Terça-feira, Julho 21, 2026
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GPT-5, o que muda e como as PME podem aproveitar

Por: Helena Schlindwein


No dia 7 de agosto, a OpenAI apresentou a quinta geração da sua tecnologia de inteligência artificial, responsável por dar vida ao ChatGPT. Segundo a empresa, esta evolução marca um avanço tecnológico substancial face ao GPT-4 e às versões que o antecederam.

Agora é como conversar com um especialista, um verdadeiro especialista com nível de doutorado em qualquer área de que você precise, sob demanda, capaz de ajudar você em qualquer objetivo que tenha”, comentou Sam Altman, CEO da OpenIA.

Para entender um pouco mais sobre as mudanças desta nova atualização, em resposta à PME Magazine, André F. Costa, professor universitário, formador e mentor de Inteligência Artificial e Tecnologias Digitais, apresentou as principais inovações do modelo, destacando avanços em precisão, contexto e a integração com ferramentas externas.

 

Redução de cerca de 45% nas chamadas “alucinações”

Nesse momento, o GPT-5 introduz uma experiência unificada, eliminando a necessidade de alternar manualmente entre diferentes modelos. “O próprio sistema identifica e seleciona a versão mais adequada para cada tarefa, tornando a utilização mais simples e intuitiva, com direito a um acesso gratuito limitado”.

A precisão também foi reforçada, “com uma redução de cerca de 45% nas chamadas “alucinações” em relação ao GPT-4”. Além disso, o sistema passou a oferecer respostas mais transparentes, explicando claramente quando se recusa a responder por motivos de segurança.

O GPT-5 consegue entender e acompanhar melhor o que está sendo dito ao longo de uma conversa mais longa, sem perder o foco ou o assunto principal. Além disso, ele é capaz de realizar tarefas difíceis de forma mais rápida e ainda consegue ajustar a forma como responde o tom e o conteúdo, de acordo com o que a pessoa já disse antes e com o objetivo que ela tem na conversa

A interação com o GPT-5 ficou mais natural, apresentando respostas menos repetitivas, com maior fluidez e sem o uso excessivo de linguagem desnecessária ou símbolos irrelevantes.

Além disso, a capacidade multimodal foi bastante aprimorada, permitindo que o sistema interprete simultaneamente textos e imagens, o que amplia suas aplicações em setores como marketing, design e suporte técnico.

Por fim, o GPT-5 traz automação inteligente, integrando-se com ferramentas externas, como Gmail e Google Calendar, para realizar ações e criar fluxos de trabalho automáticos, facilitando processos e economizando tempo, explicou ainda André F. Costa, professor universitário.

 

Dificuldade em obter bons resultados para tarefas simples

Embora o lançamento do GPT-5 tenha trazido avanços na tecnologia de inteligência artificial, a nova versão também enfrentou críticas logo após sua introdução.

De acordo com André F. Costa os principais problemas encontrados foram:

Qualidade inconsistente – O sistema que seleciona automaticamente o modelo (“router”) apresentou falhas iniciais, resultando em respostas, por vezes, inferiores às do GPT-4o

Erros factuais básicos – Foram registados erros simples, como lapsos de ortografia e geografia, levantando dúvidas sobre a fiabilidade em contextos críticos.

Menor controlo para o utilizador – A remoção da possibilidade de escolher modelos anteriores gerou descontentamento, sobretudo entre quem tinha fluxos de trabalho otimizados para essas versões.

Perceção de “downgrade” – Parte da comunidade considera o GPT-5 menos detalhado e com respostas mais genéricas, apesar das promessas de melhoria.

“Nas minhas próprias tarefas e testes, confirmei parte destas limitações, notando dificuldade em obter bons resultados para tarefas simples. Contudo, também observei melhorias recentes, por exemplo, na revisão deste texto, o desempenho foi mais consistente. A OpenAI já anunciou correções e ajustes, incluindo o restauro parcial de modelos antigos e maior estabilidade, mas continua a ser recomendável que as PME testem o GPT-5 em cenários controlados antes de o integrar em processos de negócio críticos”, concluiu André F. Costa

 

PME podem utilizar LLM para melhorar diversas áreas do seu negócio

André F. Costa defendeu que “a utilização de Grandes Modelos de Linguagem (LLM) já está ao alcance de pequenas e médias empresas, abrindo oportunidades”.

As PME podem utilizar Grandes Modelos de Linguagem (como o GPT) para melhorar várias áreas do seu negócio. Essas ferramentas permitem automatizar tarefas como atendimento ao cliente e agendamento, criar conteúdos personalizados rapidamente, analisar dados para tomar melhores decisões, apoiar na formação interna e na comunicação, além de ajudar na segurança digital ao monitorar ameaças em tempo real.

“O investimento inicial pode ser reduzido, recorrendo a soluções cloud e APIs prontas a usar, dispensando infraestrutura própria”, sublinhou o professor universitário André F. Costa.

 

Mercado oferece alternativas de IA para PME

Embora o ChatGPT seja a ferramenta de inteligência artificial mais conhecida, o mercado oferece diversas alternativas que podem ser especialmente vantajosas para pequenas e médias empresas (PME), dependendo das suas necessidades específicas.

André F. Costa explicou sobre cada uma dessas ferramentas, destacando suas principais funcionalidades e diferenças:

Google Gemini – Forte integração com o ecossistema Google (Gmail, Drive, Docs, Meet), permitindo criar, analisar e resumir conteúdos diretamente nas ferramentas que muitas empresas já utilizam. Oferece também capacidades multimodais (texto, imagem, voz e vídeo).

Microsoft 365 Copilot – Totalmente integrado com Word, Excel, PowerPoint, Outlook e Teams. Ideal para automatizar relatórios, criar apresentações, analisar dados e gerir comunicações sem sair do ambiente Microsoft.

Claude (Anthropic) – Respostas detalhadas, boa integração com ferramentas de produtividade e aplicações em atendimento, marketing e análise. Permite criar produtos digitais (sites e apps) totalmente funcionais a partir de instruções em texto, com foco em clareza e segurança. 

Perplexity – Plataforma de pesquisa com IA que combina resultados em tempo real com fontes verificadas e detalhadas, ideal para encontrar rapidamente informação fiável para estudos de mercado, benchmarking, relatórios e apoio à decisão.

Notebook LM – Ferramenta da Google que cria resumos em texto, áudio e vídeo a partir de conteúdos próprios (PDFs, documentos, artigos, etc.), permitindo personalizar respostas e gerar apresentações ou materiais de apoio de forma rápida.

Modelos open-source (Mistral, Llama 3, DeepSeek R1, etc.) – Permitem personalização, treino adicional com dados internos e maior controlo sobre a privacidade. Podem ser executados localmente ou na cloud, adaptando-se a necessidades específicas.

Ferramentas SaaS (Copy.ai, Jasper, Sora) – Especializadas em criação de textos, imagens, vídeos ou campanhas de marketing com baixo esforço técnico e sem necessidade de grandes investimentos.

“A escolha deve basear-se nas necessidades concretas da empresa, testando diferentes soluções para encontrar o melhor equilíbrio entre custo, flexibilidade e resultados” concluiu André F. Costa.

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