IA nas PME: o caminho para a inovação e crescimento sustentável

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Luís Manuel Ribeiro, presidente do Conselho de Administração do CESAE DIGITAL
Luís Manuel Ribeiro, presidente do Conselho de Administração do CESAE DIGITAL (Foto Divulgação)

Por: Luís Manuel Ribeiro, presidente do Conselho de Administração do CESAE DIGITAL


As pequenas e médias empresas (PME) representam 99,9% do tecido empresarial português, sendo responsáveis por cerca de 78% do emprego no setor privado e por mais de 60% do volume de negócios gerado em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), “Empresas em Portugal 2022”. São, por isso, atores centrais na economia nacional, e, claro, os mais pressionados a acompanhar o ritmo da inovação digital.

A Inteligência Artificial (IA), hoje mais acessível e escalável do que nunca, pode ser uma alavanca para esse salto competitivo, mas está longe de estar democratizada.

De acordo com o Digital Economy and Society Index (DESI) 2022, apenas 8% das PME da União Europeia utilizam tecnologias de IA, estando Portugal ligeiramente abaixo da média europeia, com cerca de 6% das PME a adotarem este tipo de soluções. Acredito que esta discrepância evidencia, acima de tudo, duas realidades: um enorme potencial ainda por explorar e, claro, o risco de muitas empresas ficarem para trás nesta corrida.

O uso da IA está hoje presente em ferramentas simples que ajudam a prever tendências de consumo, automatizar processos administrativos, melhorar a experiência do cliente ou reduzir desperdícios. Na grande maioria dos casos, não é necessária uma equipa especializada ou grandes investimentos para implementar estas soluções, mas sim que os decisores tenham noção do seu valor estratégico.

Contudo, e trabalhando na área da formação, um dos maiores obstáculos continua a ser a falta de competências digitais. O Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação nas Empresas (INE, 2023), reforça isso mesmo, ou seja, revela que apenas 24% das empresas portuguesas, com 10 ou mais pessoas ao serviço, têm colaboradores com competências avançadas em TIC. Infelizmente, nas PME, esta percentagem é ainda mais baixa.

Na minha ótica, o desafio que se impõe é claro: garantir que as nossas PME não só têm acesso à tecnologia, mas também à formação e capacitação humana necessárias para dela retirarem valor. Porque, não nos enganemos, não basta digitalizar, é preciso compreender, integrar e tirar partido da tecnologia para resolver problemas concretos. É neste contexto que a IA pode e deve ser um dos principais vetores da modernização das PME. Com ela, estas empresas podem competir com maior agilidade, melhorar a sua produtividade e responder de forma mais rápida às exigências do mercado. Mas esse caminho exige também políticas públicas de apoio à qualificação digital, incentivos à inovação e, acima de tudo, uma mudança de mentalidades.

Programas transformadores como o Líder + Digital, o Digital Reskilling ou o Cheque Formação + Digital, e tantos outros, são instrumentos fundamentais para aquele efeito de modernização que as organizações empresariais tanto precisam!

A Inteligência Artificial está a mudar a forma como trabalhamos, produzimos e tomamos decisões. Se for bem usada, pode tornar-se o motor de um crescimento mais inteligente, inclusivo e sustentável. Para isso, é fundamental que as PME portuguesas não fiquem de fora desta nova Era — porque, no digital, ficar parado é andar para trás.