Segunda-feira, Agosto 17, 2026
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Fractional leadership: porque é que mais startups dispensam executivos a tempo inteiro

Por: Ana Marisa Vieira


O modelo de fractional leadership está a ganhar terreno junto de startups e scale-ups que procuram acelerar o crescimento sem suportar os custos de contratar executivos a tempo inteiro. Sofia Correia de Sousa, fractional leader na HappyFact, membro do board da ANJE e cofundadora da W35, explica por que razão este modelo está a tornar-se uma alternativa aos cargos executivos tradicionais e defende que Portugal precisa de investir mais cedo no empreendedorismo.


Sofia Correia de Sousa foi a convidada do podcast Founder Tales, sobre empreendedorismo em português com histórias reais, lições concretas, sem filtros, publicado na última quinta-feira. Liderar uma empresa sem pertencer exclusivamente à sua estrutura pode parecer contraditório. No entanto, é precisamente esse o princípio do fractional leadership, um modelo que começa a afirmar-se em Portugal e que já é comum em mercados como os Estados Unidos.

É neste contexto que trabalha Sofia Correia de Sousa, que divide o seu tempo entre a HappyFact, onde é Head of Business Development e fractional leader, o board da ANJE e a W35, comunidade dedicada a apoiar mulheres fundadoras de startups.

Segundo explica, um fractional leader integra a equipa de uma empresa, participa na definição da estratégia e na execução dos objetivos, mas sem um vínculo laboral permanente. O objetivo passa por responder a desafios específicos de crescimento durante períodos normalmente entre seis e 24 meses.

“É uma pessoa que tem um pé dentro e outro fora da empresa”, resume.


Uma alternativa aos C-level tradicionais

Para Sofia Correia de Sousa, o modelo responde a uma realidade cada vez mais comum nas startups: a necessidade de aceder a experiência de gestão sem assumir os custos de contratar um executivo sénior em permanência.

Em vez de recrutar um Chief Marketing Officer (CMO), Chief Growth Officer (CGO) ou outro perfil executivo a tempo inteiro, as empresas recorrem a especialistas capazes de liderar equipas e processos durante fases críticas do negócio, como internacionalização, crescimento acelerado ou preparação para investimento.

Além da componente financeira, aponta outra vantagem: reduzir o risco de contratar um perfil que deixe de fazer sentido poucos meses depois, numa realidade onde as prioridades das startups mudam rapidamente.

Liderar várias empresas sem perder o foco

Embora trabalhe em diferentes organizações, Sofia Correia de Sousa garante que o segredo está na limitação do número de projetos.

Na HappyFact, cada fractional leader acompanha, no máximo, três empresas em simultâneo, permitindo manter proximidade com as equipas e foco nos resultados.

A experiência acumulada em diferentes startups acaba, aliás, por ser uma vantagem competitiva.

“O que aprendo numa empresa consigo aplicar noutra”, explica, defendendo que esta partilha de conhecimento acelera a aprendizagem e a resolução de problemas.

ANJE: há programas de apoio que continuam pouco conhecidos

Enquanto membro do board da ANJE, Sofia Correia de Sousa considera que existe um problema de comunicação em torno dos programas públicos de apoio ao empreendedorismo.

Na sua opinião, Portugal dispõe de diversas iniciativas dirigidas a jovens empreendedores, escolas e universidades, mas muitas acabam por passar despercebidas por falta de divulgação.

Defende também que o contacto com o empreendedorismo deve começar mais cedo.

“Quanto mais cedo se começa, mais cedo se erra e mais cedo se aprende”, afirma, sublinhando a importância de levar mais exemplos de empreendedores às escolas e criar mais modelos de referência para os jovens.

W35 quer apoiar a próxima geração de fundadoras

Foi precisamente dessa necessidade que nasceu a W35, comunidade criada para apoiar young women founders e empreendedoras que lançam a sua primeira startup.

A iniciativa pretende responder a um problema de representatividade. Segundo Sofia Correia de Sousa, apenas uma pequena parte do investimento europeu de capital de risco chega a empresas fundadas por mulheres, percentagem que diminui ainda mais quando se trata de fundadoras jovens.

Mais do que promover networking, a comunidade aposta em mentorias, workshops, partilha de experiências e apoio prático em temas como financiamento, crescimento, construção de equipas e desenvolvimento de produto.

O objetivo passa por reduzir o isolamento vivido por muitos fundadores e acelerar a aprendizagem das novas gerações de empreendedores.

Assim, para Sofia Correia de Sousa, o fractional leadership continuará a crescer à medida que mais startups procuram soluções flexíveis para escalar o negócio.

Num contexto de maior pressão sobre custos e necessidade de crescimento rápido, acredita que o acesso temporário a executivos experientes poderá tornar-se uma opção cada vez mais frequente para empresas tecnológicas e de elevado potencial de crescimento.

 

 

Founder Tales é um podcast sobre empreendedorismo com histórias reais, lições concretas, sem filtros. A PME Magazine é parceira de media.

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