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Menos de 50% das empresas portuguesas têm uma visão total dos custos tecnológicos

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

Apenas 47% das organizações portuguesas afirmam ter uma visão completa dos custos associados à tecnologia, incluindo custos indiretos e compromissos futuros, segundo o estudo Tech Reality Check 2026, da Conclusion. Portugal fica assim abaixo da Alemanha (71%) e de Espanha (56%), mas acima dos Países Baixos (35%).

O estudo, realizado em fevereiro de 2026, envolveu 1.058 decisores de IT de organizações de Portugal, Alemanha, Espanha e Países Baixos. A análise preta uma atenção particular ao controlo dos custos tecnológicos, soberania e resiliência digital, utilização de dados e adoção de Inteligência Artificial.

Apesar de a maioria das organizações afirmar ter uma perceção dos custos associados à tecnologia, os resultados mostram diferenças quando são considerados custos indiretos e compromissos futuros. Segundo o estudo, 85% das organizações dos quatro mercados analisados dizem ter uma visão amplamente ou totalmente completa dos custos com base no Total Cost of Ownership (TCO).

A análise mais abrangente dos custos, contudo, reduz essa percentagem. A Alemanha apresenta o valor mais elevado, com 71% das organizações a afirmarem ter uma visão completa dos custos tecnológicos. Seguem-se Espanha, com 56%, Portugal, com 47%, e os Países Baixos, com 35%.

“Ter visibilidade sobre os custos da tecnologia não significa apenas saber quanto se investe em infraestrutura, software ou serviços. É fundamental compreender também os custos indiretos, os compromissos futuros e o valor que esses investimentos geram para o negócio”, afirma Célia Vieira, Managing Director da Conclusion Iberia.

Desempenho técnico pesa nas decisões de investimento

Apesar da menor percentagem de organizações com uma visão completa dos custos, Portugal apresenta os valores mais elevados dos quatro mercados analisados em dois dos critérios considerados na decisão sobre investimentos tecnológicos.

O desempenho técnico é apontado por 51% das organizações portuguesas como um dos principais critérios de investimento, enquanto 46% referem o contributo da tecnologia para os objetivos do negócio.

Os dois indicadores registam, segundo o estudo, as percentagens mais elevadas entre os quatro países analisados.

Dependências e riscos continuam a ser desafios

A análise da Conclusion abrange ainda o controlo sobre a infraestrutura tecnológica. Neste domínio, 46% das organizações portuguesas afirmam ter uma visão completa das dependências críticas da sua infraestrutura, a percentagem mais baixa entre os quatro mercados analisados.

Também a avaliação dos riscos associados às diferentes jurisdições apresenta uma percentagem inferior em Portugal, sendo que 32% dos inquiridos dizem ter integrado estes riscos em grau muito elevado, novamente o valor mais baixo entre os quatro países.

Por outro lado, 49% das organizações portuguesas afirmam já ter uma política ativa de soberania digital, indicador que, segundo o estudo, está alinhado com a média europeia analisada.

Os resultados apontam assim para diferenças entre a forma como as organizações portuguesas avaliam o desempenho e impacto empresarial da tecnologia e a profundidade com que analisam os custos, dependências e riscos associados aos investimentos tecnológicos.

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