Segunda-feira, Agosto 17, 2026
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Fortinet alerta para campanha de malware bancário dirigida a Portugal e Espanha 

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

A empresa norte-americana Fortinet, especializada em soluções de cibersegurança, identificou uma campanha ativa de malware bancário que está a visar utilizadores de aplicações bancárias online em Portugal e Espanha. Segundo a empresa, em comunicado, o software malicioso, disfarçado como um ficheiro ou programa legítimo para convencer o utilizador a instalá-lo, recorre a técnicas como phishing, geofencing, esteganografia e mecanismos de evasão para roubar informação sensível e permitir o controlo remoto dos dispositivos infetados.  

De acordo com a Fortinet, a campanha representa uma evolução nas estratégias utilizadas pelos cibercriminosos. “Esta campanha demonstra como os grupos de cibercriminosos estão a tornar-se cada vez mais sofisticados na forma como chegam às suas vítimas. Ao combinar os dados de localização geográfica, a análise comportamental e os mecanismos de distribuição de malware em múltiplas fases, os grupos de cibercrime reduzem significativamente a probabilidade de deteção, aumentando simultaneamente a eficácia das suas operações”, refere a empresa no comunicado.  

Nesta campanha, o ataque começa com um ficheiro PDF de phishing que encaminha as vítimas para uma página fraudulenta, a partir da qual é descarregado o malware apenas quando são cumpridos critérios específicos. “Essa página avalia o idioma, o fuso horário, o endereço IP e outros indicadores do ambiente do utilizador antes de decidir se avança com o processo de infeção. Os utilizadores fora de Espanha e Portugal têm o acesso bloqueado”, explica a Fortinet. 

Entre as instituições financeiras visadas encontram-se a Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, BPI, Novobanco, Santander, BBVA e CaixaBank.  

“O malware oferece aos atacantes um conjunto alargado de capacidades, incluindo captura de ecrã, controlo remoto dos dispositivos infetados, monitorização do teclado, manipulação da área de transferência (clipboard) e apresentação de mensagens fraudulentas concebidas para induzir os utilizadores a divulgar informações sensíveis”, afirma ainda a empresa. 

Além disso, os domínios são alterados diariamente, “tornando mais difícil a deteção da ameaça e o rastreio da infraestrutura maliciosa”, acrescenta a Fortinet. 

 
 
Ciberataques têm sido foco de preocupação das empresas 

O alerta surge numa altura em que os ciberataques lideram as preocupações das empresas em Portugal. Segundo o estudo D&O; Directors & Officers Liability da WTW (Willis Towers Watson), multinacional britânica especializada em gestão de risco e corretagem de seguros , 90% dos administradores e gestores empresariais nacionais apontam os ciberataques como o principal risco para as organizações, seguindo-se a perda de dados (83%) e a insolvência ou dificuldades financeiras (77%).  

Além disso, o estudo indica que os riscos associados à inteligência artificial estão a ganhar relevância. Em Portugal, 67% dos gestores consideram a IA um risco muito ou extremamente importante, sobretudo devido ao potencial para gerar erros, desinformação e desafios de governação.  

Para André Paraíso Vicente, Head of FINEX Portugal da WTW, citado no comunicado da empresa, “os gestores portugueses estão particularmente atentos aos riscos tecnológicos, com os ciberataques e a perda de dados a liderarem destacadamente as suas preocupações”. O responsável acrescenta que este cenário “reflete não só a crescente digitalização das organizações, mas também uma maior consciência do impacto financeiro, operacional e reputacional associado a incidentes cibernéticos”.

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