Quarta-feira, Agosto 12, 2026
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IA pode gerar até 500 mil milhões de euros por ano até 2028

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

A Inteligência Artificial (IA) poderá desbloquear entre 580 e 615 mil milhões de dólares (cerca de 493 e 523 mil milhões de euros ao câmbio atual) por ano até 2028 através de aplicações ligadas ao clima e à sustentabilidade, de acordo com um estudo da Boston Consulting Group. A análise, feita a nível global, conclui que a próxima fronteira do investimento sustentável poderá estar na utilização de IA para aumentar a eficiência de sistemas complexos e, simultaneamente, gerar retorno económico e impacto ambiental ou social mensurável.

De acordo com o estudo The Private Capital Opportunity in AI-Enabled Climate and Sustainability Sectors da BCG, empresa norte-americana de consultoria de gestão, em parceria com a Temasek, empresa de investimento de Singapura, a maior oportunidade encontra-se na área da eficiência industrial, com um potencial estimado de cerca de 255 mil milhões de euros por ano.

Segundo o estudo, a aplicação de IA em áreas como a manutenção preditiva, a otimização de processos, a gestão energética e o controlo de qualidade poderá ajudar as empresas a reduzir custos, emissões e desperdícios, enquanto aumentam a produtividade e a resiliência das operações.


Eficiência industrial concentra maior potencial

O risco climático surge como a segunda maior oportunidade identificada no estudo, com um potencial estimado de cerca de 64 mil milhões de euros anuais até 2028. Neste caso, segundo a BCG e a Temasek, a IA poderá cruzar grandes volumes de dados para melhorar a avaliação e antecipação de riscos físicos associados às alterações climáticas, com aplicações em setores como os seguros, as infraestruturas, a energia e a logística.

Na área da transição energética, o estudo estima que a gestão inteligente das redes elétricas, o armazenamento e a flexibilidade dos sistemas possam representar uma oportunidade de cerca de 27,2 mil milhões de euros por ano. De acordo com o relatório, a IA poderá ser utilizada para otimizar o funcionamento de baterias, melhorar a monitorização de ativos, reduzir congestionamentos e facilitar a integração de energias renováveis nas redes.

A análise identifica ainda a educação inclusiva e a descoberta de materiais como áreas com potencial estratégico. Segundo o estudo, a primeira poderá representar uma oportunidade de 11 mil milhões de euros, através de aplicações que permitam personalizar a aprendizagem, reduzir tarefas administrativas e ampliar o acesso à educação em contextos com poucos recursos.

Já a descoberta de materiais poderá gerar cerca de 2,5 mil milhões de euros, ao acelerar o desenvolvimento de soluções para áreas como baterias, captura de carbono, agricultura e biotecnologia.

“A grande mudança é que, com a IA, sustentabilidade e performance empresarial deixam de ser agendas separadas: passam a reforçar-se mutuamente”, afirma Carlos Elavai, Managing Director & Partner da BCG em Lisboa.

 

Empresas que adotam IA podem capturar a maior fatia do valor

Segundo o estudo, a ligação entre eficiência económica e sustentabilidade é um dos fatores que está a redefinir as oportunidades de investimento neste setor. Quando a IA permite reduzir o desperdício de energia e materiais ou otimizar a utilização do tempo e dos ativos, as empresas poderão obter simultaneamente ganhos financeiros e ambientais.

Um dos pontos destacados pela análise prende-se precisamente com a distribuição do valor criado pela IA. De acordo com a BCG e a Temasek, a maior parte do valor deverá ser capturada pelas empresas que aplicam a tecnologia nos seus próprios processos, e não necessariamente pelos fornecedores de soluções de IA. O estudo estima que estes últimos deverão ficar com apenas 15% a 25% do valor total gerado.

Na prática, o que o estudo aponta é que empresas de energia, seguradoras, fabricantes e operadores de infraestruturas poderão beneficiar da aplicação de IA através da redução de custos, de uma melhor utilização dos ativos, da criação de novas receitas e da melhoria dos processos de decisão.

Segundo o relatório, esta realidade poderá abrir novas oportunidades para o investimento privado, tanto em empresas desenvolvedoras de soluções de IA como em organizações que integrem a tecnologia nas suas operações e ativos.

Apesar do potencial identificado, o estudo alerta para alguns obstáculos que poderão condicionar a adoção destas soluções. Entre os principais desafios estão a confiança nos modelos de IA, a qualidade e disponibilidade dos dados, a perda de desempenho ao longo do tempo, a incerteza regulatória e as questões de responsabilidade associadas a decisões críticas.

Ainda assim, segundo a análise da BCG e da Temasek, a pressão sobre os custos energéticos, a necessidade de aumentar a eficiência dos recursos, os riscos climáticos e a procura por maior resiliência operacional deverão continuar a impulsionar a utilização de IA em aplicações relacionadas com o clima e a sustentabilidade.

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