Segunda-feira, Agosto 17, 2026
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Liderar face às exigências da sustentabilidade

Por: Maria Júlia Nunes, fundadora e CEO da inSoul e do projeto Abraçar a Paz, coautora do livro Organizações Sustentáveis 360º (PACTOR editora)


A volatilidade dos mercados e a complexidade do trabalho, em conjunto com a integração da sustentabilidade como elemento prioritário da liderança, obriga a uma revisão metodológica em todos os quadrantes da função de liderança, bem como do seu impacto em toda a cadeia organizacional.

As pessoas são sistemas complexos, raramente alinhados, e a natureza humana revela-se na sua evolução e propósito. Contudo, o medo de não corresponder às próprias expetativas ou às que se julga que os outros têm, o medo da exposição ou uma deficiente autoestima, são alguns dos inimigos mais poderosos no desenvolvimento de uma mentalidade de crescimento e vontade clara de aprender, reconhecer pontos fracos e celebrar os fortes, numa melhoria contínua de consciência e valor.

Observando a função de liderança numa perspetiva sistémica, esta diferencia-se na sua natureza e posição específica, competência e atributos humanos, mentais e emocionais inerentes ao cumprimento das suas tarefas. Vemos que ser líder começa na capacidade de desenhar um caminho mútuo onde propósito, estratégia e resultados geram um alinhamento conjunto de estabilidade, ação e performance.

É neste contexto que a necessidade do autodesenvolvimento surge como prioridade. Líderes que não têm uma boa relação consigo mesmos tendem a estar em conflito ou a enviesar o apreço aos outros.

O autodesenvolvimento assume-se, portanto, como um roteiro que visa a descoberta interior para se traduzir em impacto real e duradouro e conceber uma dinâmica fluida em todo ambiente em que se movimenta.

Ser líder é uma função exercida por pessoas, também elas a necessitarem de propósito, relevância e estabilidade. Dificilmente se pode dar o que não se tem e, por isso, a proposta do autodesenvolvimento é o tronco firme da árvore, cujos ramos irradiam em diferentes abordagens, com consistência e firmeza.

Entre as vantagens da adoção do autodesenvolvimento na liderança sustentável, destaca-se o aumento de capacidades criativas, a consciência individual e coletiva, a compreensão do propósito e uma melhor gestão das emoções.

Não há como fugir a novos aprendizados. O mundo corporativo integra os conceitos de sustentabilidade, que questionam os objetivos do negócio e lhe impõem a necessidade de um propósito e de um modelo sistémico orgânico, que une e alinha pessoas, planeta e lucro. E surge ainda a integração da Inteligência Artificial em tudo isto.

Num panorama de crescente complexidade, cabe a cada líder desenvolver o seu padrão existencial. Uma eficiente auto-liderança e um autodesenvolvimento robusto são recursos de energia, foco e visão para quem lidera rumo à sustentabilidade coletiva.

O papel da liderança nas organizações sustentáveis é uma temática abordada no livro Organizações Sustentáveis 360º – Estratégia, Operações, Finanças e Liderança, que propõe uma reflexão sobre os modelos de desenvolvimento consciente, colaborativo e duradouro.

 

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