Quinta-feira, Julho 16, 2026
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Imigrantes contribuem mais do que recebem da Segurança Social

Por: Redação 

Os imigrantes têm um impacto significativo na economia portuguesa, ocupando vagas em setores com falta de mão de obra e contribuindo para o equilíbrio demográfico e financeiro do sistema de Segurança Social, de acordo com um estudo da Randstad.

O estudo intitulado Mitos e Realidades sobre a Migração e o Mercado de Trabalho reuniu dados que mostram que os imigrantes ocupam, sobretudo, funções em setores com escassez de mão de obra ou pouco procurados pelos portugueses, como a agricultura, a hotelaria e os serviços de apoio.

Embora quase 30% desses trabalhadores exerçam funções não qualificadas, a sua contribuição para a economia é significativa. Só em 2024, os imigrantes geraram um saldo positivo de 2.958 milhões de euros para a Segurança Social, contribuindo com 3.645 milhões e recebendo apenas 687 milhões em prestações.

“Este estudo demonstra, com base em dados concretos, que os trabalhadores migrantes são uma força vital para a economia portuguesa — contribuindo para o rejuvenescimento demográfico, preenchendo lacunas no mercado de trabalho e assegurando a sustentabilidade do sistema de proteção social”, afirmou Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal.

 

Saldo positivo de quase 3 mil milhões de euros

Em 2024, os imigrantes contribuíram com 3.645 milhões de euros para a Segurança Social, recebendo apenas 687 milhões em prestações sociais. Este saldo positivo de 2.958 milhões de euros desmonta a ideia de que os imigrantes representam um encargo para o Estado português.

Além disso, o estudo mostra que os imigrantes ocupam sobretudo funções em setores com escassez de mão de obra ou menor atratividade para os portugueses. Setores como a agricultura, hotelaria e serviços administrativos concentram grande parte destes trabalhadores: na hotelaria, por exemplo, os estrangeiros representam 18,3% da força de trabalho, contra 8,7% dos portugueses.

Apesar disso, quase 30% dos imigrantes estão em funções não qualificadas, o dobro da proporção dos trabalhadores portugueses (14,5%). Esta realidade, em muitos casos, não reflete a escolaridade destes profissionais: 31,6% dos estrangeiros em Portugal têm ensino superior, uma percentagem superior à média europeia (27,4%).

 

Quase 40% dos estrangeiros têm contratos temporários

O estudo também evidencia que os estrangeiros estão sobrequalificados para os cargos que exercem. Enquanto a taxa de sobrequalificação entre os trabalhadores nacionais é de 15,7%, entre os imigrantes atinge os 42,8%.

35,8% dos estrangeiros têm contratos temporários, mais do dobro da média nacional (15,9%), e estão mais expostos ao desemprego: no primeiro trimestre de 2025, a taxa de desemprego dos estrangeiros era de 11,9%, quase o dobro da registada na população total (6,6%).

Apesar destes obstáculos, a taxa de desemprego de longa duração é significativamente menor entre estrangeiros: apenas 20,2% dos desempregados imigrantes estavam nessa situação, contra 36,9% na população geral.

 

População estrangeira triplicou em 10 anos

Em 2023, Portugal ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de residentes estrangeiros, representando 9,8% da população total. Trata-se de um crescimento de mais de 33% num único ano e de uma triplicação da população estrangeira na última década.

Mais de 55% destes imigrantes têm entre 20 e 44 anos, em contraste com os apenas 29% da população portuguesa nessa faixa etária, o que reforça o papel da imigração no rejuvenescimento da pirâmide etária nacional.

“Ao promover uma compreensão mais informada, queremos combater mitos e valorizar o papel essencial que estas pessoas têm no desenvolvimento do país”, comentou Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal.

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