Terça-feira, Agosto 18, 2026
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Influenciar não é manipular

Por: Rui Machado, Performance mental e consciência 

Existe uma linha ténue entre influenciar e manipular. Influenciar não é manipular, mas, no entanto, quando manipulamos exercemos influência. Vou dar aqui alguns exemplos para que fique mais claro, sem querer manipular [risos].

A manipulação dá-se quando influenciamos intencionalmente, quando nos comportamos de determinada maneira visando obter um resultado que já foi deliberado por nós, os que queremos manipular.

Habitualmente o medo, a culpa, a chantagem e/ou as mentiras (alterar informações ou dados), são usados para distorcer algo ou o tornar mais favorável ao ponto de vista do manipulador.

De forma mais concreta, manipular é quando exercemos influência sobre o comportamento ou as decisões de outra(s) pessoa(s), geralmente de maneira negativa ou para benefício próprio, enganando ou explorando as vulnerabilidades dessa(s) pessoa(s).

Na verdade, podemos ser influenciados por crenças ou ideias de pessoas das quais jamais ouvimos falar. E, de facto, somos. Pensa, por exemplo, num anúncio de perfumes. Seria suposto que dessem relevo à fragância, mas o que vemos são corpos de modelos. Qual a intenção por detrás? Podem estar a sugerir, mesmo que ao nosso subconsciente, que o perfume nos vai transformar em alguém tão atraente, elegante e desejável quanto os modelos do anúncio. Não será também uma forma de manipulação?…

Por outro lado, é completamente possível influenciar sem manipular.
Vejamos, no contexto laboral, manipulamos ou influenciamos mais os nossos colegas e equipas?

Se estamos a impor o nosso ponto de vista; quando dizemos que é assim que se faz, não dando espaço à opinião do outro; quando gozamos com o colega porque achamos que sabemos mais que ele; não serão formas de manipular? Seja porque queremos implementar algo de determinada forma, ou porque não somos confiantes o suficiente, ou porque não aprendemos a comunicar respeitando as diferenças de cada um.

E será que já não vimos fazer tudo isto de outra forma? Uma ocasião em que ouviram o nosso ponto de vista, incentivaram a nossa opinião, partiram do princípio de que, mesmo tendo mais experiência que nós, isso não significa ter as melhores ideias? E perante alguém que estava a SER o exemplo, até nos passou pela cabeça “um dia quero ser como o meu colega/chefia/patrão”. Até pode não ter sido a nossa ideia a prevalecer, mas a forma como o processo foi feito fez a toda a diferença.

Então a proposta aqui é definir uma intenção para o que queremos. A intenção é como um farol em terra que nos guia e indica o caminho que vamos seguir. Repara na seguinte analogia: imagina que estás em alto mar, sem qualquer orientação, e queres chegar a terra, mas não sabes para onde direcionar o teu barco. Agora imagina o mesmo cenário, mas no qual vês um farol e, independentemente do que acontecer, sabes qual a direção a tomar. Podes não tomar essa direção, mas terás lá o farol, a tua intenção, para te guiar.
Depois, mesmo indo em direção ao farol, tens a agitação marítima que pode ter imensas variações consoante o percurso. Vais querer controlar essa agitação (externa a ti), alterando as marés, ziguezagueando entre as ondas, fazendo tudo para colocar a corrente a teu favor (manipular)? Ou gerir o teu barco (emoções, sentimentos, comportamentos), que é aquilo que podes controlar, influenciando a forma como escolhes estar e que te vai levar ao objetivo?

No tema que aqui exponho, para além do que fazemos, conta a forma como o fazemos, a intenção que levamos.

No final do dia, será ter essa intenção que nos vai guiar entre influenciar ou manipular.
Voltando ao contexto laboral, quando falo com alguém, posso pedir assim: “Gostava de ter o teu ponto de vista sobre este tema, porque as tuas ideias irão acrescentar ainda mais valor à empresa”. Ou posso pedir de outra forma: “Gostava de ter teu ponto de vista, porque se não contribuíres com ideias, a empresa não evolui e as pessoas não se desenvolvem, ficando mais desconectadas (culpa), o que levará à extinção de postos de trabalho (medo)”. Neste exemplo fica bastante evidente a diferença!

Ter consciência da forma como estamos numa empresa, passa muito por entender quem queremos SER durante cada dia, como escolhemos fazer o caminho, e depois passar a mensagem através do exemplo. Porque as pessoas olham o que fazemos e não o que dizemos.

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