Quinta-feira, Julho 16, 2026
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Há mais pessoas a trabalhar no setor automóvel em Portugal 

Por: Redação

De acordo com um estudo da Randstand, a produção automóvel destaca-se por gerar empregos estáveis e qualificados, pagar melhor e desempenhar um papel estratégico na transição tecnológica e no fortalecimento industrial nacional.

O estudo reuniu dados sobre emprego, salários, estrutura empresarial, distribuição por género, qualificação profissional e desigualdades entre os segmentos de produção e comércio. Além disso, apresenta comparações com anos anteriores, incluindo informações salariais de 2023 e a evolução registada nos últimos 20 anos.

 

Setor automóvel emprega mais de 200 mil pessoas

Segundo o levantamento divulgado, no primeiro trimestre de 2025 o setor automóvel empregava 203,2 mil pessoas, representando um ligeiro aumento de 0,2% em relação ao trimestre anterior. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela produção de veículos automóveis, que registou uma subida de 1,7% nos primeiros três meses do ano, em contraste com uma queda de 0,5% nas atividades de comércio, manutenção e reparação de veículos.

O segmento de comércio, manutenção e reparação representa 64,6% do total de empregos, com 131,2 mil trabalhadores. Já a produção automóvel, por ser mais especializada, emprega 72 mil pessoas (35,4%), concentrando-se em regiões específicas e com maior intensidade tecnológica.

Ao contrário de setores mais dependentes do turismo, o setor automóvel apresenta uma baixa sazonalidade.

Em fevereiro de 2025, representava apenas 2% do total de desempregados registados nos Centros de Emprego. A tendência, no entanto, varia consoante a atividade: o desemprego no segmento de comercialização de veículos diminuiu, totalizando 2.528 pessoas, enquanto na produção registou um aumento, atingindo 3.518 desempregados.

 

Maior parte dos profissionais ainda são homens 

A remuneração média no setor automóvel registou um crescimento de 61,9% nos últimos 20 anos e de 8,1% apenas no último ano, refletindo a crescente necessidade de atrair talento qualificado. Em 2023, o salário médio na área da produção alcançou os 1.759,95 euros, enquanto no comércio foi de 1.426,67.

Essa diferença salarial entre os dois segmentos aumentou para 332 euros, evidenciando a maior qualificação exigida nas funções ligadas à produção.

Apesar do aumento salarial, o setor automóvel continua a apresentar uma distribuição de género desigual, 77% dos profissionais são homens e apenas 23% são mulheres.

No que diz respeito às qualificações, o setor automóvel destaca-se pela elevada presença de profissionais qualificados (43,7%) e semiqualificados (22,7%), o que impulsiona a aposta na formação contínua e no desenvolvimento técnico. Por outro lado, os quadros superiores, intermédios e as chefias representam uma proporção menor, refletindo o foco operacional e técnico da atividade.

“O setor automóvel mostra sinais positivos de estabilidade e valorização profissional, especialmente no segmento da produção, onde os salários e a qualificação continuam a subir. No entanto, o desequilíbrio de género e a dificuldade em atrair talento jovem e diverso mantêm-se como grandes desafios. Para garantir a competitividade futura, o setor terá de investir em inclusão e formação contínua, acompanhando a transformação tecnológica e as exigências de um novo perfil de trabalhador”, comentou Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad.

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