Quarta-feira, Agosto 12, 2026
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Mercado de escritórios cresce no Porto impulsionado por PME

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

O mercado de escritórios do Porto está a ganhar dinamismo, com a procura a ser impulsionada sobretudo por pequenas e médias empresas, segundo a informação divulgada pela Dils, em comunicado. No segundo trimestre de 2026, a ocupação de escritórios na cidade atingiu 12.366 metros quadrados, mais 64% face ao trimestre anterior, enquanto as rendas prime se mantiveram estáveis nos 21 euros por m² por mês.

“A procura de escritórios no Porto tem sido impulsionada maioritariamente por PME”, explica a Dils à PME Magazine. Apesar de o trimestre ter registado duas operações com áreas superiores a 1.000 m², a maioria dos negócios concretizados ficou abaixo desse limite, com uma área média de ocupação próxima dos 850 m².

A consultora imobiliária acrescenta que, “embora continue a existir interesse por parte de empresas de maior dimensão, a dinâmica recente do mercado tem sido marcada sobretudo por operações de menor escala”, acrescenta a consultora imobiliária, que destaca a “crescente relevância das PME no volume de negócios concretizados”.

Em Lisboa e no Porto, as PME procuram, em geral, espaços entre os 200 e os 500 m². No primeiro semestre de 2026, a área média transacionada no Porto foi de aproximadamente 290 m², embora se mantenha ativa a procura por escritórios mais pequenos, tipicamente entre os 150 e os 300 m², segundo a Dils.

O crescimento da procura no Porto surge num contexto de aumento da atividade no mercado de escritórios. Segundo o comunicado da consultora, a ocupação de 12.366 m² registada no segundo trimestre foi impulsionada sobretudo por duas operações: a ocupação de cerca de 6.150 m² pela SNS e de aproximadamente 2.100 m² pela FlexOffices, no edifício Latino Coelho 85. Em conjunto, estas operações representaram cerca de metade da área ocupada no trimestre.

 

Nova oferta beneficiará empresas de maior dimensão

Apesar do aumento da procura, “a nova oferta de escritórios tem-se direcionado sobretudo para empresas de maior dimensão e para PME internacionais”, explica a Dils. Segundo a consultora, estas empresas “tendem a apresentar requisitos mais exigentes em matéria de qualidade, sustentabilidade e critérios ESG”, valorizando edifícios capazes de responder a padrões operacionais e ambientais elevados.

O comunicado da consultora aponta para cerca de 96.450 m² de nova oferta de escritórios em construção prevista para 2026 e 2027, numa dinâmica que deverá contribuir para a renovação e expansão do stock de escritórios da cidade. No segundo trimestre, foi ainda concluído o Boavista Office Building, com cerca de 1.300 m² de área de escritórios.

Para as PME, contudo, o custo continua a ser um fator relevante na escolha dos espaços. “As PME tendem, em geral, a apresentar uma maior sensibilidade aos custos de ocupação”, afirma a Dils, o que pode levar parte desta procura a direcionar-se para edifícios ou localizações com rendas mais competitivas.

“Após a subida generalizada observada ao longo do último ano, as rendas têm evidenciado uma maior estabilidade”, refere a consultora. Ainda assim, parte da procura das PME poderá ser direcionada para espaços com “níveis de renda mais competitivos”, mesmo que tenham especificações menos exigentes face aos ativos prime.

No Porto, a renda prime manteve-se estável nos 21 euros por m² por mês no segundo trimestre, de acordo com o comunicado da Dils.

O cenário revela, assim, uma possível divisão no mercado: enquanto a procura de PME se concentra em espaços de menor dimensão e com maior atenção aos custos, a nova oferta está sobretudo orientada para ocupantes com capacidade para responder a requisitos mais elevados de qualidade, sustentabilidade e ESG, segundo a Dils.

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