InícioOpiniãoInternacionalizar para construir uma economia competitiva e global

Internacionalizar para construir uma economia competitiva e global

Por: Rui Miguel Nabeiro, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, parte do livro “71 Vozes pela Liderança”, do Iscte Executive Education


Apesar de alguns bons exemplos, não existe ainda uma verdadeira cultura de construção de marcas que se tornem globais a partir do nosso país. Muitas vezes falta apenas aos nossos empresários um pouco mais de confiança e determinação para que possam olhar para fora e para que transformem as suas PME em grandes empresas. Temos condições privilegiadas para estarmos na vanguarda da inovação, para levar as nossas empresas a esse pelotão da frente a nível internacional.

A internacionalização é, ou deveria ser, a base da economia portuguesa. A sua importância tem crescido a cada ano que passa. Nos últimos tempos, observámos um relativo abrandamento das exportações portuguesas, ainda que não a níveis especialmente preocupantes. Por isso mesmo, tendo em conta o contexto político e económico mundial, e da Europa em particular, a construção de marcas fortes globais é cada vez mais um imperativo.

A guerra na Ucrânia e a incerteza em relação ao seu futuro são, naturalmente, a fonte das maiores preocupações e um dos principais desafios que ocupam as mentes dos nossos empresários, gestores e políticos quando se olha para o contexto internacional. O nível de disrupção económica e comercial que esta guerra provocou já nos tem apresentado obstáculos muito complexos nos últimos quase três anos e não é possível, para já, perceber como e quando se chegará a uma resolução deste conflito. Mas este não é o único desafio, infelizmente.

Assistimos a uma potencial crise económica na Alemanha, nosso parceiro comercial fundamental e o motor económico do continente europeu. A juntar a isto, o país está a braços com um contexto político muito instável. Este é um cenário que se poderá
verificar, também, noutros países europeus.

Ou seja, a pergunta que nos devemos fazer – e que as empresas portuguesas se devem questionar – é como crescer internacionalmente, apesar destas circunstâncias? Não podemos ficar simplesmente parados, à espera que as nuvens negras passem para voltar às dinâmicas anteriores que tantos frutos nos deram durante décadas.

A internacionalização é o que realmente desafia as nossas empresas e o que dinamiza a nossa economia. É igualmente por meio dela que se potencia a inovação, a competitividade e, no final do dia, a construção de marcas fortes com origem em Portugal. Estes são
fatores cruciais para a criação de uma economia sustentável e realmente dinâmica, capaz de gerar prosperidade.

No contexto atual, descrito em cima, a diversificação dos mercados torna-se imperativa. Isto porque as oportunidades são ainda muitas e a internacionalização é, sem dúvida, o campo no qual a margem de crescimento é maior. A Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP), por exemplo, oferece, anualmente, um programa de missões internacionais que tem, precisamente, este objetivo: levar empresas portuguesas a conhecer novos mercados, procurando atualizar-se a cada ano, abrindo portas a novos
negócios e novas dinâmicas de internacionalização.

Este esforço para capacitar as empresas a lançarem-se a novas geografias deve ser um imperativo para todas as entidades públicas ou privadas que têm como objetivo dinamizar a economia nacional. 

Os benefícios que a abertura de novas relações comerciais e empresariais além-fronteiras traz não se cingem aos novos negócios e, Internacionalizar para construir uma economia competitiva e global consequentemente, a novas fontes de receita, mas também ao acesso
a novas culturas, conhecimento, inovação e talento. Tudo isto tem um enorme valor para as empresas e para o país.

Na conjuntura atual, o sucesso das nações a nível internacional é uma condição fundamental para o seu crescimento económico. Nas dinâmicas impostas pela globalização, emergem novos protagonistas e novas parcerias estratégicas.

Neste contexto, a transformação positiva do empresariado português, que superou adversidades e conquistou novos mercados, alicerçou-se de maneira decisiva no dinamismo das exportações e dos processos de internacionalização das empresas nacionais.

É por isso que a internacionalização tem sido, ao longo dos últimos anos, um dos pilares de atuação da Câmara de Comércio. Somos um parceiro de referência para a internacionalização e incremento das exportações das empresas portuguesas e queremos reforçar esse papel a cada ano que passa e trazer outras entidades e outras pessoas para este esforço, que deve ser coletivo.

Portugal tem uma riqueza cultural e histórica que é reconhecida em todo o mundo, mas ainda não conseguiu capitalizar plenamente essa vantagem competitiva no campo económico. Enquanto muitos países europeus da nossa dimensão – e com população mais
pequena – têm marcas globais, Portugal ainda está a dar os primeiros passos nesse sentido.

Para que Portugal possa construir marcas fortes é necessário que as empresas invistam na criação de valor e na inovação, para que os seus produtos e serviços se destaquem da concorrência. Além disso, é preciso investir em marketing e comunicação, para que as marcas portuguesas possam ser conhecidas em todo o mundo.

Esta é uma lacuna que identificamos em Portugal. Apesar de alguns bons exemplos, não existe ainda uma verdadeira cultura de construção de marcas que se tornem globais a partir do nosso país. Muitas vezes falta apenas aos nossos empresários um pouco mais de
confiança e determinação para que possam olhar para fora e para que transformem as suas PME em grandes empresas, eventualmente também mediante processos de fusão, que se internacionalizam, que carregam o nome de Portugal, que tornam a nossa economia mais competitiva, mais produtiva, que cria mais e melhor emprego e que, no fundo, torna o nosso país mais desenvolvido e com uma posição de maior destaque no mundo.

Temos condições privilegiadas para estarmos na vanguarda da inovação, para levar as nossas empresas a esse pelotão da frente a nível internacional. Não é impossível e os nossos melhores exemplos assim o demonstram. Basta ambição e visão, aproveitando o
melhor que o nosso país tem para oferecer.

 

 
O livro “71 vozes pela Internacionalização” vai ser lançado esta quinta-feira, dia 5 de junho, na Praça Leya, na Feira do Livro de Lisboa, às 18h30.
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