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Juros da dívida pública sobem e Capitalizar alerta PME para custos de financiamento

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

O aumento previsto dos encargos com juros da dívida pública em 2027 poderá reduzir a margem de manobra das contas do Estado e manter a pressão sobre as condições de financiamento da economia. A Capitalizar alertou, em comunicado, para a necessidade das empresas, sobretudo as PME, anteciparem necessidades de financiamento e reverem a estrutura da dívida.

Segundo as projeções do Ministério das Finanças, os encargos com juros da dívida pública deverão aumentar 776 milhões de euros em 2027, face a 2026, depois do Estado prever gastar cerca de 7,1 mil milhões de euros em juros este ano. A concretizar-se, será o sexto ano consecutivo de aumento desta despesa desde a pandemia, de acordo com os dados divulgados pela consultora.

O contexto surge numa altura em que as taxas exigidas pelos investidores pela dívida portuguesa também registaram uma subida. De acordo com dados citados pela Capitalizar, a 15 de setembro a yield das obrigações portuguesas a dez anos atingiu 3,922%, enquanto as taxas a dois e cinco anos atingiram máximos de vários anos.

Para a consultora, a evolução dos encargos com a dívida pública deve ser acompanhada pelas empresas pelo potencial impacto no contexto de financiamento. A Capitalizar considera ainda que uma maior pressão sobre a despesa com juros poderá limitar a margem disponível para futuras medidas de incentivo fiscal ou de apoio às empresas.

“O aumento do custo da dívida pública é um sinal de que o contexto financeiro mudou e que as empresas não devem assumir que o acesso ao financiamento continuará a ser feito nas mesmas condições dos últimos anos”, afirma José Pedro Pais, Partner da Capitalizar.

Segundo o responsável, para as PME torna-se particularmente importante antecipar necessidades de tesouraria, rever a estrutura de financiamento e avaliar o custo efetivo da dívida existente.

Empresas devem antecipar necessidades de financiamento

Num cenário de maior incerteza sobre a evolução das taxas de juro, a Capitalizar recomenda uma abordagem mais preventiva à gestão financeira.

Entre as prioridades apontadas estão a revisão das condições dos financiamentos existentes, a avaliação da estrutura e maturidade da dívida, a antecipação das necessidades de liquidez e o planeamento financeiro a médio prazo. A recomendação é dirigida sobretudo às PME com maior exposição a financiamento bancário.

“A gestão da dívida deixa de poder ser vista apenas como uma questão financeira ou de tesouraria. Num contexto de juros mais elevados e maior pressão sobre as contas públicas, passa a ser uma componente estratégica da gestão empresarial”, sublinha José Pedro Pais.

O responsável defende que as empresas devem evitar esperar por uma situação de pressão sobre a tesouraria para renegociar ou procurar financiamento. “Antecipar a necessidade de financiamento e negociar condições antes de existir pressão sobre a tesouraria pode fazer uma diferença relevante na capacidade de uma empresa investir e crescer”, acrescenta.

Para a Capitalizar, a evolução dos juros da dívida pública é um indicador que as empresas devem acompanhar, num momento em que decorre a preparação do OE2027. O Banco de Portugal salienta que o custo aparente da dívida pública portuguesa, indicador que relaciona a despesa com juros com a dívida média, passou de 5,8% em 2000 para 2,3% em 2025, embora tenha registado interrupções em períodos de subida das taxas de juro, nomeadamente em 2023 e 2024

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