InícioEmpresas"Hoje a cortiça foi até à Lua, amanhã poderá estar em Marte"...

“Hoje a cortiça foi até à Lua, amanhã poderá estar em Marte” – Corticeira Amorim

Por: Ana Marisa Vieira


Passados 30 dias sobre a missão Artemis II, a cortiça portuguesa destaca-se como um dos materiais críticos que garantiram a segurança da nave, reforçando o papel da indústria nacional na cadeia de valor aeroespacial. 

A Artemis II, a primeira missão tripulada a orbitar a Lua em mais de meio século, contou com a participação da indústria portuguesa com a Corticeira Amorim a fornecer a cortiça utilizada no sistema de proteção térmica da nave Orion.

Para António Rios de Amorim, presidente e CEO da Corticeira Amorim, este marco não deve ser visto apenas como um feito pontual, mas como um sinal claro de maturidade tecnológica. “A presença da cortiça nesta missão confirma que Portugal consegue desenvolver materiais críticos para as aplicações mais exigentes do mundo”, afirma em entrevista à PME Magazine.

“Hoje a cortiça foi até à Lua, amanhã poderá estar em Marte” acredita António Rios de Amorim, destacando o desenvolvimento de compósitos de cortiça adequados a cada avanço tecnológico.

Para entrar na cadeia de distribuição da NASA, a empresa conta com duas unidades de produção de materiais para aeroespacial, uma em Mozelos, Santa Maria da Feira e outra em Trevor, Winsconsin, nos Estados Unidos da América. Em ambas as linhas produtivas, “garantimos sempre a consistência nos parâmetros de processo, bem como as propriedades finais, para que o material possa manter a sua performance numa aplicação tão exigente como esta, em que falhar não é uma opção”.

Tirada de cortiça
Tirada de cortiça (Foto Divulgação)

Validação em ambiente real reforça confiança

Num setor altamente regulado como o aeroespacial, a validação em voo é determinante. A Artemis II funcionou como um teste em condições reais para materiais como o compósito de cortiça P50, já utilizado na Artemis I.

“A continuidade entre missões demonstra uma coisa essencial: desempenho comprovado. No aeroespacial, nada é mantido por inércia — tudo é reavaliado”, sublinha António Rios de Amorim.

A cortiça atua como material ablativo, ou seja, degrada-se de forma controlada sob temperaturas extremas, formando uma camada protetora que reduz a transferência de calor para as estruturas críticas da nave.


Material natural no centro da engenharia avançada

Apesar da sua origem natural, a cortiça utilizada nestas aplicações resulta de um processo de engenharia altamente especializado. Combinada com resinas de alto desempenho, transforma-se num compósito leve, resistente ao fogo e capaz de absorver energia mecânica.

“O que temos aqui é a convergência entre natureza e tecnologia. A cortiça oferece propriedades únicas que, quando potenciadas por engenharia avançada, respondem a requisitos extremos”, explica o CEO.


Oportunidade estratégica para a indústria portuguesa

Para a NASA, a seleção de materiais é um processo rigoroso e altamente competitivo. Para Portugal, integrar esta cadeia de fornecimento representa uma oportunidade estratégica.

“A participação em programas como o Artemis posiciona-nos num ecossistema global de inovação. Abre portas a novas aplicações e a novos mercados”, defende António Rios de Amorim.

E o impacto destas tecnologias não se limita ao setor espacial. A empresa tem vindo a aplicar compósitos de cortiça em áreas como mobilidade elétrica, energia, construção e indústria automóvel.

“Os desenvolvimentos feitos para o espaço acabam por ter efeito multiplicador noutras indústrias. É assim que se cria valor económico a partir de inovação de base tecnológica”, afirma.


Sustentabilidade como fator diferenciador

Num contexto em que a indústria procura materiais mais sustentáveis, a cortiça surge com uma vantagem clara: é natural, renovável e reciclável.

“O futuro da engenharia de materiais passa por soluções que conciliem desempenho e sustentabilidade. A cortiça está bem posicionada para responder a esse desafio”, conclui António Rios de Amorim.

PODE GOSTAR DE LER
Continue to the category
PME MAGAZINE SUGERE
Continue to the category
PUB

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

NEWSLETTER

spot_imgspot_img
PUB

SUSTENTABILIDADE

Continue to the category