InícioMercadoEconomiaGoverno propõe taxa de 33% sobre lucros extraordinários das petrolíferas

Governo propõe taxa de 33% sobre lucros extraordinários das petrolíferas

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

O Governo propõe aplicar uma taxa de 33% aos lucros considerados extraordinários das empresas dos setores do petróleo bruto e da refinação. A Contribuição de Solidariedade Temporária sobre o Setor Petrolífero (CSTSP) incidirá sobre a parcela dos resultados de 2026 que exceda em mais de 20% a média dos lucros registados nos dois anos anteriores. A proposta de lei foi entregue na Assembleia da República dia 15 de setembro, de acordo com a informação adiantada pelo ECO, e terá ainda de ser apreciada pelos deputados.

A medida, que tem caráter excecional e temporário, aplica-se apenas ao período de tributação de 2026. Segundo o Governo, a contribuição deverá ser apurada e paga até ao final de setembro de 2027.

De acordo com o ECO, a proposta prevê que sejam abrangidas empresas que desenvolvam atividades nos setores do petróleo bruto e da refinação e que apresentem, em 2026, um aumento dos lucros tributáveis superior a 20% face à média de 2024 e 2025. A taxa de 33% será aplicada à parcela que ultrapasse esse limite.

Receita destinada a medidas de apoio

A criação da contribuição surge num contexto de subida dos preços dos combustíveis, que tem pressionado os custos de famílias e empresas de vários setores. O Governo argumenta que, em simultâneo, as atividades de extração e refinação de produtos petrolíferos têm registado lucros considerados extraordinários.

A receita obtida com a nova contribuição deverá ser utilizada para financiar medidas destinadas a mitigar o impacto do aumento dos preços dos combustíveis. O Governo tinha já indicado, quando aprovou a medida em julho, que os fundos seriam direcionados para apoiar os agentes económicos mais afetados e para investimentos em eficiência energética e descarbonização.

Segundo o ECO, a proposta entregue no Parlamento prevê que a receita seja afeta ao Fundo Ambiental e ao Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP). O dinheiro deverá financiar medidas adotadas depois de 28 de fevereiro de 2026.

Entre os destinatários previstos estão empresas de transporte de mercadorias e empresas de transporte de passageiros com obrigações de serviço público, além de famílias, bombeiros e entidades do setor social.

Para as empresas de transporte, o impacto poderá ser mais direto, uma vez que estão entre os setores identificados para receber medidas financiadas pela receita da contribuição.

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