InícioMercadoEconomiaGoverno decreta situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela depressão Kristin

Governo decreta situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela depressão Kristin

Por: Ana Marisa Vieira


O Conselho de Ministros, que se encontra a decorrer esta manhã, decidiu decretar a situação de calamidade nas áreas mais atingidas pela depressão Kristin, lê-se em comunicado enviado às redações. 

A decisão foi avançada pelo gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que irá ainda hoje visitar as zonas afetadas nos distritos de Leiria e Coimbra.

Em consequência da gravidade da situação, o chefe do Governo cancelou a agenda externa prevista para os próximos dias, que incluía deslocações a Andorra e à Croácia.


Kristen provoca seis vítimas mortais 

A depressão Kristin deixou um rasto de destruição em Portugal, com seis mortes diretas confirmadas: quatro em Leiria, uma em Silves e outra em Vila Franca. Até à noite de quarta-feira, a Proteção Civil registou mais de 5.400 ocorrências, mobilizando cerca de 18 mil operacionais no terreno.

Os impactos estenderam-se a infraestruturas críticas, com estádios danificados, aviões destruídos e linhas ferroviárias suspensas. Várias regiões, incluindo Leiria e Coimbra, sofreram cortes de energia significativos, tendo mais de um milhão de portugueses ficado temporariamente sem eletricidade.

A maior rajada de vento associada à tempestade atingiu 178 km/h, registada na Base Aérea de Monte Real, batendo o anterior recorde nacional de 176,4 km/h, registado durante a tempestade Leslie, em 2018.


AIP pede recuperação célere

Perante o impacto no tecido empresarial, a Associação Industrial Portuguesa (AIP) manifestou “profunda preocupação” com os danos registados em instalações, equipamentos e atividade económica, alertando para dificuldades acrescidas na retoma da normalidade e riscos para a competitividade das empresas.

A AIP apelou ao Governo para a adoção urgente de medidas extraordinárias de apoio às empresas afetadas, defendendo que é essencial garantir uma recuperação célere, preservar postos de trabalho e evitar o encerramento de unidades produtivas estratégicas para o desenvolvimento regional.

A associação propôs ainda a criação de grupos de trabalho envolvendo a AIP, associações empresariais regionais e as Comunidades Intermunicipais (CIM), com o objetivo de inventariar prejuízos, discutir soluções e monitorizar a aplicação das medidas.

Também a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) alertou para negócios em risco, sobretudo pequenos produtores, com produções destruídas, apelando a uma resposta rápida do Governo e à utilização de fundos comunitários para minimizar os danos.

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