Sábado, Agosto 15, 2026
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“Levar os jogos para o mundo empresarial como ferramenta de formação e desenvolvimento de equipas” – Cuboo

Por: Ana Vieira


Num mercado corporativo em constante transformação, as empresas procuram metodologias inovadoras para formar equipas, desenvolver competências e reforçar a sua cultura organizacional. Foi precisamente neste contexto que nasceu a Cuboo Experience, uma empresa que aposta no Game Based Learning como ferramenta de aprendizagem e desenvolvimento profissional.

Fundada em 2017 por Thiago Barrionuevo e Amanda Barrionuevo, e com sede em Cascais, a Cuboo alia a paixão pelos jogos à experiência acumulada no mundo corporativo. O objetivo é claro: levar o poder do jogo para dentro das empresas, promovendo experiências imersivas que vão além da diversão e que se traduzem em maior colaboração, motivação e retenção de conhecimento.

Através de escapes digitais, jogos e dinâmicas personalizadas, a empresa tem demonstrado que jogar pode ser uma forma séria, eficaz e transformadora de aprender.

 

PME Magazine (PME Mag.) – Como nasceu a ideia da Cuboo Experience e o que motivou a apostar no Game Based Learning como metodologia de formação?

Thiago Barrionuevo (T. B.) – Tenho mais de 15 anos de experiência em grandes empresas no Brasil. Trabalhei na Basf, depois na Sky e, por fim, na PPG, uma das maiores indústrias de tintas do mundo, onde fui gestor de uma equipa de 10 pessoas. Sempre participei de diversas formações, treinamentos e teambuildings ao longo da carreira.

“(…) a missão de levar os jogos para o mundo empresarial como ferramenta de formação e desenvolvimento de equipas”

Desde criança sempre fui apaixonado por jogos. Depois desses 15 anos no mundo corporativo, tive a experiência de jogar um Escape Room no Brasil e percebi que poderia adaptar aquilo para o ambiente corporativo. A partir dessa ideia, eu e a Amanda, minha esposa e sócia, estruturamos um plano de negócio e fundamos a Cuboo em 2017, com a missão de levar os jogos para o mundo empresarial como ferramenta de formação e desenvolvimento de equipas, de forma divertida, criativa e transformadora.


PME Mag. – Quais foram os principais desafios de levar esta abordagem inovadora às empresas e como foi a aceitação do mercado?

T. B. – Chegamos em Portugal em 2020 e o maior desafio foi justamente o momento da nossa chegada: desembarcamos 30 dias antes da pandemia, com uma proposta baseada em jogos presenciais, especialmente escapes em salas de reunião ou auditórios. De repente, esse modelo deixou de ser viável.

A virada aconteceu quando criamos um escape digital em três idiomas (português, inglês e espanhol). Esse produto nos permitiu atender empresas em mais de 20 países, de Portugal aos Estados Unidos e por toda a América Latina, justamente porque era algo inovador e necessário naquele contexto.

Outro desafio sempre foi desconstruir a ideia de que “jogo é apenas brincadeira”. O Game Based Learning é uma metodologia séria, baseada em neurociência e estudos de motivação humana. Ele promove engagement profundo, gera insights valiosos e transforma comportamentos de forma prática. O processo de educar e mostrar os benefícios tem sido gradual, mas cada vez mais gestores e RH percebem o valor estratégico dessa abordagem.


PME Mag. – De que forma o Game Based Learning contribui para aumentar a ligação entre equipas e a retenção de conhecimento em comparação com métodos mais tradicionais de formação?

T. B. – Nos primeiros minutos, os participantes ainda estão receosos, mas logo entram no chamado “círculo mágico” do jogo, entregam-se à experiência e começam a trabalhar em equipa com naturalidade. O ambiente é controlado, permite testar, errar e aprender com o erro, algo fundamental para a construção de confiança.

Diferente de formações passivas, em que a atenção se dispersa facilmente, o jogo exige foco e participação ativa. Cada decisão impacta diretamente no resultado, e isso mantém todos totalmente envolvidos. Essa intensidade favorece a retenção do conhecimento: o que se vive em jogo não se esquece.

Além disso, o workshop ou debriefing pós-jogo é essencial. Nele, conectamos as atitudes, escolhas e habilidades praticadas dentro do jogo com os desafios reais da empresa. É nesse momento que os aprendizados são traduzidos em ações concretas para o dia a dia.


PME Mag. – Com experiências em mais de 200 empresas, qual o TOP 3 das experiências desenvolvidas e porquê?

T. B. – É difícil escolher, mas destaco três realizadas em Portugal:

1. Transformação Digital em um museu – Um jogo para 250 pessoas dentro do Museu do MAAT, com atores, personagens, futuros alternativos e várias mecânicas de jogos. A experiência combinou entretenimento e reflexão sobre transformação digital, resultando em alto impacto e grande satisfação do cliente.

2. Escape itinerante em Lisboa – Reuniu 400 pessoas divididas em 35 subequipas, espalhadas em sete pontos da cidade. Usando geolocalização e mecânicas de caça ao tesouro, elas precisavam cooperar e, ao final, uniram-se em um único ponto para simbolizar a reestruturação da empresa. Um jogo grandioso, com narrativa de missão especial e integração total.

3. Olimpíadas da Logística – Criado para centros de distribuição, trabalhou ergonomia, segurança e processos logísticos. Os desafios eram 100% conectados à rotina dos colaboradores e terminavam em um jogo rápido que testava todos os conhecimentos adquiridos de forma divertida. Foi uma forma inédita de transformar um tema técnico em algo envolvente e prático.

“Outro destaque são os processos seletivos, em que muitas já recorreram aos nossos jogos para identificar talentos”.

Além dessas experiências diferenciadas, também realizamos diversos teambuildings e jogos, tanto presenciais quanto digitais, que promovem forte conexão entre os participantes. Conduzimos workshops de 4 a 8 horas com equipas, programas de líderes, estagiários e trainees, sempre com o objetivo de desenvolver as competências essenciais para o trabalho. Temos clientes como MEO, Fidelidade, Hovione, Novadis, etc. Outro destaque são os processos seletivos, em que muitas já recorreram aos nossos jogos para identificar talentos. Nesse formato, os candidatos revelam quem realmente são ao interagir, comunicar e liderar durante o jogo, o que torna a avaliação muito mais assertiva do que um simples teste de respostas certas ou erradas.


PME Mag. – Quais são as competências mais trabalhadas através das vossas experiências e de que forma elas se conectam com os objetivos estratégicos das empresas?

T. B. – Trabalhamos essencialmente soft skills: trabalho em equipa, comunicação, criatividade, empatia, escuta ativa, responsabilidade e accountability, além de estratégia, gestão de recursos e planeamento.

Dependendo da necessidade, também personalizamos jogos para conteúdos técnicos, como jornadas de pacientes em saúde ou boas práticas de fabricação em indústrias. Nos processos seletivos, por exemplo, os jogos revelam comportamentos autênticos dos candidatos, permitindo avaliar liderança, colaboração e tomada de decisão em tempo real.

Assim, cada experiência conecta competências humanas fundamentais com os objetivos estratégicos da empresa, seja na formação de líderes, integração de equipas ou disseminação de cultura organizacional.

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