Segunda-feira, Agosto 17, 2026
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Investimento em capital de risco abranda no início de 2026

 
Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

O investimento em empresas em fase inicial registou um abrandamento no primeiro semestre de 2026, tanto em número de operações como em volume investido, de acordo com o barómetro de investimento em early stage, divulgado pela Investors Portugal a 1 de julho. Ainda assim, os investidores acreditam que a atividade deverá recuperar na segunda metade do ano, apesar de salientarem a existência de dificuldades na captação de capital e a persistente falta de incentivos públicos ao setor registadas. 

Segundo o barómtero, 76% dos investidores indicam que o número e o volume de investimentos realizados entre janeiro e junho foram inferiores aos registados no segundo semestre de 2025. Apesar da desaceleração, cerca de três quartos dos participantes esperam um desempenho mais favorável nos próximos meses.  

Em declarações à PME Magazine, a presidente da Investors Portugal, Lurdes Gramaxo, explica que o principal fator por detrás desta quebra foi o contexto mais difícil para a obtenção de financiamento. “A dificuldade no levantamento de capital foi um dos principais fatores, tendo a maioria dos investidores registado condições mais adversas do que no semestre anterior, numa inversão da tendência observada no final de 2025.” 

O estudo mostra igualmente que, embora o acesso a oportunidades de investimento continue a ser considerado positivo por 60% dos investidores, este indicador também recuou face ao semestre anterior. Paralelamente, 68% dos inquiridos afirmam ter sentido maiores dificuldades no levantamento de capital, contrariando a tendência de maior facilidade observada no final de 2025.  

 

Há otimismo para o segundo semestre 

Apesar dos resultados menos positivos no arranque do ano, os investidores mantêm uma perspetiva favorável para os próximos meses. Segundo o barómetro, 68% antecipa um aumento tanto no número como no volume de investimentos. 

Para Lurdes Gramaxo, este sentimento é sustentado pela continuidade das oportunidades existentes no mercado. “Apesar de um primeiro semestre exigente, os investidores mantêm uma perspetiva positiva para a segunda metade do ano (…). Parte desse sentimento explica-se por se manter em bom nível o acesso a oportunidades de investimento.” 

Já as perspetivas relativas aos exits – operações de venda ou saída dos investidores das empresas – são mais cautelosas. Menos de metade dos investidores (48%) manifesta expectativas positivas para este indicador, refletindo, de acordo com o comunicado da Investors Portugal, uma redução do otimismo face ao início do ano.  
 

Fim do SIFIDE indireto continua a preocupar investidores 

O barómetro também evidencia uma avaliação negativa do papel das políticas públicas no desenvolvimento do ecossistema de investimento em early stage. Entre as medidas consideradas prioritárias pelos investidores estão a criação de novos incentivos fiscais, mecanismos de coinvestimento público e privado e soluções que reforcem a captação de capital nacional e estrangeiro.  

Uma das principais preocupações do setor continua a ser o fim do SIFIDE indireto, mecanismo que permitia canalizar investimento privado para fundos de capital de risco. 

“Até 2024, o SIFIDE indireto foi uma poderosa alavanca para a captação de capital pelos fundos de capital de risco. O fim deste mecanismo, sem que tenha sido substituído por outros instrumentos que promovam a mobilização de capital privado, como é prática comum noutros ecossistemas europeus mais desenvolvidos, terá, tal como a Investors Portugal antecipou, consequências negativas na atividade de investimento. É, por isso, expectável um abrandamento gradual, com impactos negativos para todo o ecossistema”, afirma Lurdes Gramaxo. 

Segundo a associação, a criação de um instrumento alternativo ao SIFIDE indireto poderá contribuir para reforçar a capacidade de financiamento das empresas em fase inicial e aumentar a competitividade do ecossistema português de inovação. 

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