, sublinha, defendendo um reforço das políticas de qualificação como resposta à escassez de talento e à dificuldade de reintegração destes profissionais.

Apesar deste desafio estrutural, o mercado de trabalho português continua a apresentar sinais de dinamismo. Em novembro, a população empregada ultrapassou, pela primeira vez, os 5,3 milhões de pessoas, atingindo 5.306.100 trabalhadores. Este valor representa um aumento de 21.500 pessoas face a outubro e de 195.800 pessoas em comparação com o mesmo mês de 2024.

A taxa de desemprego fixou-se em 5,7%, menos 0,1 pontos percentuais do que no mês anterior e menos 0,9 pontos percentuais em termos homólogos. A população ativa superou os 5,6 milhões de pessoas, refletindo o facto de a criação de emprego ter superado a redução do número de desempregados.

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