Terça-feira, Julho 21, 2026
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Financiar o crescimento: mais importante do que obter capital é escolher o capital certo

Por: Tiago Braga, co-fundador e New Business Start PME


As PME são o motor da economia portuguesa. Representam praticamente a totalidade do tecido empresarial nacional e são responsáveis por uma parte significativa do emprego e da riqueza gerada no país. Mas crescer continua a ser um dos seus maiores desafios. E, na maioria dos casos, crescer exige financiamento. A questão que as empresas devem colocar não é apenas onde encontrar dinheiro. A verdadeira questão é perceber qual o instrumento de financiamento mais adequado à fase do negócio, aos objetivos do investimento e ao risco que estão dispostas a assumir.

Nos próximos meses, as oportunidades serão significativas. O Portugal 2030 prevê a abertura de centenas de avisos, mobilizando milhares de milhões de euros para áreas como inovação, digitalização, sustentabilidade, internacionalização e eficiência energética. Paralelamente, o mercado bancário continua a disponibilizar soluções de crédito para investimento e tesouraria, enquanto investidores privados procuram projetos com potencial de crescimento e escalabilidade.

No entanto, a existência de financiamento disponível não significa que todas as empresas estejam preparadas para o captar. Na prática, muitas PME começam a procurar financiamento apenas quando surge uma necessidade urgente ou quando o investimento já está decidido. É precisamente aqui que surgem alguns dos erros mais comuns.

Antes de qualquer candidatura, negociação bancária ou abordagem a investidores, a empresa deve ter clareza sobre o que pretende financiar, qual o montante necessário, quando precisará do capital e qual o retorno esperado. Sem esta reflexão prévia, o risco de escolher o instrumento errado aumenta significativamente.

Os fundos comunitários podem ser uma excelente solução para projetos de inovação, modernização produtiva ou internacionalização, reduzindo o esforço financeiro da empresa. Contudo, exigem preparação, enquadramento estratégico e capacidade de cumprir critérios de elegibilidade cada vez mais exigentes.

O crédito bancário continua a desempenhar um papel fundamental, sobretudo quando existe previsibilidade de receitas e capacidade de reembolso. Porém, mais importante do que obter aprovação é garantir que as condições negociadas são sustentáveis para a realidade da empresa.

Já a entrada de investidores representa uma lógica diferente. Para além do capital, traz conhecimento, rede de contactos e potencial de aceleração. Em contrapartida, implica partilha de decisão, maior exigência de reporte e expectativas claras de valorização futura.

Na verdade, a melhor solução raramente passa por escolher apenas uma destas opções. Em muitos casos, as estratégias mais eficazes combinam diferentes instrumentos: fundos para apoiar o investimento, crédito para reforçar liquidez e investidores para acelerar o crescimento ou a internacionalização.

O financiamento deve ser encarado como uma ferramenta ao serviço da estratégia empresarial e não como um objetivo em si mesmo. As empresas que melhor aproveitam as oportunidades disponíveis não são necessariamente aquelas que têm os projetos mais ambiciosos, mas sim as que chegam mais preparadas.

Num contexto de crescente competitividade e exigência, financiar o crescimento deixou de ser apenas uma questão de acesso a capital. É, acima de tudo, uma decisão de gestão. E essa decisão pode determinar a velocidade, a sustentabilidade e até o sucesso do crescimento de uma empresa.

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