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Hotéis para animais: um negócio que vai além do alojamento

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

Viajar de férias já não implica necessariamente deixar o animal de estimação aos cuidados de familiares ou amigos. Em Portugal, os hotéis para cães e gatos têm vindo a transformar-se num negócio com cada vez mais serviços associados: alojamento, transporte, banhos, tosquias, alimentação premium e até treino. Os períodos de maior procura correspondem aos meses de verão e levam alguns espaços a atingir taxas de ocupação próximas dos 100%, mas há também serviços específicos para o inverno.

Dados divulgados pela Fixando, em comunicado, mostram que a procura por hotéis para animais e serviços de pet sitting aumentou 62% em julho face ao mês anterior, depois de ter crescido 27% em junho. A plataforma estima ainda que um hotel para animais tenha atualmente um custo médio de 106 euros por semana. Mas os valores podem variar significativamente consoante o espaço, a época do ano e os serviços contratados.

Na Quinta da Patada, que tem unidades em Santo Antão do Tojal, Loures, e em Cerejo, Pinhel, a diária de um cão custa 20 euros, passando para 24 euros na época alta, enquanto famílias com vários animais têm um desconto de 30% a partir do segundo cão. O espaço disponibiliza ainda duas modalidades de alojamento: o regime de hotel, com boxes individuais ou familiares, e o chamado “acãopamento”, pensado para cães sociáveis que passam o dia em grupos compatíveis.

“A procura pelos serviços da Quinta da Patada tem registado um crescimento consistente ao longo dos últimos anos”, explica Daniel Gameiro, CEO da empresa, à PME Magazine. Segundo o responsável, nos períodos de maior procura, como verão, Natal, passagem de ano, carnaval e Páscoa, a lotação máxima é frequentemente atingida “com várias semanas ou até meses de antecedência”.

A pressão sobre a oferta também é visível noutros momentos. “Continuamos, no entanto, a receber muitos pedidos de última hora”, afirma Daniel Gameiro, atribuindo parte desta procura a clientes que recorrem pela primeira vez a um hotel ou que procuram alternativas depois do encerramento de espaços não licenciados.

Um negócio que vai além do alojamento

Nos hotéis para animais, a estadia é apenas uma parte do negócio. Transporte, grooming, alimentação diferenciada, treino e acompanhamento personalizado são alguns dos serviços que permitem aumentar o valor de cada reserva.

Na Quinta da Patada, os serviços adicionais mais procurados são o transporte de recolha e entrega, o banho no final da estadia e os planos de alimentação premium. Há, contudo, atividades que não são tratadas como extras.

“Todos os cães têm acesso a períodos regulares de passeio, exercício e enriquecimento ambiental”, explica o CEO. Os cães sociáveis podem integrar os grupos de “acãopamento”, enquanto os restantes têm momentos individuais de lazer e atividade.

No Valverde Hotel, em Bucelas, Loures, que está no mercado desde 2002, a tabela de preços de 2026 mostra a diversidade de serviços que pode ser acrescentada à estadia. O alojamento de um cão custa 23,50 euros por dia em época baixa e 26,50 euros em época alta, enquanto dois cães na mesma box custam 36,50 e 42,50 euros, respetivamente. A alimentação pode ser acrescentada por 7,50 euros por cão.

A oferta do Valverde inclui ainda passeios extra, transporte, banhos e tosquias, toldos e boxes aquecidas no inverno. Nessa altura do ano, os serviços mais procurados são precisamente “os toldos e o serviço de recolha”, adianta João Paulo Barba, CEO do hotel. A empresa tem ainda uma profissional de grooming permanente, responsável pelos banhos e tosquias.

Entre os restantes extras estão o play time, entre 12,50 e 15 euros, o aquecimento da box ou um toldo, ambos a 20 euros, e tratamentos entre 70 e 75 euros por hora. Um banho custa 60 euros em época baixa e 66,50 euros em época alta, enquanto a tosquia tem o mesmo preço. A empresa disponibiliza ainda treino, administração de medicamentos, fotografias e vídeos, transporte e acompanhamento a consultas médico-veterinárias.


Verão leva ocupação para perto dos 100%

O aumento da procura tem impacto direto na capacidade dos hotéis. Na Quinta da Patada, a estrutura dispõe de 32 boxes, mas consegue receber até 70 cães e 12 gatos em simultâneo. Existem ainda duas áreas de “acãopamento”, com capacidade para cerca de 20 animais cada.

“Durante os períodos mais procurados do ano (…) registamos taxas de ocupação próximas dos 100%”, afirma Daniel Gameiro.

No Valverde, a capacidade ronda os 70 hóspedes em permanência e, no verão, a taxa de ocupação situa-se habitualmente entre 96% e 98%. A empresa diz ter registado um crescimento de 32% na época alta deste ano face ao mesmo período de 2025, embora o período ainda só termine no final de setembro.

“A procura dos nossos serviços tem crescido ao longo dos anos de uma forma constante e até com consistência”, refere João Paulo Barba, lembrando que o Valverde está no mercado há mais de 23 anos.

A sazonalidade continua, contudo, a ser determinante. “Tratando-se de uma actividade que em muito depende do clima, as pessoas normalmente só viajam quando está bom tempo”, explica o responsável do Valverde. O inverno passado, marcado pela sucessão de tempestades, teve por isso um impacto negativo na ocupação.


Oferta inclui serviços para os donos

A dimensão do negócio também pode ser medida pelo número de animais que passam pelos espaços. O Valverde recebe cerca de 12.500 cães por ano, segundo o CEO.

Na Quinta da Patada, a empresa emprega atualmente cinco colaboradores e afirma ter registado um crescimento anual da faturação entre 10% e 20%, acompanhando a subida da procura.

Os números mostram assim um negócio que combina uma forte componente sazonal com uma oferta cada vez mais diversificada. E a estratégia passa não apenas por garantir um local onde os animais possam ficar durante as férias, mas por transformar a estadia num serviço completo.

Na Quinta da Patada, essa lógica estende-se mesmo aos próprios donos. O espaço criou uma Escola para Donos de Cães, destinada a ajudar os tutores a compreender e prevenir problemas comportamentais.

“Mais do que um hotel para animais, a Quinta da Patada é um espaço onde cães, gatos e pessoas encontram equilíbrio, natureza e bem-estar”, resume Daniel Gameiro.

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